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SÃO PAULO – Grandes bancos revisaram as suas recomendações para outras grandes instituições financeiras. Destacando estar mais seletivo quanto às recomendações para os bancos brasileiros após o rali de alta, o JPMorgan reduziu a recomendação para as ações do Bradesco (BBDC4), passando de overweight (exposição acima da média do mercado) para neutra, possuindo um preço-alvo de R$ 36,00 para os ativos.
De acordo com os analistas Saul Martinez, Domingos Falavina e Christopher Delgado, os analistas acreditam que as condições macroeconômicas são desafiadoras e que os múltiplos não estão mais tão atrativos como estavam anteriormente. Desde o último dia 8 de julho, as ações já subiram cerca de 27% e o preço-alvo de R$ 36,00 reflete um potencial limitado de alta.
Dois fatores adicionais reforçam o rebaixamento: a preocupação sobre a trajetória de crescimento da receita líquida de juros e os ganhos limitados na Bradesco Seguros e Previdência. “Continuamos gostando da posição de liderança de mercado, mas o Itaú Unibanco (ITUB4) oferece uma melhor relação risco-retorno para bancos deste perfil”.
HSBC também revisa recomendações para o setor
Enquanto isso, o HSBC revisou a recomendação para os bancos brasileiros, avaliando que não há pechinchas, mas algumas ações têm preços razoáveis. De acordo com os analistas Carlos Gomez-Lopez e Mariel Santiago, o Brasil é “um copo meio cheio com avaliações relativamente baratas”, ressaltando que os dois últimos anos foram bastante decepcionantes para a economia brasileira e para o setor de bancos.
Os analistas ressaltam que a recuperação na atividade esperada para o segundo semestre de 2012 nunca se concretizou. Além disso, afirmam, a característica mais marcante do sistema bancário brasileiro no momento é a divergência entre os bancos privados e estatais; enquanto o sistema financeiro está crescendo a uma taxa de 26% os bancos estatais continuam a se expandir a um nível superior a 25% na comparação anual, ao passo que os privados estão crescendo na faixa de um dígito. E apontam: por enquanto, a qualidade dos ativos continua boa para os bancos estatais, porém é um motivo de preocupação.
Entre as mudanças de recomendação, estiveram o Banrisul (BRSR6), que teve a recomendação elevada para overweight ante recomendação neutra, elevando o preço-alvo de R$ 19,00 para R$ 21,00. Segundo os analistas, a avaliação mostra um desconto para seu grupo de pares do segmento de grandes bancos, ressaltando que a administração está concentrada em concretizar o forte potencial da receita de prestação de serviços em seguros e adquirência.
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Já o Santander Brasil (SANB11) teve a recomendação elevada de underweight (exposição abaixo da média) para neutra e elevou o target para as units de R$ 14,90 para R$ 17,00; segundo os analistas, a avaliação não está muito distante dos seus pares. Por outro lado, as principais preocupações são seu grande superávit de capital, captação relativamente fraca e a influência da empresa controladora. Já a redução de capital anunciada, de R$ 6 bilhões, é positiva. Contudo, vale ressaltar que a análise foi feita antes da divulgação dos resultados do terceiro trimestre, anunciados na manhã desta quinta-feira.
Lopez e Santiago mantêm a preferência pelo Itaú Unibanco, com preço-alvo de R$ 39,00, avaliando que o banco está melhor posicionado para lidar com o ambiente de recuo na expansão da receita vigente no Brasil devido a quatro fatores: foco no controle de custos, melhoria no perfil de crédito, crescimento firme em atividades geradoras de tarifas e capitalização adequada, que abre espaço para mais crescimento.
Com relação ao Bradesco, a recomendação segue overweight, ressaltando que as avaliações relativas do banco são atrativas em comparação a seus pares dentre os bancos de grande porte no México e Colômbia. A classificação de overweight tem como base: a estratégia com foco no mercado interno; a forte cultura corporativa e administração estável; a melhoria nos índices de qualidade; a diversidade de lucros via venda de seguros e os níveis adequados de capitalização.
O Banco do Brasil (BBAS3) também tem recomendação overweight com preço-alvo de R$ 36, ressaltando que é uma aposta de valor dentre os grandes bancos brasileiros. A classificação tem como base: a avaliação profunda em comparação aos pares brasileiros; a força de suas franquias e potencial de crescimento em sua aposta em seguros e credenciamento de cartões; expectativa de deterioração moderada no crédito e o dividend yield alto.