Copasa “recalcula” rota de privatização e analistas questionam: vale comprar a ação?

Para o Santander, comprar agora já oferece um potencial relevante de valorização

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Divulgação: Copasa
Divulgação: Copasa

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O processo de privatização da Copasa (CSMG3), a Companhia de Saneamento de Minas Gerais, tem passado por dias intensos. Às vésperas do que deveria ser o anúncio do acionista de referência, a companhia deu meia volta e precisou ajustar o cronograma de oferta de ações.

Com a mudança repentina, ainda na quarta-feira, as ações da Copasa fecharam em queda de 4,71%, negociadas a R$ 50,75.

Em entrevista à Reuters, uma fonte próxima afirmou que as ofertas recebidas de interessados ficaram abaixo do mínimo pretendido pelo governo mineiro, o que pode ter levado à reorganização. Segundo reportagem da Bloomberg, as propostas estavam a cerca de 10% abaixo dos níveis atuais de mercado.

Ainda na quinta-feira (27), a Copasa anunciou que a oferta pública secundária de ações seria modificada. Em novo prospecto preliminar, a oferta secundária estabeleceu o preço mínimo de R$ 47,23 por papel.

O cronograma, que também foi alterado, agora prevê a fixação do preço em 11 de junho — anteriormente, estava previsto para o dia 2 de junho. A quantidade de ações adicionais também diminuiu, de ​19.135.730 ⁠para 19.035.730 papéis. A oferta ⁠base permaneceu em 171.113.881 ações.

Para o Santander, a mudança no cronograma e a publicação prévia do preço mínimo, pode levar as novas propostas a ficarem mais próximas do preço mínimo.

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Ainda vale a pena comprar a ação?

O relatório do Santander, divulgado um dia antes da revelação do novo preço mínimo e do cronograma, reforça o otimismo com a privatização.

“Acreditamos que o governo abrirá de fato uma nova rodada de propostas para investidores estratégicos, com o preço final provavelmente permanecendo próximo aos níveis atuais de mercado”, apontou o texto.

De acordo com os analistas, a alocação de ações deve ficar limitada e, por isso, os investidores interessados deverão agir logo e aproveitar a fraqueza das ações. Cabe destacar que, nesta quinta, os papéis eram destaque do Ibovespa, subindo mais de 4%.

Por um lado, deve-se considerar a possível oferta relevante da Perfin, que atualmente possui 18%-20% da Copasa e é um dos principais nomes interessados em avançar com a privatização. Por outro, está a parcela limitada destinada aos investidores de varejo, em 19 milhões de ações.

O Santander acredita que a Perfin está disposta a trabalhar com Aegea ou Equatorial (EQTL3), embora não pareça interessada, neste momento, em atuar como investidor estratégico. Ainda assim, segundo a Bloomberg, a Perfin estaria disposta a absorver cerca de R$ 1 bilhão do tranche de mercado durante o processo de bookbuilding.

“A conclusão é clara: comprar agora já oferece um potencial relevante de valorização, caso a privatização avance sob o controle de um operador forte”, afirmam.

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Outro ponto importante trazido pelo banco diz respeito ao tamanho da oferta e a disponibilidade limitada para investidores institucionais. Isso considerando, por exemplo, a potencial demanda de fundos globais especializados em saneamento.

Estimando que a tranche de varejo atinja o limite de 19 milhões de ações e levando em conta que a Perfin invista R$ 1 bilhão, o montante restante para o mercado institucional em geral cairia para apenas R$ 863–939 milhões. Segundo os analistas, isso restringiria de forma relevante a participação dos investidores.