JPMorgan segue vendo eleição acirrada e projeta alta volatilidade em ações no Brasil

Cenário segue marcado por polarização e pouca mudança estrutural, avaliam os especialistas do banco

Lara Rizério Agências de notícias

Gráfico de ações e câmbio com bandeira do Brasil (Imagem elaborado com auxílio da Inteligência Artificial)
Gráfico de ações e câmbio com bandeira do Brasil (Imagem elaborado com auxílio da Inteligência Artificial)

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O JPMorgan mantém uma visão cautelosa para as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, projetando uma disputa apertada e elevada volatilidade nos ativos financeiros ao longo dos próximos meses.

A equipe de economistas e estrategistas do banco destaca que, apesar de eventos políticos relevantes nas últimas semanas, o cenário segue marcado por polarização e pouca mudança estrutural.

Segundo a análise, embora incumbentes historicamente tenham vantagem no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conseguiu consolidar uma liderança confortável nas pesquisas, mesmo com um pano de fundo macroeconômico relativamente benigno, com desemprego baixo, crescimento dos salários e inflação moderada.

Até recentemente, inclusive, levantamentos chegaram a mostrar Lula numericamente atrás do principal nome da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em simulações de segundo turno. Eventos recentes — como o vazamento de um áudio envolvendo Flávio e anúncios de medidas pelo governo — fizeram Lula ficar à frente, mas tiveram impacto limitado e não alteraram as premissas centrais do banco.

Na leitura do JPMorgan, o cenário eleitoral permanece ancorado em restrições estruturais e em um eleitorado altamente polarizado, o que reforça a expectativa de uma disputa acirrada. “Continuamos a interpretar novos choques sob a ótica de um eleitorado com baixa elasticidade e forte divisão”, aponta o relatório.

Polarização limita mudanças nas pesquisas

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Mesmo após os episódios recentes, o avanço de Lula nas pesquisas foi apenas marginal. A taxa de rejeição ao presidente segue elevada, e há pouca evidência de migração significativa de votos entre eleitores centristas ou indecisos, avaliam os especialistas do JPMorgan.

Ao mesmo tempo, os candidatos alternativos à direita — como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Renan Santos (MBL) — continuam com intenções de voto em patamares baixos, sem sinal de consolidação como terceira via.

Os dados sugerem que eleitores que eventualmente se afastaram de Flávio Bolsonaro após o escândalo não migraram diretamente para Lula, mas permaneceram dentro do campo oposicionista ou optaram pela abstenção. Essa dinâmica reforça a avaliação de que o ambiente político segue rigidamente polarizado.

Além disso, o episódio pode ter limitado a capacidade de Flávio de expandir sua base eleitoral ou de explorar de forma mais eficiente o tema da corrupção — tradicionalmente relevante no debate eleitoral brasileiro.

Três fases da corrida eleitoral

O banco divide ainda a evolução da disputa em três etapas principais. A primeira, até o fim de 2025, foi marcada por incerteza elevada, queda de popularidade do governo e foco em temas como inflação e fiscal. Na segunda fase, entre dezembro e o início de maio, Flávio Bolsonaro se consolidou como principal nome da oposição, e o quadro passou a refletir maior estabilidade e polarização.

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A terceira fase, em que o país se encontra atualmente, deve ser caracterizada pela interação entre choques pontuais — como o vazamento do áudio — e as dinâmicas estruturais já estabelecidas. O período tende a trazer maior frequência de pesquisas, intensificação de articulações políticas e início da mobilização de campanha.
Na avaliação do JPMorgan, a formação de coalizões e alianças regionais, embora não garanta vitória, funciona como um sinal relevante de viabilidade eleitoral, influenciando tempo de TV, recursos de campanha e capacidade de alcance do eleitorado.

Decisão deve ficar para a reta final

O banco reforça que as eleições no Brasil costumam ser decididas apenas nas últimas semanas, quando fatores como intensidade da campanha, debates e medidas de governo podem influenciar eleitores ainda indecisos.

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Apesar de eventuais oscilações, a disputa segue sustentada por dois pilares: bases fiéis robustas para os principais candidatos e altos níveis de rejeição para ambos. Isso limita o espaço para mudanças abruptas no curto prazo.

Além disso, o sentimento anti-incumbente ainda é considerado elevado, o que impede uma leitura mais otimista sobre as chances de reeleição neste momento. Para o JPMorgan, variáveis-chave a monitorar incluem a evolução da aprovação de Lula, sua rejeição e os efeitos de novas medidas econômicas ou políticas.

Impacto já aparece nos mercados

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O relatório destaca que o ambiente político já começa a influenciar a dinâmica dos ativos brasileiros. Desde o vazamento do áudio, em 13 de maio, o desempenho do mercado local ficou significativamente atrás de outros emergentes.

O JPMorgan estima que parte relevante da queda recente do MSCI Brasil pode ser atribuída a fatores domésticos, incluindo o ruído político. Apesar de haver limitações metodológicas — como a rotação global em favor de tecnologia —, o banco considera claro que o cenário eleitoral já entrou na precificação.
Além disso, a curva de juros passou por reprecificação, especialmente nas taxas longas, refletindo um ambiente mais desafiador para as expectativas futuras.

Estratégia: volatilidade à frente e foco em qualidade

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Do ponto de vista de investimento, o banco avalia que a tendência é de aumento da volatilidade à medida que a eleição se aproxima. Historicamente, as ações brasileiras tendem a ter desempenho inferior nos meses que antecedem o pleito — padrão que já vem se repetindo em 2026.

Nesse contexto, o JPMorgan recomenda priorizar ativos de maior qualidade. Entre os setores preferidos estão: ações financeiras mais sólidas, utilities e empresas de commodities.

Por outro lado, o banco demonstra cautela com ações domésticas cíclicas, especialmente aquelas mais sensíveis à trajetória de juros.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.