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*Por Lawrence Lewitinn
A sabedoria popular diz que se o dólar estiver mais forte, ativos como criptomoedas ficam mais baratos. Mas será que isso de fato é verdade?
Na semana passada, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) fez exatamente o que a maioria das pessoas previu: elevou a taxa de fundos federais em 0,75 ponto percentual pela terceira vez consecutiva. Em junho, os preços ao consumidor subiram a uma taxa não vista desde o início da década de 90. Então, aumentar os custos dos empréstimos tornará o dinheiro um pouco mais caro e, portanto, esfriará a economia aquecida.
Taxas de juros mais altas alimentam a demanda por dólares, algo que pôde ser visto este ano até no meio cripto: o grande volume de compras de TerraUSD (UST) visto até abril, afinal, foi resultado da oferta de quase 20% de rendimento percentual anual pelo protocolo Anchor .
O US Dollar Index, que mede a força do dólar em relação a uma cesta de seis moedas estrangeiras, agora está sendo negociado com a maior alta de 20 anos, depois de subir cerca de 20% em 2021. Nesse período, o Bitcoin (BTC) caiu 58%.
“A robustez do dólar é uma força unilateral e poderosa”, disse Mark Conners, chefe de pesquisa da 3IQ, ao CoinDesk na sexta-feira (23). “O termo ‘tsunami’ é muito usado, mas realmente representa com precisão o que acontece em um período de dólar forte. Isso apenas afasta outros ativos das moedas”.
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No entanto, é importante lembrar que, como ainda estão em estágio inicial, as moedas digitais também se movem por outras razões, e não só pela força do dólar. O BTC, por exemplo, atingiu uma alta histórica em novembro de 2021, sendo negociado a US$ 69 mil – o preço praticamente quadriplicou em relação ao ano anterior. Durante esse período, o índice do dólar passou de aproximadamente 92,7 para 95.
Além disso, os preços das criptomoedas muitas vezes se mexem de acordo com o apetite ao risco do mercado, já que elas são vistas como muito arriscadas. No entanto, as criptos também vêm se comportando como alguns ativos convencionais, especialmente nas últimas semanas.
Quando o Bureau of Labor Statistics (BLS, a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA) divulgou o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de agosto em 13 de setembro, mostrando um aumento de 8,3% no ano, os mercados de ações foram atingidos junto com o mercado de ativos digitais. O S&P 500, por exemplo, caiu 6,2% na semana seguinte ao anúncio.
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Padrões do mercado cripto
Uma análise mais aprofundada, porém, mostra que há diferença no desempenho de diferentes setores. O setor financeiro, por exemplo, caiu 5%, dado que bancos gostam de juros mais altos no longo prazo porque acabam beneficiando seus balanços. Já as ações ligadas ao setor imobiliário, por outro lado, cederam 9,8%, pois juros mais altos dificultam a alavancagem com hipotecas e aumentam as taxas de capitalização para edifícios comerciais.
Como um todo, o mercado cripto se saiu muito pior do que as bolsas na semana seguinte à divulgação dos dados do CPI. O CoinDesk Market Index (CMI), um índice composto por 148 dos maiores criptoativos, caiu 13,5% durante esses sete dias. Aqui também encontramos variações com base no setor.
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O CoinDesk Smart Contract Platform Index (SMT) – que inclui ativos como Ethereum (ETH), Cardano (ADA) e Solana (SOL) – caiu 19,8%. Para ser justo, vale dizer que uma parte considerável da queda foi devido à desvalorização do ETH após a atualização Merge (Fusão, na tradução para o português), e não apenas por causa das condições gerais do mercado, embora outros ativos no índice também tenham caído devido ao sell-off pós-Merge.
Enquanto isso, o CoinDesk Culture & Entertainment Index (CNE) – repleto tokens não fungíveis (NFTs) e moedas do metaverso, como ApeCoin (APE), Decentraland (MANA) e Sandbox (SAND) – caiu “apenas” 6,9%, em desempenho acima de quatro setores do mercado de ações.
“Inflação alta, taxas crescentes [e] um dólar forte…Sim, isso pressiona todos os ativos digitais, mas não da mesma forma”, afirma Jodie Gunzberg, diretora administrativa do CoinDesk Indices. As criptomoedas no CoinDesk Culture & Entertainment Index não sofreram tanto quanto outras porque “não são tão economicamente sensíveis quanto as finanças descentralizadas (DeFi) ou as moedas ou as plataformas de smart contracts (contratos inteligentes) que estão muito mais intimamente ligadas aos mercados financeiros”.
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O movimento atinge um padrão familiar encontrado nas bolsas, de acordo com Jodie. “Isso não é muito diferente dos setores defensivos que vemos novamente no S&P 500”, disse ela. “Quando olhamos para coisas como lazer, entretenimento e jogos, há características mais defensivas. Depois, há alguns dos setores economicamente mais sensíveis, como o imobiliário.”
Para os traders, pensar em criptomoedas em termos de segmentos significa, entre outras coisas, criar maneiras mais sofisticadas de negociar em um ambiente de juros crescentes.
“Você pode criar estratégias long/short, ou pode criar estratégias que estão sobrecarregando setores como cultura e entretenimento ou até mesmo o mercado de digitalização”, disse Jodie. “E então você pode subestimar as plataformas de contratos inteligentes… que estão realmente sendo marteladas neste ambiente econômico.”
Enquanto isso, o mercado está se preparando para mais um aumento de 0,75 ponto percentual. De acordo com a ferramenta FedWatch da CME, na tarde de sexta os traders davam uma probabilidade de 71,7% de que o banco central dos EUA aumentaria os juros para uma faixa de 3,75% a 4%. Portanto, muita coisa ainda pode acontecer no próximo mês.
*Lawrence Lewitinn é ex-trader do Wall Street Journal e editor de mercados do CoinDesk