Como as ações brasileiras devem reagir aos dados de inflação dos EUA na quarta-feira?

Nos últimos três anos, os mercados brasileiros reagiram mais fortemente às surpresas do CPI dos EUA em comparação às surpresas do PPI

Felipe Moreira

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Os mercados globais ficarão atentos aos dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) nos EUA, a ser divulgado na quarta-feira (15), após “dados mistos” do Índice de Preços ao Produtor (PPI, na sigla em inglês) revelados na terça (com alta acima do esperado, mas revisão abaixo nos outros meses).

Para o Bank of America (BofA), caso haja uma surpresa na quarta, com dados de inflação ao consumidor dos EUA abaixo do esperado, poderia haver uma baixa nas taxas de juros e um movimento positivo para as ações no Brasil.

Isso porque, segundo o banco, os investidores no Brasil veem as taxas dos EUA como o maior catalisador do mercado e poderiam procurar adicionar exposição a nomes sensíveis a taxas no Brasil, ainda mais atraídos por avaliações deprimidas, posicionamento e prêmios de opções relativamente baixos em relação aos padrões históricos.

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Nos últimos três anos, os mercados brasileiros reagiram mais fortemente às surpresas do CPI dos EUA em comparação às surpresas do PPI. A inflação ao produtor e a inflação ao consumidor tendem a evoluir juntos e o CPI é frequentemente divulgado mais cedo (31 dos últimos 36 meses o CPI foi divulgado pelo menos um dia antes do PPI). Mas nesta semana, os dados do PPI foram os primeiros a sair dos dois, o que pode ter em parte antecipado essa reação.

Os dados do PPI medem a variação dos preços na perspectiva do vendedor. Isto contrasta com outras medidas, como o CPI, que medem a variação dos preços na perspectiva do comprador, como aponta também o Bureau of Labor Statistics, agência estatística dos EUA.

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As surpresas do CPI dos EUA nos últimos 3 anos desencadearam uma reação nas ações brasileiras. Em média, para cada surpresa negativa de 10 pontos base no CPI dos EUA, no dia do anúncio o Ibovespa subiu 12 pontos-base e o índice Small Cap subiu 19 pontos-base.

Com base nisso, o BofA divulgou uma lista de ações com dinâmica de lucros que historicamente reagiram às surpresas do CPI dos EUA.

Nubank (ROXO34), Stone (STOC31), PagBank (PAGS34), Hapvida (HAPV3), Tenda (TEND3), Rede D’or (RDOR3), XP (XPBR31), MRV (MRVE3), Guararapes (GUAR3), RD (RADL3), Cyrela (CYRE3), Iguatemi (IGTI11), Lojas Renner (LREN3), Copasa (CSMG3), Smart Fit (SMFT3), Santos Brasil (STBP3) e Arezzo (ARZZ3) estão na lista das mais sensíveis aos dados do CPI.

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O quadro abaixo, elaborado pelo BofA, destaca a reação média positiva de cada ativo para cada surpresa abaixo do consenso de 10 pontos-base (ou 0,1 ponto percentual) com o CPI:

Fonte: BofA