Com inflação em foco, Assaí (ASAI3) e Carrefour (CRFB3) ganham espaço na preferência de analistas

No ano passado, deflação alimentar fez consumidores gastarem menos e companhias perderem valor de estoque

Vitor Azevedo

Uma das unidades do Assaí (Divulgação)

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Nos últimos dias, analistas vêm mostrando mais otimismo com os papéis do Assaí (ASAI3) e do Carrefour (CRFB3), duas empresas com forte exposição ao chamado atacarejo. Alguns fatores jogam a favor da tese nessas empresas, como a expectativa de que a deflação de alimentos tenha uma reversão; em 2023, o preço dos alimentos fechou com queda de 0,52%, a primeira desde 2017, segundo dados do IBGE.

Em relatório, o Morgan Stanley atualizou suas perspectivas para o varejo como um todo. Apesar de ter, por exemplo, cortado a recomendação do Magazine Luiza (MGLU3), as duas companhias em questão continuam como overweight (acima da média do mercado, equivalente à compra).

“Esperamos que os ventos contrários de 2023 se transformem em ventos favoráveis para o ano seguinte, com a reversão da deflação alimentar, elevação de vendas/margens de lojas convertidas, e alívio das despesas financeiras em meio a taxas de juros mais baixas”, dizem os analistas, encabeçados por Andrew R. Ruben. 

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Ao longo de 2023, a deflação alimentar impactou negativamente as ações do Assaí e do Carrefour. Primeiro, o recuo dos preços, ou mesmo a inflação menor, faz os consumidores temerem menos altas abruptas e, por isso, formarem estoques menores, diminuindo o faturamento das lojas. Em segundo lugar, não raro as companhias viam seus estoques se depreciando, por conta do recuo dos preços dos produtos. 

“Embora a deflação alimentar provavelmente dure nos primeiros meses de 2024, acreditamos que essa tendência já está em um ponto de inflexão, com as curvas futuras para commodities como soja e milho, assim como certos preços de perecíveis, voltando a subir devido aos impactos de um forte ciclo de El Niño”, disse o time do Goldman Sachs, em análise na semana passada.

Fora isso, as duas companhias estão realizando conversões de unidades – o Assaí de lojas do Extra e o Atacadão, do Big. Em 2024, conforme o tempo desde as mudanças vai passando, é esperada uma maturação das lojas, que traz, normalmente, maior faturamento e maior rentabilidade. 

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Na última sexta-feira, o Itaú BBA elevou sua recomendação para o Carrefour para compra de olho nos mesmos motivos. 

“Nossa postura otimista em relação à empresa é respaldada pela nossa crença de que o momento operacional se beneficiará de uma reversão da tendência deflacionária nos alimentos observada em 2023”, disseram os analistas.

“Acrescentamos ainda ver a adoção de uma estratégia mais racional de alocação de capital, focada na conversão de mais hipermercados em formatos mais bem-sucedidos e a significativa depreciação atual de seu lucro líquido, que poderia ser impulsionado por notícias operacionais positivas”, avaliou o banco.

Atualmente, segundo a LSEG, as ações ordinárias do Assaí têm 12 recomendações de compra e uma neutra, com preço-alvo médio de R$ 17, upside de 15,6% frente ao fechamento de segunda. Já as ações do Carrefour têm seis recomendações de compra e oito neutras, com preço-alvo médio de R$ 14, upside de 15,3%.