Morgan corta Magalu (MGLU3) para venda e reduz preço-alvo de Casas Bahia (BHIA3); ações caem mais de 4%

Mercado Livre aparece como preferida do segmento; analistas do banco também gostam de Assaí e Carrefour em varejo alimentar

Lara Rizério

(Shutterstock)

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O Morgan Stanley foi mais um banco a revisar as suas projeções para o setor de consumo e varejo para 2024 na América Latina. O banco vê uma perspectiva mista para o setor, enquanto espera aceleração do crescimento do e-commerce na região.

A visão é de melhora do comércio eletrônico, mas os analistas do banco cortaram a recomendação para as ações do Magazine Luiza (MGLU3) de equalweight (exposição em linha com a média do mercado) para underweight (exposição abaixo da média do mercado), com o preço-alvo sendo cortado de R$ 2,75 para R$ 2, ou baixa de 12% frente o fechamento da véspera.

Enquanto isso, a recomendação underweight foi mantida para Casas Bahia (BHIA3), com o preço-alvo foi cortado de R$ 11,40 para R$ 10 (queda de 1,1%). A preferência no segmento é pelas ações negociadas na Nasdaq do Mercado Livre (BDR: MELI34).

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Com isso, e também em um dia negativo para o mercado e de forte alta dos juros futuros (o que prejudica varejistas), as ações registraram queda: os ativos MGLU3 tiveram baixa de 4,39%, a R$ 2,18, enquanto BHIA3 tinha baixa de 4,75%, a R$ 9,63.

“Nós vemos tendências divergentes que continuam entre as operadoras de comércio eletrônico da América Latina”, avaliam os analistas do banco americano. Enquanto Mercado Livre emergiu como o maior ganhador incremental de participação com o enfraquecimento da Americanas (AMER3), a equipe de análise vê a liderança em escala de mercado apoiando a monetização contínua da taxa de juros e a expansão das margens.

Já para Magalu e Casas Bahia, os analistas esperam que a pressão de lucros persista, em meio a uma ainda lenta recuperação do setor eletrônico e tração em categorias mais recentes que as varejistas apostam. Para Méliuz (CASH3), com recomendação equalweight, a visibilidade em torno das principais operações de reembolso permanece baixo, enquanto para Americanas (AMER3) os analistas permanecem sem recomendação em meio ao processo de recuperação judicial em curso.

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Para o segmento de vestuário, os analistas possuem recomendação equalweight para Lojas Renner (LREN3) e underweight para C&A (CEAB3), esta última destaque do setor de varejo em 2023.

“Continuamos cautelosos quanto ao potencial de investimentos em digitalização e a pressão competitiva sobre preços pesará nas margens do vestuário brasileiro, embora a intenção da pesquisa sobre vestuário online tenha sido favorável e acreditamos que a categoria poderiam beneficiar da melhoria das tendências de consumo”, avaliam os analistas.

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O banco vê a relação risco-recompensa equilibrada para Renner, com desconto dos múltiplos de negociação em relação ao histórico, mas limitado catalisador de alta. Para C&A, execução nas vendas/margem a recuperação superou as expectativas nos últimos trimestres, mas isso parece excessivamente refletido nas ações após a valorização do preço das ações em 2023.

Já em varejo alimentar, apesar da pressão do atacarejo em 2023, o Morgan mantém a visão estrutural otimista sobre o segmento e esperam que os ventos contrários táticos se revertam.

Com a passagem do pico de deflação alimentar, aumento de vendas/margens de lojas convertidas e alívio de despesas financeiras em meio a taxas de juros mais baixas, os analistas estão com recomendação overweight em Assaí (ASAI3) e Carrefour Brasil (CRFB3). Já para GPA (PCAR3), a recomendação segue equalweight, destacando os esforços para simplificação da estrutura, mas com um fluxo de receita líquida pressionado.

Confira as recomendações do Morgan Stanley para o setor de varejo:

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.