Esquenta do PIB

Com IBC-Br de dezembro, analistas revisam previsões de crescimento da economia para 2021 e 2022

Ainda que o mês de dezembro tenha trazido surpresas positivas, algumas casas revisaram para baixo suas previsões para o PIB

Por  Mitchel Diniz, Lara Rizério

A divulgação do IBC-Br de dezembro nesta sexta-feira (11) conclui a agenda de indicadores econômicos referentes a 2021 na semana e dá pistas de qual pode ser a variação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, tanto do quarto trimestre quanto o anual. Além disso, indica em qual ritmo os setores podem ter começado o ano de 2022.

O índice de atividade econômica do Banco Central costuma ser chamado, com controvérsias, de prévia do PIB, e registrou uma variação positiva de 0,33% em relação à novembro. Ainda que o indicador tenha vindo abaixo do esperado pelo mercado, cujo consenso apontava para uma alta mensal de 0,5%, o valor menor também é explicado pelas revisões altistas em outros períodos. No ano, a alta apontada foi de 4,5%. Além disso, outros números divulgados recentemente  surpreenderam positivamente:

Para Luca Mercadante, economista da Rio Bravo, o IBC-Br continuou a indicar um resultado positivo, refletindo a reabertura da economia. O resultado veio em linha com os últimos indicadores econômicos do quarto trimestre. Mas a previsão para o começo deste ano é de desaceleração.

“A divulgação de dezembro não altera as perspectivas para o início do ano e ainda antevemos uma atividade desacelerando nos primeiros meses de 2022. Com esse resultado, esperamos que o PIB cresça 4,5% em 2021. Para 2022 mantemos nossa projeção em -0,2%”, escreveu Mercadante.

A XP projetava um avanço de 0,6% no IBC-Br de dezembro em relação a novembro e de 1,2%, comparando com dezembro de 2020. “Em linhas gerais, a recuperação do setor de serviços (sobretudo dos serviços prestados às famílias) compensou, no último trimestre, o fraco desempenho do comércio, da indústria e da construção civil”, avalia o economista Rodolfo Margato.

A XP prevê que o IBC-Br de janeiro de 2022 tenha um avanço de 0,4% em comparação a dezembro. Para o PIB do quarto trimestre, a projeção é de crescimento de 0,3% em relação ao terceiro tri.

“Em nosso cenário  base, projetamos que o PIB do Brasil ficará estável em 2022, após ter crescido 4,5% em 2021. Para 2023, Esperamos recuperação moderada da economia doméstica, com elevação de 1,2%”, escreveu Margato.

A projeção do UBS para o IBC-Br de dezembro era de alta de 0,5% em comparação a novembro. “De maneira geral, no quarto trimestre de 2021, a economia não foi tão forte, ainda que melhor comparando com os segundo e terceiro trimestres do ano”, avaliam os economistas Fabio Ramos e Alexandre de Ázara.

Eles destacam o desempenho do setor de serviços que, conforme o esperado, ofuscou comércio, produção industrial e varejo. Os economistas atribuem essa melhora ao alívio com a pandemia e a reabertura da economia, ainda que por outro lado persistam os desafios com as cadeias globais de produção e a inflação em alta.

O UBS aumentou as estimativas de crescimento do PIB do quarto trimestre de 2021 de 0,2% para 0,3%, em comparação ao terceiro trimestre. “É uma mudança minúscula, mas já tivemos números ‘menos ruins’ do que o consenso de mercado esperava, apoiados na performance do setor de serviços e mesmo com a inflação enfrentada pelo varejo e a indústria”, apontam Ramos e Ázara.

Assim como a XP, o UBS prevê que o PIB de 2021 tenha crescido 4,5% e mantém previsão de crescimento de 0,6% para a economia brasileira em 2022.

O Bank of America não era tão otimista e já esperava um avanço menor do IBC-Br em dezembro, de 0,4%. O banco admite que o viés de alta dos setores de serviço, varejo e indústria em dezembro foram surpreendentes, mas os indicadores continuaram fracos no trimestre, o que deve implicar em crescimento nulo para o PIB no período.

Com isso, o BofA revisou para baixo suas projeções sobre o PIB de 2021, de 4,9% para 4,4% e de 1,1% para 0,5% em 2022. Indicadores do banco identificaram uma queda na confiança dos setores, o que aponta para um começo de ano fraco.

“A atividade de janeiro deve sofrer com o impacto de uma nova onda de contaminação de Covid, o que impôs mais restrições para as pessoas que trabalham fora de casa e para atividades de serviços em geral”, escreveram os analistas do BofA. O banco prevê uma contração de 0,1% no IBC-Br do mês de janeiro em relação a dezembro.

“Os ruídos políticos vão aumentar à medida que nos aproximamos das eleições e uma política monetária mais restrita também será um obstáculo”, escreveram os analistas do banco, justificando a revisão nas projeções do PIB.

Para os setores da economia, especialistas seguem vendo alguns desafios. Para Mercadante, da Rio Bravo, apesar de um dado melhor do que o esperado do varejo em dezembro, as perspectivas para o setor em 2022 não são positivas. A queda na renda real, indicada pela Pnad, deve fazer com que a tendência se mantenha de queda para o início do ano, aponta.

A XP também reiterou o cenário para o consumo privado como bastante desafiador em 2022. “Inflação alta, salários reais deprimidos, elevação das taxas de juros, desaceleração das concessões de crédito e ampliação do endividamento explicam esse quadro prospectivo”, avalia.

Já pelo lado positivo, a recuperação sólida do emprego (tanto categorias formais quanto informais) combinada ao novo programa de transferências do governo (Auxílio Brasil) devem permitir algum crescimento, ainda que moderado, da massa de renda ampliada disponível às famílias este ano, aponta a equipe de análise econômica. A projeção da casa é de elevação de 1,0% e 0,5% para os índices de varejo ampliado e restrito em 2022, respectivamente.

Com relação a serviços, o economista da Rio Bravo aponta que a queda na renda real e o avanço da ômicron devem impactar negativamente os serviços e a atividade em geral.

O BBI ressaltou que o setor de serviços testemunhou bons ventos nos últimos dois meses de 2021, com o volume total de serviços atingindo seu nível mais alto desde agosto de 2015. Contudo, deve haver um curto prazo desafiador pela frente para os serviços, devido ao novo surto de ômicron, que provavelmente levará a uma desvantagem, especialmente em categorias como serviços profissionais, administrativos e complementares e serviços para famílias. “No entanto, os bons dados apresentados em novembro e dezembro são boas notícias, indicando que o consumo ainda está mudando de bens para serviços”, aponta.

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