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A SpaceX fez nesta quarta-feira (20) o pedido para uma oferta pública inicial (IPO) trilionária na bolsa norte-americana Nasdaq, com ambições que vão da construção de centrais de processamento de dados em órbita da Terra à colonização de Marte. O banco brasileiro BTG Pactual (BPAC11) está entre os coordenadores da oferta.
O IPO pode se tornar o primeiro da história na casa do trilhão de dólares no mercado norte-americano e abrir caminho para uma série de ofertas de ações monumentais nos próximos meses, entre elas possíveis operações dos gigantes de inteligência artificial OpenAI e Anthropic.
A venda das ações consolidará imediatamente a SpaceX como uma das empresas de capital aberto mais valiosas do mundo, a segunda do extenso império de negócios de Elon Musk a ultrapassar US$ 1 trilhão em valor de mercado.
Desde sua fundação, em 2002, a SpaceX se tornou a maior empresa espacial do mundo, lançando milhares de satélites de internet Starlink. O uso pioneiro de foguetes reutilizáveis transformou a economia do espaço e forçou concorrentes como a Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos, a correr atrás do prejuízo.
Um IPO bem-sucedido pode avaliar a empresa em um valor recorde de US$ 1,75 trilhão, o que colocaria Musk no caminho para se tornar o primeiro trilionário da história.

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OpenAI se prepara para entrar com pedido de IPO nas próximas semanas
A OpenAI afirmou em comunicado: “Avaliamos regularmente uma série de opções estratégicas. Nosso foco continua sendo a execução.”
A divulgação do pedido de IPO ocorre em uma semana crítica para a companhia, que se prepara para lançar um voo de teste da Starship, sua nave espacial de última geração.
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Os planos de Musk para missões lunares e em Marte, além da expansão do negócio de internet via satélite Starlink, dependem do sucesso da nova nave. O lançamento de teste, originalmente programado para terça-feira, agora é esperado para o fim desta semana.
Musk manterá 85,1% do poder de voto combinado da SpaceX, segundo o documento.
A empresa pretende listar suas ações em 12 de junho, com início do roadshow para investidores em 4 de junho e a precificação da oferta prevista para 11 de junho, informou a Reuters na semana passada.
Ao todo, 23 instituições participam do IPO da SpaceX, incluindo Goldman Sachs, Morgan Stanley, BofA, Citigroup e JPMorgan. O BTG Pactual é o único banco brasileiro listado na operação, de acordo com o prospecto divulgado nesta quarta-feira.
Mineração de asteroides
Entre os planos descritos no prospecto estão a construção de infraestrutura de manufatura na Lua e em Marte. A empresa também cita projetos para capturar asteroides próximos da Terra e utilizá-los em operações de mineração de metais e outros recursos considerados críticos.
A SpaceX pretende ainda ampliar a escala de seus lançamentos espaciais para a casa dos milhares por ano.
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Na área de inteligência artificial, a companhia afirma que pretende lançar a primeira unidade modular orbital de processamento de dados de IA até o fim da década e começar a monetizar essa infraestrutura por meio da venda de software de IA e capacidade de processamento.
“Efeito halo”
Analistas e acadêmicos afirmam que a imagem de celebridade de Musk como presidente-executivo pode pesar mais para alguns investidores do que os fundamentos do negócio, já que praticamente não existem empresas comparáveis para balizar a avaliação da SpaceX.
A empresa afirmou mirar um mercado potencial total de US$ 28,5 trilhões em seus diversos negócios, com a maior parte dessa receita potencial ligada à inteligência artificial.
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Os números evidenciam que a SpaceX depende hoje da receita impulsionada pela Starlink, mas a companhia vê seu futuro concentrado em IA e em operações de infraestrutura relacionadas — áreas que, por enquanto, ainda não são lucrativas.
A SpaceX adotará uma estrutura de ações de duas classes: os papéis da Classe B terão 10 votos cada, concentrando o controle em Musk e em alguns executivos, enquanto as ações da Classe A, vendidas ao público, terão direito a um voto cada, segundo o prospecto.
A empresa também implementou uma série de mecanismos que, em conjunto, limitam os direitos dos acionistas, incluindo a obrigatoriedade de resolver litígios por arbitragem, a restrição dos locais onde processos judiciais podem ser ajuizados e proteções que tornam difícil a demissão de Musk por terceiros.
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A SpaceX reportou receita de US$ 4,69 bilhões nos três meses encerrados em 31 de março, ante US$ 4,07 bilhões no mesmo período do ano anterior. O prejuízo foi de US$ 1,27 por ação, comparado a um prejuízo de US$ 0,18 por ação um ano antes.
A magnitude do IPO chama a atenção para a estrutura cada vez mais interconectada do império empresarial de Musk, frequentemente apelidado de “Muskonomia”, que inclui a montadora de veículos elétricos Tesla e seus negócios em inteligência artificial e implantes de chips cerebrais.
A SpaceX se fundiu com a startup de IA de Musk, a xAI, em uma operação que avaliou a empresa de foguetes em US$ 1 trilhão e a desenvolvedora do chatbot Grok em US$ 250 bilhões.
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Corrida espacial
A corrida para comercializar o espaço se intensificou à medida que empresas privadas, lideradas por SpaceX e Blue Origin, competem para reduzir drasticamente os custos de lançamento, implantar redes de satélites e garantir contratos governamentais.
A principal fonte de receita da SpaceX é a Starlink, hoje a maior operadora de satélites do mundo. A rede, com cerca de 10 mil satélites, oferece internet de banda larga para consumidores, governos e clientes corporativos. A expansão para mercados como aviação, transporte marítimo e grandes empresas ajuda a transformar projetos espaciais intensivos em capital em uma fonte recorrente de receita.
Empresas relevantes de IA, como OpenAI e Anthropic, também estudam possíveis IPOs ainda em 2026.
A SpaceX planeja destinar uma parcela relevante da oferta a investidores pessoa física e realizará um evento para cerca de 1.500 deles em junho, conforme noticiado pela Reuters em abril.
A empresa deve ser listada na Nasdaq e na Nasdaq Texas sob o código “SPCX”.