Foco no longo prazo

CEO da Silvergate ainda vê dor de curto prazo para criptos, mas segue otimista com empréstimos de Bitcoin

Contrariando a tendência, a Silvergate registrou fortes ganhos no segundo trimestre, superando seus pares de criptomoedas

Por  CoinDesk -

A queda dos mercados que está atingindo todos os cantos da indústria de ativos digitais ainda não acabou e pode gerar mais problemas nos próximos trimestres, de acordo com o banco Silvergate Capital (SI), focado em criptomoedas.

Na avaliação do CEO e ex-banqueiro da TradFi, Alan Lane, o mercado cripto ainda pode trazer perdas para algumas exchanges e fundos de criptomoedas nos próximos trimestres, “mas em algum momento, tudo isso terá acabado e aí estaremos esperando qual será o próximo catalisador”, disse em entrevista ao CoinDesk.

A baixa atual, contudo, não deve ser comparada com as anteriores, segundo ele, dada a redefinição econômica global mais ampla, já que os ativos digitais caíram com o cenário macro, incluindo aumento dos juros e pressões inflacionárias.

No ano, as ações da Silvergate, negociadas da NYSE, caem cerca de 40% em Nova York, embora tenham saltado 33% na semana do dia 12 de julho.

O fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) VanEck Digital Transformation (DAPP), que contém uma cesta de várias ações ligadas ao universo cripto, como a exchange Coinbase (COIN) e a mineradora Marathon Digital (MARA), cai cerca de 70% este ano, mas subiu 15% na semana do dia 12.

O aumento das taxas de juros e os temores de uma recessão prejudicaram ativos de risco, em especial aqueles mais arrojados e ligados a crescimento. O índice americano Nasdaq Composite, pesado em tecnologia, por exemplo, recua cerca de 25% no acumulado do ano.

Foco no longo prazo

Dada a desaceleração das criptos, os analistas antecipam um trimestre fraco para diversas empresas de criptomoedas, de exchanges a mineradoras. Os ganhos do segundo trimestre da Silvergate, contudo, contrariaram a tendência.

A Silvergate Exchange Network (SEN), uma plataforma fiduciária para os mercados de Bitcoin (BTC), registrou um aumento de 34% nas transferências de dólares durante o segundo trimestre em relação ao ano passado, enquanto o lucro líquido aumentou 85% ano sobre ano.

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Lane disse que a maneira como o Silvergate evitou cair em armadilhas em meio à baixa dos mercados foi aderindo ao que o banco sabe fazer de melhor e não perseguindo os demais, o chamado FOMO (“Fear o Missing Out”, ou medo de ficar de fora, em português).

“Tentamos seguir nossos objetivos iniciais e não ir atrás da última moda. Nos concentramos no que fazemos bem e, principalmente, apenas resolvendo problemas para nossos clientes”, disse Lane.

Empréstimo de BTC

Em meio aos recentes colapsos de várias instituições financeiras vinculadas a cripto e alavancadas, Lane continua otimista em usar Bitcoin em seu programa de empréstimos.

“Ainda estamos absolutamente interessados em usar o Bitcoin como opção de ativo de garantia no empréstimo”, disse Lane. “Acreditamos que esse é um dos melhores tipos de empréstimo que já fizemos e queremos continuar crescendo”.

Mais recentemente, a Silvergate utilizou seu programa SEN Leverage em um empréstimo de US$ 205 milhões para a MicroStrategy, de Michael Saylor, para que a empresa de inteligência de negócios pudesse comprar mais BTC.

Lane disse que a plataforma de empréstimos foi construída com o reconhecimento de que viria com volatilidade, e que a recente derrocada das criptos foi um bom teste de estresse para o banco mostrar que pode suportar fortes oscilações.

Segundo ele, alguns credores que tiveram problemas recentemente incluem aqueles que oferecem aos clientes empréstimos não garantidos ou com garantias insuficientes, enquanto a Silvergate exige garantias excessivas.

Isso porque se os ventos contrários do mercado persistirem, um mutuário pode pagar seu empréstimo, prometer mais Bitcoin ou o banco Silvergate pode tomar a decisão de liquidar algum BTC em seu nome, se necessário.

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