Casas Bahia (BHIA3): ação tem trégua e sobe quase 9% na B3 após queda de 24% em quatro pregões

Cautela segue sendo palavra de ordem para analistas que acompanham os ativos da varejista

Lara Rizério

Megastore das Casas Bahia (Divulgação)

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Os papéis deixaram de ser penny stocks, mas a volatilidade intrínseca a de ativos que valem centavos permanece. Após sessões de forte queda, as ações do grupo Casas Bahia (BHIA3) registraram uma sessão de disparada, ainda que longe das máximas do dia; nesta quarta, os ativos saltaram 8,86%, a R$ 10,94, após terem a chegado a saltar 14,43% (R$ 11,50) mais cedo.

Alguns fatores levaram a essa disparada dos ativos.

Em primeiro lugar, os papéis experimentaram uma trégua após recuar nas quatro sessões anteriores, acumulando no período um declínio de cerca de 24%. No acumulado de 2023, a baixa é de cerca de 79%.

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As ações, por sinal, caíram mais de 10% na última sexta (15), na primeira sessão pós-grupamento dos ativos, operação que foi feita para que a varejista seguisse no Ibovespa, mas que também deu “mais espaço para os ativos caírem”.

Assim, após diversas baixas, os papéis têm uma trégua e registram uma sessão de ajuste de preços, aponta Gabriel Bassotto, analista-chefe de ações do Simpla Club.

Porém, há fatores de alívio recente para os papéis. Além de BHIA3 figurar na segunda prévia do Ibovespa, divulgada nesta semana, a varejista teve uma vitória diante de uma possível antecipação de dívidas (que não ocorreu).

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Em fato relevante divulgado na noite de segunda-feira (18), a companhia informou que Assembleia de titulares de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) da Casas Bahia recusou antecipar vencimento de títulos de dívidas (debêntures) da empresa pela segunda vez no ano.

No final de novembro, o S&P Rating havia rebaixado o rating das 1ª, 2ª e 3ª séries da 20ª emissão de certificados de recebíveis imobiliários da Opea Securitizadora, que são lastreados na 8ª emissão de debêntures, de A- para BBB-. Com isso, foi acionado um novo gatilho para que os titulares dos títulos pudessem pedir antecipação das dívidas.

Contudo, os investidores decidiram não declarar o vencimento antecipado dos títulos.
Em contrapartida, o grupo varejista terá que pagar um prêmio flat equivalente a 0,1% sobre o saldo do valor dos títulos acrescido de uma remuneração que será calculada considerando a última data de pagamento da remuneração até o dia do pagamento do prêmio.

“Caso a antecipação acontecesse, poderia acionar o covenant de outras debêntures da companhia, culminando em um evento letal”, ressaltou a Genial na ocasião.

Assim, avalia Bassotto, a companhia teve um alívio financeiro. “Ela hoje tem operado no prejuízo, tem queimado caixa, então se tivesse ainda que se preocupar com a antecipação de novas dívidas, haveria preocupação maior com sua liquidez e solvência”, ressalta.

O analista pondera ao lembrar que “obviamente o problema não foi resolvido, a companhia ainda continua muito endividada” e quanto mais conseguir rolar essas dívidas ou pelo menos evitar a antecipação dos seus vencimentos, será melhor para ela.

Por conta disso, apesar do alívio, analistas seguem cautelosos com o ativo BHIA3. Logo após o grupamento, a XP reiterou recomendação neutra e preço-alvo de R$ 17,7/ação, uma vez que vê desafios a serem enfrentados pela companhia como i) ambiente competitivo acirrado; ii) taxas de juros ainda elevadas e poder de compra comprimido; e iii) riscos de execução no plano de transformação da companhia.

De 12 casas que cobrem o papel BHIA3, segundo compilação LSEG, 8 recomendam manutenção e 4 recomendam venda.

Em novembro, logo após o resultado do terceiro trimestre de 2023, o BB Investimentos cortou a recomendação dos papéis para venda.

O banco destacou na ocasião que as ações BHIA3 seguiam em um movimento de queda livre desde meados do 2S22, em um contexto de incertezas quanto à capacidade da companhia em resolver seus problemas internos e voltar a crescer com rentabilidade.

Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.