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Bolsas mundias recuam no último pregão do primeiro semestre; inflação nos EUA, RTI no Brasil e mais assuntos do mercado hoje

Noticiário é movimentado, com investidores também à espera de dados de emprego e monitorando votação pelo Senado da PEC dos combustíveis

Por  Felipe Moreira -

Os índices futuros de Nova York e bolsas europeias operam em baixa, mesma direção de fechamento dos mercados asiáticos, com exceção de índice Shangai, antes da divulgação do PCE (índice de preços de gastos com consumo) de maio nos EUA, a inflação usada pelo Fomc para as decisões de política monetária.

As baixas desta quinta-feira (30) ocorrem pela falta de perspectiva de que a guerra na Ucrânia termine tão cedo e a visão de  que as pressões inflacionárias provavelmente continuem a crescer. Com os bancos centrais procurando combater agressivamente o aumento dos preços com elevações nas taxas de juros, há temores crescentes de uma recessão global.

Na quarta-feira (29), a presidente do Fed de Cleveland, Loretta Mester, disse à CNBC que apoiará um aumento de 75 pontos base na próxima reunião do banco central em julho, se as condições econômicas atuais persistirem. No início de junho, o BC americano elevou sua taxa básica de juros em 75 pontos-base, o maior aumento desde 1994 .

Alguns participantes do mercado estão preocupados que uma ação muito agressiva leve a economia a uma recessão.

Em indicadores, os pedidos semanais de seguro-desemprego nos EUA também estarão em foco nesta quinta-feira.

Por aqui, o Banco Central divulga o relatório trimestral de inflação (RTI), o IBGE divulga a taxa de desemprego da Pnad Contínua, enquanto o Senado vota a PEC dos Combustíveis. Na véspera, o Ibovespa fechou em queda e arrisca ter o pior desempenho mensal desde os primeiros momentos da pandemia no país, em meio a temores de recessão nos Estados Unidos e preocupações com o cenário fiscal no Brasil.

Nesta quinta-feira, também é promovido o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a construção, operação e manutenção de 5,4 mil quilômetros de linhas de transmissão e de 6,2 mil mega-volt-ampères (MVA) em capacidade de transformação de subestações.

A previsão é de investimentos da ordem de R$ 15,3 bilhões e geração de mais de 30 mil empregos diretos, segundo a agência reguladora. As instalações deverão entrar em operação no prazo de 42 a 60 meses a partir da assinatura dos contratos de concessão, que têm validade de 30 anos.

Confira mais destaques:

1. Bolsas Mundiais

Estados Unidos

Os índices futuros dos EUA operam em baixa nesta quinta-feira (30), com o S&P 500 se preparando para encerrar seu pior primeiro semestre desde 1970, uma vez que diversos fatores pressionam os mercados.

O Dow e o S&P 500 estão a caminho do pior período de três meses desde o primeiro trimestre de 2020, quando os bloqueios do Covid derrubaram as ações. O Nasdaq Composite, pesado em tecnologia, caiu mais de 20% nos últimos três meses, seu pior trecho desde 2008.

O Fed tomou medidas agressivas para tentar reduzir a inflação galopante, que atingiu a máxima de 40 anos, o que leva alguns observadores de Wall Street a se preocuparem com uma possível recessão.

Veja o desempenho dos mercados futuros:

  • Dow Jones Futuro (EUA), -0,84%
  • S&P 500 Futuro (EUA), -1,09%
  • Nasdaq Futuro (EUA), -1,39%

Ásia

A maioria dos mercados asiáticos fecharam com perdas. Contudo, o índice de Shangai, na China, teve alta, impulsionado por dados do governo mostrando que a atividade fabril cresceu em junho.

O PMI industrial da China para junho ficou em 50,2, ligeiramente abaixo dos 50,5 esperados, de acordo com uma pesquisa da Reuters.

Já a produção industrial da Coreia do Sul cresceu levemente em maio, mostraram dados do governo. A produção industrial aumentou 0,1% em relação ao valor de abril. A produção do setor de serviços cresceu 1,1% em maio.

A produção industrial do Japão caiu 7,2% em maio, segundo dados do governo. O número foi muito menor do que o consenso do mercado e pode ter sido afetado por bloqueios na China, escreveu Rob Carnell, chefe regional de pesquisa do ING na Ásia-Pacífico, em nota na quinta-feira.

  • Shanghai SE (China), +1,10%
  • Nikkei (Japão), -1,54%
  • Hang Seng Index (Hong Kong), -0,62%
  • Kospi (Coreia do Sul), -1,91%

Europa

Os principais mercados europeus operam em baixa nesta quinta-feira (30), à medida que as preocupações com a recessão persistem.

O pior desempenho foi a empresa alemã de energia Uniper. Suas ações caíram 14,3% depois que retirou suas perspectivas financeiras para 2022 sobre as restrições de fornecimento de gás da Gazprom. A empresa disse que recebeu apenas 40% dos volumes de gás contratualmente acordados da Gazprom desde 16 de junho, tendo como pano de fundo a guerra na Ucrânia.

Os dados divulgados na Europa nesta quinta-feira incluíram dados preliminares da inflação francesa para junho, que mostraram que o índice de preços ao consumidor do país subiu 5,8% em relação ao ano anterior, ante 5,2% em maio.

  • FTSE 100 (Reino Unido), -1,60%
  • DAX (Alemanha), -2,02%
  • CAC 40 (França), -2,09%
  • FTSE MIB (Itália), -1,84%

Commodities

Os preços do petróleo operam perto da estabilidade, com investidores avaliando as perspectivas com o aperto da oferta global e o aumento nos estoques de gasolina e destilados dos EUA.

  • Petróleo WTI, -0,08%, a US$ 109,69 o barril
  • Petróleo Brent, -0,22%, a US$ 116,01 o barril
  • Minério de ferro negociado na bolsa de Dalian teve baixa de 2,22%, a 791,00 iuanes, o equivalente a US$ 118,22

Bitcoin

  • Bitcoin, -6,49% a US$ 19.227,67 (em relação à cotação de 24 horas atrás)

2. Agenda

Nesta quinta-feira, está previsto o relatório trimestral de inflação (RTI) do Banco Central.

Também será divulgada a Pnad contínua de maio. “Além da taxa de desemprego, será importante ver a evolução dos salários, que registraram recuperação recentemente, ajudando a aumentar a renda disponível para consumo no primeiro trimestre de 2022”, escreveu a equipe de análise do Itaú, que espera que a taxa vá a 10,1%.

Nos EUA, destaque para o PCE de maio, inflação usada pelo Fomc para nortear sua política monetária.

Brasil

7h18: Pesquisa eleitoral ModalMais

8h: Relatório trimestral da inflação (RTI)

9h: Pesquisa PNAD contínua de maio, com projeção Refinitiv de taxa de desemprego a 10,2%

11h30: Paulo Guedes, ministro da Economia, tem reunião com o diretor de Operações e Relações Institucionais do Fundo no Brasil MUBADALA

EUA

9h30: Pedidos de seguro-desemprego semanal, consenso aponta para 228 mil solicitações

9h30: Índice de preços (PCE)

10h45: PMI

3. PEC dos Auxílios

O plenário do Senado Federal adiou, nesta quarta-feira (29), a votação do texto-base da PEC dos Auxílios, que cria benefícios sociais e amplia programas já existentes em resposta à crise provocada pela disparada da inflação e piora dos indicadores sociais no país.

A decisão atendeu a pedido de diversos parlamentares por mais tempo para analisar a matéria após discussões durante a sessão. Com isso, a votação passou para hoje (30), às 16h (horário de Brasília).

O senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), relator da PEC, afirmou que vai tirar do texto um trecho que causou dúvidas sobre o alcance do estado de emergência nacional que é decretado na matéria para viabilizar a concessão de benefícios sociais às vésperas da eleição.

“A não aplicação de qualquer vedação ou restrição prevista em norma de qualquer natureza”, dizia o trecho, criticado pela oposição, que agora deve ser suprimido por Bezerra. A lei eleitoral impede, em situação normal, a ampliação ou adoção de benesses em ano de eleição, mas há exceção em caso de calamidade e emergência.

STF e MEC

A ministra do STF, Cármen Lúcia, enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) mais uma notícia-crime apresentada para que Bolsonaro seja investigado pelo escândalo do Ministério da Educação (MEC) e por suposta obstrução de Justiça. O pedido encaminhado nesta quarta-feira (29) foi apresentado por um grupo de senadores da oposição.

4. Covid

Na última quarta-feira (29), o Brasil registrou 294 mortes e 76.263 casos de covid-19 em 24h, segundo informações do consórcio de veículos de imprensa, às 20h.

A média móvel de mortes por Covid em 7 dias no Brasil ficou em 226, elevação de 52% em comparação com o patamar de 14 dias antes.

A média móvel de novos casos em sete dias foi de 55.549, o que representa alta de 39% em relação ao patamar de 14 dias antes.

Chegou a 167.500.600 o número de pessoas totalmente imunizadas contra a Covid no Brasil, o equivalente a 77,97% da população.

O número de pessoas que tomaram ao menos a primeira dose de vacinas atingiu 179.064.166 pessoas, o que representa 83,35% da população.

A dose de reforço foi aplicada em 94.809.712 pessoas, ou 44,13% da população.

5. Radar Corporativo

Cemig (CMIG4)

A Cemig (CMIG4) aprovou a aquisição de 100% de participação em sociedades de propósito específico (SPEs) detentoras de três usinas fotovoltaicas, com 16,2 MWp de potência instalada. O valor total a ser desembolsado pela subsidiária integral Cemig SIM será de aproximadamente R$100 milhões.

As usinas fotovoltaicas, localizadas em Minas Gerais, são detidas pela Genesys Participação Societária e por Antônio Carlos Torres.

Localiza (RENT3) e Unidas (LCAM3)

A Localiza (RENT3) e a Unidas (LCAM3) informaram a relação de troca final de ações e o valor da combinação de negócios. Segundo comunicado, os acionistas da Unidas receberão para cada ação ordinária de emissão da companhia 0,43884446 ações ON da Localiza.

Suzano (SUZB3)

A Suzano (SUZB3) celebrou contrato para aquisição das ações da Caravelas Florestal por R$ 336 milhões.

A Operação está alinhada à estratégia da Suzano de ser “best-in-class” no custo total de celulose, através da redução do dispêndio na compra de madeira, bem como de garantir base florestal em áreas estratégicas às suas operações no longo prazo.

(Com Estadão, Reuters e Agência Brasil)

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