Visão negativa

BofA rebaixa ações das aéreas Gol e Azul para equivalente à venda

Analistas veem impacto limitado de alta dos ativos e companhias ainda sendo afetadas pela Covid-19

SÃO PAULO – Depois do Credit Suisse revisar as suas projeções para as ações de aéreas, desta vez o Bank of America revisou as suas projeções para as ações de companhias aéreas da América Latina. E as notícias, na visão dos analistas do banco americano, não são positivas para as companhias brasileiras.

Murilo Freiberger e Gustavo Tasso rebaixaram a recomendação para os ADRs (American Depositary Receipts ou, na prática, as ações das companhias negociadas na Bolsa de Nova York) e para as ações negociadas na B3 de neutra para underperform (desempenho abaixo da média do mercado) da Azul (AZUL4) e da Gol (GOLL4). O preço-alvo para a ação da Azul negociada na B3 é de R$ 36 (potencial de alta de 2,5% frente o último fechamento) e de US$ 20,80 para o ADR. No caso da Gol, o preço-alvo é de R$ 21 para GOLL4 (potencial de alta de 9% frente o último fechamento) e de US$ 8,10 para o ADR.

Murilo Freiberger e Gustavo Tasso destacam que as duas companhias fizeram um “trabalho impressionante no ajuste das operações, na negociação dos passivos e na sustentação da liquidez”.

Porém, a avaliação dos analistas é de que haja um potencial limitado para a alta dos ativos, levando em conta o valuation atual dos papéis. Além disso, os efeitos da Covid-19 devem seguir sendo sentidos, com impacto no fluxo de caixa.

“Ainda vemos uma ‘conta Covid’ considerável a ser paga, com os passivos de ambas elevando por volta de US$ 5 bilhões frente os níveis pré-pandemia”, apontam. Eles avaliam ainda que a recente dinâmica mais positiva para o capital de giro tem apresentado deterioração.

O Bank of America avalia ainda que, considerando as normas financeiras internacionais (IFRS), o total de passivos de Gol e Azul pode estar sendo subestimado pelos investidores, o que explica também a postura mais pessimista.

Os analistas apontam dois pontos para isso: i) as regras de renegociação de dívidas, fazendo a Azul usar uma taxa de desconto maior para os passivos de aluguel de aeronaves e ii) a duração do leasing com a idade maior da frota de aviões da Gol levando a uma diminuição do volume do passivo. Caso esses números fossem ajustados, os múltiplos de endividamento seriam de 20% a 30% maiores, apontam.

Apesar do rebaixamento, o dia é de alta para as ações das aéreas, em um dia positivo para a Bolsa brasileira. Às 12h50 (horário de Brasília), os ativos AZUL4 subiam 2,95%, a R$ 35,95, enquanto GOLL4 avançava 3,83%, a R$ 19,77.

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