Binance tem reservas líquidas e não deverá ser próxima FTX, diz casa de análise

A CryptoQuant usou dados em blockchain para confirmar as reservas da maior exchange cripto do mercado

CoinDesk

Changpeng "CZ" Zhao, CEO da Binance (Antonio Masiello/Getty Images)
Changpeng "CZ" Zhao, CEO da Binance (Antonio Masiello/Getty Images)

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A Binance, a maior exchange de criptomoedas por volume negociado, não será a próxima FTX, de acordo com um relatório divulgado pela plataforma de análise de dados CryptoQuant. A empresa, baseada em em Seul, cita dados on-chain (da blockchain) para dar respaldo a uma auditoria recente que diz que as reservas de criptomoedas da Binance estão garantidas.

“Na época em que o relatório de prova de reservas (espécie de diagrama com saldos dos clientes) da Binance foi conduzido, a estimativa da CryptoQuant das reservas de Bitcoin (BTC) da exchange (passivos) era de 591.939 BTC. Isso se compara ao saldo do relatório de responsabilidade do cliente da empresa, que mostrava 597.602 BTC. Podemos ver que os dados da CryptoQuant cobriram 99% dos passivos da Binance”, escreveu a firma. A garantia, portanto, é de 101% ao levar em conta os ativos e passivos da corretora, disse.

A Binance não está experimentando o mesmo volume de saídas que a FTX teve nos dias anteriores ao seu colapso, escreveu a CryptoQuant, citando dados consultados em blockchain. Embora os saques tenham aumentado, eles são pequenos em comparação com as reservas gerais da corretora. Na quarta-feira (14), o CEO da Binance, Changpeng “CZ” Zhao, disse que os próximos meses serão turbulentos, mas que a empresa está preparada para superar esse “período desafiador”.

Viva do lucro de grandes empresas

As reservas de Bitcoin da Binance aumentaram 4% desde o colapso da FTX, escreveu a CryptoQuant. Já as reservas de Ethereum (ETH) e stablecoins caíram 6% e 15%, respectivamente.

A CryptoQuant apontou também que a Binance difere da FTX e de sua empresa-irmã, Alameda Research, porque suas reservas são “limpas” – em outras palavras, a empresa não depende de seu token nativo, o BNB.

A CryptoQuant diz que 88,95% das reservas da Binance estão limpas. Para efeito de comparação, a Huobi tem 56%,  a Bitfinex 66,5%, a Kucoin 81,64%, Crypto.com 97% e a OKX 100%.

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Dados de plataforma Nansen fixam as reservas totais da Binance em US$ 57,4 bilhões, contra US$ 3,04 bilhões da Huobi, US$ 2,47 bilhões da Kucoin, US$ 3,36 bilhões da Crypto.com e US$ 6,67 bilhões da OKX. A Nansen não tem dados sobre a Bitfinex.

O que deu início à crise de liquidez da FTX, que acabou levando a empresa à falência, foi uma reportagem do CoinDesk que mostrou que o balanço patrimonial da Alameda era composto amplamente por ativos ilíquidos, principalmente o token nativo da corretora, o FTT.

Assista: Veja o momento da prisão de Sam Bankman-Fried, fundador da FTX

Confie na blockchain

Embora tenha havido dúvidas sobre a saúde financeira da Binance, o head de marketing da CryptoQuant, Hochan Chung, diz a que disponibilidade de dados em blockchain corrobora as alegações da empresa, mesmo que não se confie no relatório publicado pela corretora.

“O comprovante de reserva fornece dados em tempo real, transparentes e não manipulados, o que é inédito na história do mercado financeiro. Os dados são auto-auditados por meio da tecnologia blockchain”, disse ele em uma mensagem no Telegram.

O que os dados on-chain não podem explicar é o controle corporativo. A FTX era conhecida por gastar muito com regalias de funcionários, como apartamentos de luxo.

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“Nunca em minha carreira vi uma falha tão completa de controles corporativos e uma ausência tão completa de informações financeiras confiáveis ​​como ocorreu aqui”, disse o novo CEO da FTX, John J. Ray III, nos autos do processo de falência da empresa nos EUA.

“Desde integridade de sistemas comprometidos e supervisão regulatória defeituosa no exterior até a concentração de controle nas mãos de um grupo muito pequeno de indivíduos inexperientes, não sofisticados e potencialmente comprometidos; essa situação é sem precedentes”, falou ele.

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Hal Schroeder, ex-membro do Conselho de Normas de Contabilidade Financeira dos EUA e professor da Rutgers University, disse ao The Wall Street Journal na semana passada que a auditoria apresentada pela Binance não aborda a qualidade dos controles internos da empresa.

“À luz do que vimos nas Bahamas, não quero concluir que todos os sistemas sejam tão bons”, disse ele.

O diretor de estratégia da Binance, Patrick Hillmann, tuitou recentemente que a política de custeio de viagens da empresa é mais austera do que na FTX.

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“A Binance literalmente me reservou um quarto no hotel Citadines (US$ 83 por noite) na última vez que viajei para nosso escritório em Paris. Sinal de uma empresa fundada durante um ciclo de baixa. Não há mansões, mas tenho um trabalho divertido sem medo de a empresa ser mal administrada”, disse.

O token BNB, da Binance, caiu quase 3% nas últimas 24 horas, mostram dados do CoinDesk, e é negociado a US$ 265 na manhã desta quinta-feira (15).

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