Bancos poderão usar stablecoins para contornar risco de crédito trazido por real digital, diz coordenador do BC

Segundo Fábio Araújo, coordenador do real digital no BC, bancos poderão tokenizar depósitos para garantir liquidez para empréstimos

Paulo Barros

Edifício-sede do BC,  em Brasília. Autonomia financeira mudaria radicalmente a estrutura da autarquia (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Edifício-sede do BC, em Brasília. Autonomia financeira mudaria radicalmente a estrutura da autarquia (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

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Bancos brasileiros poderão emitir stablecoins para reduzir o risco de faltar dinheiro para executar operações de crédito com a chegada do real digital, disse Fábio Araújo, coordenador do projeto junto ao Banco Central, em evento promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) na tarde desta quarta-feira (10). Stablecoins são ativos digitais que têm paridade com outro ativo – neste caso, com o real.

Segundo Araújo, há a preocupação de que o lançamento do real digital traga um problema de desintermediação financeira que pode afetar o crédito no país. Isso porque a moeda digital de banco central (CBDC) será um passivo do BC (assim como a cédula em papel), e não dos bancos, como acontece com o dinheiro eletrônico usado hoje por instituições para fornecer empréstimos. O problema seria resolvido com a emissão de moedas digitais bancárias.

“Para se contrapor a esse cenário, o que o Banco Central tem em mente é que se possa tokenizar os depósitos bancários em uma wallet (carteira digital) custodiada pelo banco, em um passivo novamente do banco. Então você poderia usar uma CBDC, que é um passivo Banco Central, ou uma stablecoin que é um passivo do banco”, explicou.

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O mecanismo seria uma solução para garantir que não falte liquidez para crédito na economia se os depósitos bancários convencionais de hoje forem um dia totalmente substituídos pelo real digital – as duas versões da moeda irão coexistir. Ao mesmo tempo, a medida mantém o papel de intermediação das instituições financeiras.

“Apesar de haver a preocupação com o fornecimento de crédito em um ambiente onde a CBDC possa ser um ativo dominante, com a possibilidade de bancos oferecerem serviços com base nas stablecoins deles, isso não vai se concretizar”, comentou Araújo. “Você vai poder reproduzir as relações de hoje em um ambiente tecnológico diferente, mais flexível e mais eficiente”.

Segundo o representante do Banco Central, bancos privados serão obrigados a oferecer o real digital, mas poderão usar suas stablecoins para seguir atraindo depósitos bancários.

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Uma alternativa comum apontada para o problema de falta de liquidez para crédito é a adoção de uma CBDC de atacado, que opera apenas entre instituições financeiras. No entanto, disse o coordenador do real digital, o desejo do Banco Central é de fato criar uma CBDC de varejo, acessível para o usuário final.

“A gente quer que as pessoas possam usar smart contracts“, ressaltou o economista. Ele conta que fluxos financeiros que hoje custam caro, como o de entrega contra pagamento, poderão ter o custo reduzido para virtualmente zero com o uso de contratos inteligentes.

“Hoje você precisa de um custodiante para receber o ativo, e de um acreditado para receber o dinheiro. Não vou conseguir fazer isso com um ativo de baixo custo. Através de um contrato inteligente, posso fazer sem custo nenhum”.

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Os testes públicos do real digital estão previstos para começar em 2023.

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Paulo Barros

Editor de Investimentos