B3 prepara stablecoin própria em 2026 para viabilizar funcionamento 24 horas por dia

Bolsa prevê integração entre infraestrutura tradicional e tokenizada, e deve oferecer seu criptoativo ao varejo; novos derivativos de Bitcoin e HASH11 também estão nos planos

Paulo Barros Camille Bocanegra

Ativos mencionados na matéria

(Imagem: Divulgação B3)
(Imagem: Divulgação B3)

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Os criptoativos estão prestes a ganhar o coração da Bolsa brasileira. Com a pausa do Drex, a B3 planeja lançar em 2026 uma stablecoin própria, como parte de uma ampla reformulação de sua infraestrutura de depositária, para viabilizar a tokenização de ativos e, no futuro, o funcionamento 24 horas por dia, sete dias por semana.

Durante o Investor Day realizado na terça-feira (17) em São Paulo, a companha explicou que sua stablecoin terá papel central na distribuição e liquidação de ativos tokenizados, permitindo transações seguras tanto em redes privadas quanto públicas. O objetivo é suprir lacunas deixadas pelo Drex e destravar o novo ecossistema digital da bolsa.

“Acreditamos que o stablecoin poderá responder à demanda por um ativo seguro, para negociação 24/7”, afirmou Luiz Masagão, VP de produtos e clientes da B3.

Oportunidade com segurança!

Stablecoins são criptoativos lastreados em moeda fiduciária. Uma stablecoin de dólar vale US$ 1, e uma de real vale R$ 1. O plano da B3 é disponibilizar sua stablecoin para compra e venda no varejo, e disponilizá-la tanto em uma rede da empresa quando em blockchains públicas, como Ethereum e Solana.

A estratégia inclui o lançamento de uma depositária tokenizada em 2026, que operará de forma paralela aos sistemas tradicionais, com liquidez compartilhada e possibilidade de escolha, pelos participantes, entre liquidação convencional ou tokenizada.

A nova arquitetura deve permitir reconciliação quase em tempo real e recursos programáveis, como contratos inteligentes. Entre os usos previstos estão a negociação fora do horário regular e, no futuro, um modelo potencial de operação 24 horas por dia, sete dias por semana.

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Para o UBS BB, o ativo digital será relevante para conectar a depositária tokenizada aos trilhos tradicionais, “apoiando a fungibilidade das transações e a possibilidade de negociação contínua”.

Já o JPMorgan destaca que a stablecoin da B3 é um marco para sustentar um ecossistema totalmente tokenizado, com casos de uso como propriedade fracionada e operações fora do horário padrão.

A B3 afirma que a eliminação da necessidade de clearing em operações menores e o foco em liquidez e formação de preços preparam a infraestrutura para volumes maiores e ganhos de eficiência, ao mesmo tempo em que abrem espaço para novos modelos de negócio no médio prazo.

Novos derivativos de criptoativos

Para além da stablecoin, a B3 apresentou um plano de lançamento de diversos novos derivativos de criptoativos para 2026, incluindo futuros e opções de Bitcoin (BTC) em dólar, e do HASH11, ETF de criptomoedas que é o segundo da Bolsa.

A companhia prepara ainda novas opções semanais de Ethereum (ETH) e Solana (SOL), além de contratos de eventos financeiros ligados aos preços de BTC, ETH e SOL.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)