Companhias Aéreas

Azul: ações caem 32%, mas companhia se diz preparada para lidar com Coronavírus

Apesar de minimizar as preocupações, a Azul informou que está negociando com bancos e fornecedores uma flexibilidade de caixa

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SÃO PAULO – Ao realizar a teleconferência sobre os seus resultados de 2019 nesta quinta-feira (12), a Azul passou a maior parte do tempo acalmando os analistas e minimizando os impactos que o Coronavírus deve ter em suas operações. Mesmo assim, com a derrocada generalizada da Bolsa, as ações (AZUL4) fecharam o pregão com perdas de 32,9%.

“Sabemos que o Coronavírus está se espalhando no Brasil, mas não esperamos que o impacto por aqui seja tão forte quanto o visto na Europa e nos Estados Unidos”, afirmou o presidente da companhia John Rodgerson.

Para reduzir sua exposição à pandemia, a Azul anunciou a redução de cerca de 20 a 30% de sua oferta de voos no mercado internacional. No caso dos voos domésticos, a companhia informou que fará ajustes conforme a demanda.

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“Tivemos uma queda na demanda internacional, por conta do Coronavírus e também da alta do dólar. Mas, por enquanto, não houve uma onda de cancelamentos nos voos domésticos. Estamos monitorando a situação”, informou Abhi Manoj Shah, diretor vice-presidente de receitas da Azul na teleconferência.

O surto de Covid-19 atinge a companhia no momento em que ela reporta um Ebitda recorde, de R$ 3,6 bilhões, em 2019. A receita totalizou R$ 11,44 bilhões (alta de 26,3% no ano). A alavancagem, mensurada pela relação de dívida líquida sob Ebitda, fechou o ano em 3,3 vezes, ante 3 vezes no ano anterior.

“Com o Brasil ainda crescendo lentamente, a empresa conseguiu registrar um forte crescimento com maior rentabilidade. Infelizmente, não é hora de olhar para o passado, mas para o impacto do coronavírus no setor de aviação e como a empresa está preparada para enfrentar isso”, afirmaram analistas do Itaú BBA em relatório.

“Coronavírus é algo pontual. Já enfrentamos crises anteriores e sabemos que é algo temporário”, disse David Neeleman, presidente do conselho de administração da Azul.

O caixa está preparado

Apesar de minimizar os impactos da pandemia, a Azul informou que está negociando com bancos e fornecedores uma flexibilidade de caixa para estar preparada caso a crise provocada pelo Coronavírus se agrave.

“Temos R$ 1,6 bilhão em caixa sem restrições”, disse o presidente na teleconferência.

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Rodgerson informou que, com base nos recebíveis de cartão de crédito que possui, a Azul consegue negociar um empréstimo de até R$ 3,5 bilhões. “Não precisamos desses R$ 3,5 bilhões no momento, mas caso seja necessário, conseguimos ter acesso a esse montante”, informou.

Ainda segundo Rodgerson, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também está flexibilizando as regras para controle e concessão dos horários de pousos e decolagens (“slots”) por conta da pandemia. Segundo ele, a Anac vai suspender até 30 de junho deste ano a exigência de que as empresas mantenham um índice de voos em atraso do cancelados abaixo de 20%.

Além da queda com a receita de passagens aéreas, a Azul pode ter seus números impactados negativamente pela alta do dólar. Além dos custos com combustível, a manutenção, arrendamento e seguro de aeronaves são em moeda americana e representam aproximadamente 50% dos custos de uma empresa aérea.

A companhia estava preparada para um possível alta do petróleo, prova disso é que possui hedge de cerca de 70% de todo o combustível que deve utilizar nos próximos 12 meses (segundo informou seu presidente). Apesar da queda recente no petróleo, o querosene ainda não teve forte baixa e o dólar disparou. Como a Azul não possui nenhum hedge para a variação cambial, a combinação de queda do petróleo e alta do dólar por enquanto é negativa para a companhia.

Companhias aéreas afetadas

A Azul não é a única companhia aérea com ações em queda. Os papéis da Gol (GOLL4) fecharam a quinta-feira com perdas de 33,8%. Negociadas na Bolsa de Nova York, as ações da Latam caíram 18%.

Em 2019, a Latam teve 69,3% de participação de mercado nos voos internacionais a partir do Brasil. A Azul ficou em segundo, com 16,6%, seguida pela Gol, com 12,6%, dos voos para outros países, segundo dados da Anac.