Ainda há oportunidades

As ações preferidas de três gestores para investir – mesmo que o melhor já tenha passado na Bolsa

Apesar de otimistas, gestores disseram em evento do Credit Suisse que momento agora requer maior atenção para escolher as melhores ações

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(Shutterstock)
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SÃO PAULO – O impacto da tecnologia e as transformações causadas por ela no mundo são os principais temas para ações, não só no exterior, onde o setor tem liderado os ganhos nas bolsas, mas também no Brasil.

Esta é a avaliação do gestor Carlos Eduardo Rocha, fundador da Occam Brasil Gestão de Recursos, que participou do painel “Como surfar o bull market no Brasil” em evento promovido pelo Credit Suisse em São Paulo na tarde da última terça-feira (29).

Segundo ele, nesta questão da tecnologia o valuation das empresas brasileiras não está descolado do resto do mundo, mas mesmo assim atualmente a gestora tem focado seu investimento no exterior. Por outro lado, ele se disse otimista com Brasil, apontando que o país está nos primeiros estágios de recuperação, com espaço para ganhos.

Questionado sobre as posições em ações da gestora, Rocha apontou cinco cases de investimento, mas voltou a destacar o setor de tecnologia, citando o Magazine Luiza (MGLU3), em que tem posição “há bastante tempo”, lembrando o diferencial da varejista no e-commerce. Nesta área, ele ainda citou o Banco Inter (BIDI11), em que ele investe desde o IPO.

O gestor citou ainda o setor de consumo, apontando os papéis de Lojas Renner (LREN3) e Via Varejo (VVAR3), além de Hapvida (HAPV3) e Intermédica (GNDI3), que devem se beneficiar com o envelhecimento da população.

Outros três cases que Rocha destacou foram concessões, privatizações e financeiro não-bancário. Entre as ações nestas áreas, ele falou em Rumo (RAIL3), Eletrobras (ELET3), B3 (B2SA3) e IRB Brasil (IRBR3).

Participando do mesmo painel, Leonardo Linhares, sócio da SPX, evitou falar em ações específicas, mas afirmou que as ações da Eletrobras ficaram interessantes já que “ficaram para trás” e a empresa deve ser privatizada. Ele falou ainda que os papéis da B3 já “precificaram demais” a competição.

Já para Cassio Bruno, fundador e gestor da Moat Capital, o destaque fica para as “large caps” e empresas que estão ligadas ao case de crescimento do País. Entre as ações, ele apontou para Via Varejo, B2W (BTOW3) e Lojas Americanas (LAME4), além de gostar também de Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e bancos.

Cenário otimista, mas melhor já ficou para trás

Sobre o cenário atual, os três gestores se mostraram otimistas com o Brasil, apesar do momento ser diferente do que se viu principalmente no ano passado. Para Bruno, nos últimos anos havia uma mentalidade de “compra qualquer coisa [ação] que vai subir”, mas isso está mudando.

“Isso não vale mais para a Bolsa toda”, avaliou ele dizendo que o mercado brasileiro ainda está barato, mas que na hora de analisar setores e ações específicas o momento é de maior cuidado para escolher as melhores oportunidades.

Já Rocha citou ainda a questão da entrada do estrangeiro, que mesmo com os recentes recordes do Ibovespa, segue longe do País. “Fluxo estrangeiro não vem ainda porque o Brasil não tem beta ainda […] falta o crescimento se comprovar”, afirmou, ressaltando que hoje este fluxo vai para emergentes na Ásia.

Linhares complementou: “talvez o melhor já passou”. Para ele, o Brasil é o mercado mais caro do mundo hoje, mas nem por isso não haverá crescimento e não existem oportunidades na Bolsa. “Até onde iremos crescer, ninguém sabe”, disse.

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