Na mira do jacaré

Aproveitando desconto e bons fundamentos, Barsi faz novas compras de ações da Klabin

Companhia deve pagar dividendos de até R$ 0,36 por ação no dia 11 de agosto

Por  Katherine Rivas

Uma ação do setor de papel e celulose voltou a atrair o olhar de um dos maiores investidores da Bolsa, Luiz Barsi Filho, que aproveitou a queda recente do papel para ir às compras, aparentemente ontem, como anunciando pela sua filha Louise Barsi em redes sociais, uma ação que “Barsi estaria comprando a rodo” na quarta-feira (27).

A escolha do investidor, que recebeu R$ 1 milhão em dividendos por dia referentes a 2021 da sua carteira previdenciária, é por uma velha conhecida, que inclusive é uma das maiores posições do “Rei dos Dividendos”.

Se trata da Klabin, que em 2022, acumula queda de 20,49% nas ações KLBN4 e 21,96% nas ações KLBN11 até o fechamento de dia 27 de julho, segundo dados da Comdinheiro. Nesta quarta-feira (27), as ações subiram 5,47%, repercutindo os bons resultados do balanço trimestral, mas não o suficiente para apagar as quedas do ano.

A informação de novos aportes pelo megainvestidor na Klabin foi revelada por Louise Barsi em um grupo de assinantes do AGF+ (Ações Garantem o Futuro), plataforma educacional que sistematiza os conceitos utilizados por Luiz Barsi, para gerar renda passiva.

Segundo publicação de Louise, ‘Klabin estaria voltando a semear bons dividendos’, motivo pelo qual o ‘papel teria sido alvo de novas compras para a carteira do Luiz Barsi’ e também estaria no radar para integrar novamente a carteira da economista e sócio-fundadora do AGF+.

Como justificativa da compra, Louise lembrou que a Klabin cresceu em 2020 a sua ‘fatia de receitas geradas pela exportação de celulose’, movimento que trouxe uma volatilidade ao lucro líquido da companhia, por conta da variação cambial.

“Esse efeito culminou, em muitos prejuízos contábeis em 2020, suficiente para tornar a conta de prejuízos acumulados bem negativa no Patrimônio Líquido”, apontou ela no comentário.

Segundo a economista, embora a Klabin gerasse fluxo de caixa suficiente para pagar bons dividendos, a empresa não poderia fazer isso por conta do motivo contábil, razão pela qual em 2021 a empresa não pagou bons proventos aos seus investidores.

Louise destacou ainda que no meio de 2021, a Klabin aprovou uma política de hedge (proteção) que anularia os efeitos contábeis da variação cambial e permitiria que aquela conta no patrimônio líquido fosse zerada. “Quase um ano depois, Klabin cumpriu o que prometeu e finalmente parece que conseguirá pagar bons dividendos trimestrais com consistência”, apontou Louise na plataforma.

Atualmente a política de dividendos da Klabin, publicada no site de relações com investidores da empresa, estabelece que o valor total de dividendos ou juros sobre capital próprio corresponde a um percentual alvo entre 15% e 25% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês).

Na sequência do resultado, a companhia anunciou o pagamento de dividendos intermediários no valor de R$ 399 milhões, correspondente a R$ 0,07251721508 por ação ordinária e preferencial, e a R$ 0,36258607540 por unit.

O pagamento dos dividendos será realizado no dia 11 de agosto de 2022, com data de corte na próxima segunda-feira (1). Este é o terceiro trimestre consecutivo que a Klabin consegue honrar o seu compromisso de remunerar os acionistas.

A Klabin divulgou seus resultados na manhã da última quarta-feira, com lucro líquido de R$ 972 milhões no segundo trimestre de 2022 (2T22), cifra 35% superior ao reportado em igual etapa de 2021.

O Ebitda ajustado cresceu 11% no 2T22, totalizando R$ 1,990 bilhão. Já a margem Ebitda (Ebitda sobre receita líquida) ajustada atingiu 39% entre abril e junho, baixa de 5 pontos percentuais (p.p.) frente a margem registrada em 2T21.

Os números foram acima do esperado. O consenso Refinitiv projetava lucro de R$ 302 milhões, queda de 58% frente o 2T21, projeção de Ebitda de R$ 1,8 bilhão e de alta de 17% na base anual.

Ainda segundo informado por Louise no comentário, a “celulose se encontra no seu pico histórico e algumas correções podem ser esperadas daqui em diante”. Com isso, em um cenário altamente imprevisível, Luiz Barsi Filho estaria recomeçando as ‘recompras neste momento e aos poucos’.

De acordo com as projeções da plataforma AGF+, em um cenário favorável para a companhia, o dividendo projetado em 2022 para a Klabin seria de R$ 0,24 por ação, o que daria lugar a um preço teto de R$ 4 para KLBN4 e R$ 20 para KLBN11.

Já precificando um cenário de queda da commodity e observando um dividendo menor de R$ 0,20 ao ano, o preço-teto estabelecido pela plataforma é de R$ 3,33 para KLBN4 e R$ 16,66 para KLBN11.

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A economista lembrou ainda que as ações unit KLBN11 possuem maior liquidez e são boas opções para quem procura além do dividendo, por aluguel de ações e operações com dividendos sintéticos. Já as ações KLBN4, de menor preço, seriam mais interessantes para investidores que conseguem comprar papéis da Klabin apenas no fracionário.

Procurados pelo InfoMoney, para comentar sobre o motivo da compra, Louise preferiu não dar detalhes e disse apenas que “periodicamente ela e Luiz Barsi estão acompanhando os papéis da carteira deles”.

Após os bons resultados, a Klabin KLBN11 está no radar de algumas casas. A XP tem recomendação de compra para as units, com preço-alvo em R$ 31,20. Enquanto o Itaú BBA, também recomenda o ativo com preço-alvo de R$ 29 até o fim de 2022

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