Perspectiva para as ações

Após salto da Embraer (EMBR3) e forte queda da Americanas (AMER3) em 2021, o que esperar para 2022? Veja as projeções da XP

Analistas da casa reiteram recomendação de compra para ação da Embraer, enquanto possuem recomendação neutra para Americanas

Por  Equipe InfoMoney -

Depois de um 2021 bastante desafiador, com queda de 11,92% do Ibovespa, o que esperar de alguns dos maiores destaques de baixa, mas também de alta do índice? Em diferentes relatórios, os analistas da XP destacaram suas projeções para Embraer (EMBR3), que foi destaque positivo no ano passado, e para Americanas (AMER3), que teve forte queda no mesmo período.

Maior alta do Ibovespa em 2021, com ganhos de 180%, a Embraer teve a recomendação de compra reiterada pela XP, com preço-alvo de R$ 27,30, configurando potencial de alta de 29% em relação ao fechamento de quarta-feira (5).

O analista Lucas Laghi destaca as iniciativas inovadoras da Embraer como a Eve, além de boa sustentação do segmento de aviação executiva no curto prazo.

Cabe ressaltar que a retomada gradual da economia teve boa participação na grande valorização das ações em 2021. Com as restrições da pandemia arrefecendo, e o setor aéreo progressivamente apresentando retomada, as ações passaram a refletir esse maior otimismo com a retomada da indústria, apontou o analista.

A XP ressalta que, mesmo após a alta expressiva no ano passado, a empresa se mostra descontada em importantes índices fundamentalistas, reforçando o bom potencial de crescimento.

Em relação a valuation, a Embraer está negociando a 9,2 vezes a relação entre o valor da empresa sobre o Ebitda (EV/Ebitda) esperado para 2022, com seu prêmio de múltiplo versus a média histórica de 7,5 vezes suportado pelo potencial da sua plataforma de eVTOL, ou os “carros elétricos voadores” (especialmente após o anúncio recente de abertura de capital da unidade produtiva).

A companhia encerrou 2021 com chave de ouro ao anunciar a fusão da Eve, sua subsidiária voltada para a mobilidade urbana e aposta em um novo segmento da companhia, com a empresa de aquisição de propósito específico (SPAC) Zanite Acquisition, avaliando a Eve a um valor implícito de US$ 2,4 bilhões. A cifra é 20% acima do noticiado em junho, quando as negociações se tornaram públicas, enquanto o valor patrimonial é de US$ 2,9 bilhões.

“Além disso, ao excluir a participação acionária da Embraer na Eve de US$ 2,4 bilhões, os negócios tradicionais da empresa estão sendo negociados a 4,5 vezes a relação entre o EV/Ebitda, o que considera excessivamente barato (implicando em maior potencial de valorização à medida que seu segmento de aviação comercial continua a se recuperar)”, aponta o analista.

Americanas: há motivo para otimismo após a forte queda de 2021?

Já entre as maiores quedas de 2021 – mais precisamente a quarta maior baixa do Ibovespa- estiveram os ativos da Americanas, com desvalorização de cerca de 58%, em linha com outras companhias de e-commerce.

A queda é atribuída tanto ao cenário macroeconômico mais complicado – os analistas da XP ressaltam que a  combinação de inflação e taxas de juros em alta fragiliza o poder de compra dos consumidores, bem como a capacidade das empresas em repassar aumentos de preços dos produtos -, quanto por conta da concorrência. A projeção de Gustavo Senday e Thiago Suedt é que o ambiente continue desafiador em 2022.

Com a fusão entre B2W e Lojas Americanas, a companhia se consolidou como uma das maiores plataformas omnichannel do Brasil, com marcas como Submarino, Americanas.com, Shoptime, Sou Barato e Ame Digital, além de uma rede de mais de 1700 lojas físicas.

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No entanto, a XP avalia que para que esse robusto ecossistema enfrente o aumento da competição no setor e a deterioração macroeconômica, a integração entre os ativos das duas companhias deve ser certeira. Por isso, 2022 deve seguir desafiador para Americanas,  apontam os analistas, que possuem recomendação neutra para os ativos, ainda que com preço-alvo de R$ 45 por papel AMER3, ou potencial de valorização de 57,2% em relação ao fechamento de quarta.

A corretora também diz que o cenário para 2022 permanece desafiador para o segmento de e-commerce como um todo, frente a deterioração macroeconômica e aumento da concorrência do segmento. Dito isso, espera que a Americanas continue a trabalhar na integração das operações físicas e digitais, e em novas verticais de crescimento e inovação, como a Ame Digital, Hortifruti Natural da Terra, Grupo Único e possíveis novas aquisições (M&A).

Senday e Suedt têm preferência por nomes ligados ao varejo de alta renda, como Arezzo (ARZZ3), Grupo Soma (SOMA3) e Vivara (VIVA3), e a nomes mais resilientes, como Assai (ASAÍ3) e Raia Drogasil (RADL3).

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