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Dólar salta para R$ 3,95 com maior chance de PT no 2º turno; Ibovespa fecha em alta

Moeda teve forte valorização com tensão política, enquanto o Ibovespa ficou instável em dia de vencimento de opções sobre ações

Dólar e bolsa
(Shutterstock)

SÃO PAULO - O Ibovespa teve uma sessão volátil nesta segunda-feira (20), de olho na mais recente pesquisa eleitoral, da CNT/MDA, que apontou uma deterioração das intenções de votos de Geraldo Alckmin (PSDB) no cenário com Lula na disputa presidencial, que está isolado na liderança no cenário estimulado, o que gera tensão entre os investidores por conta da possibilidade destes votos serem herdados por Fernando Haddad.

Apesar da pesquisa, o benchmark da bolsa brasileira ganhou força no fim do pregão e fechou com alta de 0,39%, aos 76.327 pontos, após chegar a cair 0,55% mais cedo. O volume financeiro ficou em R$ 17,638 bilhões. Nesta segunda ocorreu também o vencimento de opções sobre ações na B3, que movimentou R$ 7,969 bilhões, dos quais R$ 2,693 milhões foram em opções de compra e R$ 5,275 foram em opções de venda.

No exterior, o dia foi de alta, com os índices norte-americanos mais "calmos" após a turbulência da semana passada com a Turquia e a China. O Dow Jones subiu 0,34%, enquanto o S&P 500 avançou 0,24%. O dólar comercial, por sua vez, se manteve com forte alta durante toda a sessão, com maior reflexo da tensão eleitoral, fechando com ganhos de 1,10%, cotado a R$ 3,9577 na venda, seu maior valor desde 29 de fevereiro de 2016, quando valia R$ 4,0040.

"Vemos o PT no segundo turno, mas não com facilidade. Há, no entanto, um caminho muito claro para PT ir ao segundo turno", disse Richard Back, analista político da XP Investimentos, para a Bloomberg. Segundo ele, Alckmin será um duro adversário para Bolsonaro, o que coloca o tucano na briga pela outra vaga no segundo turno.

Back diz que a pesquisa CNT/MDA mostrou Lula reafirmando liderança nos números, mas muito acima dos outros candidatos. "Tem de se olhar com atenção se a MDA está certa e todo mundo errado, ou todo mundo certo e MDA errada", avalia.

No cenário de pesquisa de intenção de voto estimulada, Lula segue na liderança, aparecendo com 37,3% das intenções de voto, uma alta de 4,9 pontos percentuais na comparação com maio, quando o petista tinha 32,4% das intenções de voto. Contudo, é praticamente improvável que o ex-presidente, condenado em segunda instância e preso desde abril, participe das eleições. 

Enquanto isso, Jair Bolsonaro passou de 16,7% para 18,8% no mesmo período, uma variação de 2,1 pontos percentuais. Marina Silva teve queda de 2 pontos, passando de 7,6% para 5,6%, enquanto Geraldo Alckmin teve leve variação positiva, passando de 4% para 4,9%. Ciro Gomes passou de 5,4% para 4,1%, enquanto Álvaro Dias teve variação positiva de 2,5% para 2,7%.

Na pesquisa espontânea, Lula aparece com 20,7% (ante 18,6% em maio) e Bolsonaro tem 15,1% das intenções de voto, ante 12,4% em maio. Alckmin teve variação positiva de 1,3% para 1,7%, seguido por Ciro, que foi lembrado por 1,5% dos eleitores, ante 1,7% da última pesquisa. Álvaro Dias foi lembrado por 1,3%, praticamente o mesmo patamar dos 1,2% da pesquisa CNT/MDA de maio. Marina completa a lista dos que pontuam, com 1,1% das intenções de voto, ante 1% do último levantamento. Somados, votos brancos e nulos e índice de indecisos representam 47,9% do total.

Na sexta-feira passada, o crescimento de Fernando Haddad na pesquisa da XP/Ipespe assustou os investidores, ao registrar 15% das intenções de votos com o apoio de Lula, dividindo a liderança com Bolsonaro no limite da margem de erro. Ainda hoje, teremos também a pesquisa Ibope, encomendada pela Rede Globo e pelo jornal O Estado de S. Paulo. 

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Destaques do mercado

Diante da alta das commodities, as ações do setor siderúrgico ficaram entre os destaques de alta do mercado, com a Usiminas (USIM5) subindo com recomendação de compra do JPMorgan, enquanto a CSN (CSNA3) avançou após anunciar o pagamento de um dividendo extraordinário de R$ 890 milhões.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 8,37 +5,42 -7,62 164,06M
 CSNA3 SID NACIONALON 9,44 +4,77 +12,65 113,17M
 GOAU4 GERDAU MET PN 7,71 +4,05 +33,84 57,77M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 19,65 +3,80 -19,60 30,63M
 GGBR4 GERDAU PN 16,21 +3,58 +31,80 148,83M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ESTC3 ESTACIO PARTON 22,60 -3,25 -30,50 59,44M
 BBAS3 BRASIL ON 30,43 -2,66 -2,69 482,06M
 BRKM5 BRASKEM PNA 55,12 -2,27 +34,11 97,49M
 QUAL3 QUALICORP ON 17,30 -2,26 -42,16 76,07M
 ELET3 ELETROBRAS ON 15,82 -2,23 -18,20 32,09M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN EJ N2 18,36 -0,54 1,02B 1,07B 63.156 
 VALE3 VALE ON 51,44 +1,26 758,94M 974,74M 24.230 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN EDJ 42,53 +0,66 726,97M 578,95M 30.092 
 BBAS3 BRASIL ON 30,43 -2,66 482,06M 349,58M 34.623 
 BBDC4 BRADESCO PN 28,80 +0,63 300,99M 433,70M 23.382 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 19,15 -0,16 252,83M 277,51M 30.350 
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,20 +2,87 246,12M n/d 18.417 
 ITSA4 ITAUSA PN EDJ 9,72 -0,23 221,56M 206,02M 25.917 
 B3SA3 B3 ON 22,59 +0,18 211,81M 213,50M 23.812 
 FIBR3 FIBRIA ON 77,64 +2,33 210,88M 154,12M 11.554 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Agenda da semana
Na agenda, destaque isolado para o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) referente ao mês de agosto. A GO Associados projeta alta de 0,15%, levando a inflação no acumulado em 12 meses a 4,32%. Segundo os economistas, a prévia da inflação continuará pressionada em função dos reajustes das tarifas de energia elétrica em uma série de capitais no Brasil.

Sem dia definido, o Ministério do Trabalho deve divulgar os dados do Caged referentes ao mês de julho. A GO Associados estima geração líquida positiva de 65 mil vagas de emprego formal no mês, após um mês de junho decepcionante, em função dos reflexos indiretos da greve.  Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.  

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Entre os dados externos, atenção para a ata da última reunião do Fomc, que será divulgada na quarta-feira (22) e pode trazer novas informações sobre a leitura da economia norte-americana e o processo de normalização dos juros. Além disso, saem as publicações das sondagens PMI industrial e de serviços e dos dados de vendas de casas na quinta-feira (23) e dos dados de pedidos de bens duráveis na sexta-feira (24). Para conferir a agenda completa de indicadores, clique aqui.

Destaque para o encontro de Jackson Hole, simpósio de bancos centrais a ser realizado a partir de quinta-feira (23). O mercado acompanhará com atenção eventuais sinalizações de Jerome Powell, presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) que discutirá o tema “Política Monetária em Uma Economia em Mudança” na sexta-feira (24). O presidente do Banco Central Ilan Goldfajn teve sua viagem autorizada para participar do simpósio. 

Notícias da política

A coligação formada por MDB e PHS, que tem o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles como candidato à Presidência, decidiu, na noite de sexta-feira (17), contestar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a aliança formada em torno da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). Emedebistas identificaram que ao menos três siglas que se aliaram ao PSDB deixaram de atualizar as atas de suas convenções, o que teria gerado falhas na formalização do apoio ao tucano dentro do prazo legal estabelecido.

A movimentação põe em risco a estrutura construída pelo tucano para a corrida presidencial e a fatia a que sua coligação tem direito no horário de propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão, a partir de 31 de agosto. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o tucano pode perder 36% de seu tempo de TV. Falando em atualização de dados, a partir desta segunda-feira (20) todos os candidatos terão que detalhar sua relação de patrimônio entregue no momento do registro da candidatura no TSE.  

A segunda-feira também marca a repercussão no mercado do debate da RedeTV! realizado na última sexta-feira e que teve como ponto alto o confronto entre Jair Bolsonaro e Marina Silva. Confira a análise do debate clicando aqui. 

 

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