Em mercados / acoes-e-indices

Dólar dispara mais de 2% e vai a R$ 3,88 enquanto Ibovespa recua com guerra comercial

Mercado foi pressionado pelo cenário externo, com os índices em Wall Street caindo quase 1% em dia de tensão entre EUA e China

SÃO PAULO - Após chegar a zerar as perdas, o Ibovespa voltou a perder força na tarde desta quarta-feira (11) e fechou no negativo, pressionado pelo cenário externo, com os índices em Wall Street recuando quase 1% após Donald Trump anunciar que pretende implementar tarifas de US$ 200 bilhões em produtos chineses. O dólar, por sua vez, saltou 2%, indo a mais de R$ 3,87, corrigindo parte da queda acentuada da véspera e também acompanhando o desempenho da moeda no resto do mundo.

O benchmark da bolsa brasileira teve queda de 0,62%, aos 74.398 pontos, chegando a cair 0,89% na mínima do dia. O volume financeiro ficou em R$ 9,893 bilhões. O dólar comercial, por sua vez, disparou 2,20%, encerrando o pregão cotado a R$ 3,8811 na venda. Em vista do cenário tumultuado, o Dow Jones e S&P 500 recuaram 0,88% e 0,71%, respectivamente, ao passo que os principais índices de ações europeus registraram perdas de cerca de 1,5%. Pressionou o mercado ainda a derrocada de quase 6% do petróleo.

O governo norte-americano anunciou na noite da última terça-feira (10) uma nova rodada de sanções contra a China, em mais um capítulo da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. O plano, que ainda será submetido à consulta pública até o final de agosto, prevê tarifar em 10% cerca de 6 mil produtos chineses, entre eles agrícolas, minérios, petróleo e até gás natural. Até então, as medidas impostas pela administração de Trump englobava produtos de tecnologia vindos da China e atingiam US$ 50 bilhões em importações.

De acordo com o representante da área de comércio do governo Trump, Robert Lighthizer, a determinação foi "uma resposta apropriada" para conter as "políticas industriais danosas" da China. Em resposta, o Ministério de Comércio da China se disse “chocado” e descreveu a medida como “totalmente inaceitável”, sendo que não terá outra opção a não ser que responder na mesma moeda a decisão "míope" da administração de Trump.

Destaques de ações

Na ponta positiva, destaque para a Suzano, que saltou mais de 4% e liderou os ganhos do dia. Já os papéis da Eletrobras também avançaram após a Câmara dos Deputados aprovar na noite da última terça-feira projeto de Lei que viabiliza a privatização de seis distribuidoras da estatal. Clique aqui e confira os principais destaques de ações deste pregão.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CSNA3 SID NACIONALON 7,57 -5,02 -9,67 85,28M
 USIM5 USIMINAS PNA 7,53 -4,44 -16,89 96,39M
 EMBR3 EMBRAER ON 21,58 -4,34 +8,42 182,72M
 RENT3 LOCALIZA ON EJ 22,47 -3,97 +2,09 115,57M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 26,72 -3,85 +30,34 32,90M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 SUZB3 SUZANO PAPELON 44,88 +3,63 +141,29 156,34M
 RADL3 RAIADROGASILON 69,89 +2,86 -23,54 109,82M
 ELET3 ELETROBRAS ON 14,44 +2,19 -25,34 72,36M
 ELET6 ELETROBRAS PNB 16,92 +2,17 -25,46 43,48M
 BRKM5 BRASKEM PNA 53,68 +2,00 +30,61 90,18M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 17,41 -1,92 1,49B 1,02B 49.738 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 42,36 +0,40 630,18M 519,86M 30.809 
 VALE3 VALE ON 48,86 -1,35 627,69M 710,80M 28.114 
 BBAS3 BRASIL ON 29,79 +1,99 426,01M 329,67M 18.994 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 27,69 -0,40 341,91M 383,61M 23.947 
 B3SA3 B3 ON 22,38 +0,04 261,21M 230,57M 19.022 
 PETR3 PETROBRAS ON N2 20,02 -0,84 242,84M 214,58M 13.966 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,91 -1,54 228,55M 264,37M 19.489 
 JBSS3 JBS ON 9,49 -3,56 186,03M 67,14M 12.241 
 EMBR3 EMBRAER ON 21,58 -4,34 182,72M 114,08M 23.299 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Inflação supera expectativa nos EUA
Na agenda dos EUA, destaque para a inflação ao produtor referente ao mês de junho, que subiu para 0,3% e ficou acima do esperado pelo mercado (+0,2%). Na comparação anual, o PPI (Producer Price Index) teve alta de 3,4% em junho, a maior variação anual desde novembro de 2011. Além disso, foi divulgado às 11h30 os estoques de petróleo dos EUA referente a última semana, que marcou queda de 12,6 milhões de barris, bem acima da previsão de queda de 4,5 milhões projetada pelo mercado.

Notícias do dia

A repercussão sobre a batalha jurídica do domingo sobre a soltura ou não de Lula segue no radar, com um improvável beneficiário, segundo aponta a coluna de Bruno Boghossian, da Folha. De acordo com o colunista, o pré-candidato do PSDB Geraldo Alckmin recuperou algum fôlego na disputa pelo apoio do DEM e PP, embora os partidos ainda se inclinem por Ciro. Segundo o jornal, o barulho sobre caso Lula no domingo assustou os partidos, diante do receio de que ex-presidente tenha forte influência na eleição e coloque nome do PT no 2º turno, enfraquecendo Ciro. Com isso, dirigentes do DEM e PP que veem o pedetista com simpatia teriam voltando a considerar a opção Alckmin.

Leia mais:
- O improvável ganhador com a confusão jurídica que quase soltou Lula no domingo
- Moro evitou uma derrota à Lava Jato ao impedir soltura de Lula, mas ficou politicamente exposto
- Bolsonaro sob risco, Alckmin pressionado e Marina inflada por indecisos: 5 destaques da pesquisa XP/Ipespe

Já o Valor Econômico destaca que a equipe econômica do governo Michel Temer já inicia transição com assessores de presidenciáveis, apresentando números da economia estimados para o fim do ano e traçando um retrato do que o próximo presidente irá encontrar. O próximo convidado para uma reunião com o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, e com o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, deverá ser Paulo Guedes, que assessora o candidato à sucessão presidencial, deputado Jair Bolsonaro. Ambos já tiveram uma conversa na quinta-feira, com o economista Pérsio Arida, que faz o plano de governo de Alckmin, e na segunda feira com Mauro Benevides, da campanha de Ciro. 

Por falar em economia brasileira, Mark Mobius, considerado o "guru dos emergentes", afirmou em entrevista para a BloombergTV que Brasil e Turquia podem se beneficiar de guerra comercial entre EUA e China devido ao declínio em suas moedas. Porém, ele disse ser difícil dizer que os mercados emergentes chegaram ao fundo do poço, apontando que poderia haver uma queda adicional de 10% nos mercados.

Quer investir em ações com a menor corretagem do Brasil? Clique aqui e abra sua conta na Clear

 

Contato