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Ibovespa tem 9ª alta em onze pregões e sobe 3% na semana; dólar afunda 1,7% e volta para R$ 3,86

Índice avança com pouca liquidez com mercado parando para ver jogo da seleção e já preparado para o feriado na segunda-feira

Ações
(Shutterstock)

SÃO PAULO - Enquanto os investidores acompanhavam a eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo, o Ibovespa subiu, mas sem muita força por conta da baixa liquidez. O dólar por sua vez, acelerou as perdas e afundou quase 2% seguindo o exterior, onde a moeda norte-americana também recuou. O benchmark da bolsa brasileira fechou com alta de 0,61%, aos 75.007 pontos, encerrando a semana com ganhos de 3,09% e acumulando nove altas em onze pregões.

Já o dólar desabou 1,67%, cotado a R$ 3,8687 na venda, acompanhando outras moedas emergentes, deixando de ser a divisa com pior performance entre 16 principais do mundo e ficando no grupo de maiores ganhos. No exterior, o dólar caiu de forma generalizada após dado de ganhos médios por hora de trabalho nos EUA ficarem abaixo das estimativas e taxa de desemprego subir pela primeira vez desde agosto.

Os Estados Unidos abriram 202 mil vagas de emprego em junho, ligeiramente acima dos 195 mil novos postos de trabalho projetados pelo mercado. Enquanto isso, a taxa de desemprego subiu para 4,0%, enquanto esperava-se manutenção em 3,8% no período, ao passo que os ganhos médios por hora recuaram de 0,3% para 0,2% na passagem mensal, ficando abaixo da expectativa (+0,3%) e indica uma menor pressão de custo para as empresas, o que implica em uma menor pressão inflacionária e deixa o Fed "tranquilo" em aumentar gradualmente os juros.

Apesar deste efeito positivo do relatório de emprego, os receios do início da guerra comercial ainda deixam o investidor em alerta. Após várias semanas de discussões e temores no mercado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que a partir de meia-noite de quinta para sexta-feira (6) começou a valer as tarifas de US$ 34 bilhões para bens chineses, dando início assim à tão temida "guerra comercial". A China já havia informado que iria retaliar esta atitude e o risco é que daqui para frente ocorra uma grande disputa que pode prejudicar toda a economia mundial.

A partir de 00h01 desta sexta-feira, as autoridades alfandegárias norte-americanas deverão começar a cobrar tarifas de 25% sobre as importações chinesas de mercadorias, de arados agrícolas a semicondutores e partes de aviões. É a primeira vez que os EUA impõem tarifas diretas aos produtos chineses após meses em que Trump acusou Pequim de roubar propriedade intelectual americana e inchar injustamente o déficit comercial dos EUA. Trump diz que as medidas têm como objetivo beneficiar as empresas americanas, que, segundo sua visão, poderiam se tornar mais competitivas. Além das taxas atuais, uma segunda parte dos bens avaliados em US$ 16 bilhões foi confirmada por Trump pra daqui duas semanas.

A China deu início à sua retaliação já nesta sexta, com tarifas que, inicialmente, afetarão o equivalente a US$ 30 bilhões em produtos americanos. Entre os produtos estão veículos, alimentos e produtos agrícolas, como a soja, o que afetará bastante os agricultores americanos.

BC de olho no dólar

Em entrevista à GloboNews, Ilan Goldfajn, afirmou que o objetivo da instituição no câmbio é "dar tranquilidade", e não determinar um patamar para o dólar. "Nosso papel é oferecer tranquilidade, mas não determinar o que ocorrerá no câmbio", disse Goldfajn, citando ainda as reservas internacionais, consideradas por ele como um "seguro" para o País.

Ao ser perguntado a respeito do uso de swaps cambiais para segurar a taxa de câmbio nos próximos meses, durante a campanha eleitoral, Goldfajn afirmou que o BC vai oferecer tranquilidade para que os preços de ativos reflitam a realidade brasileira: "vamos tentar oferecer para o Brasil o uso de nossos amortecedores, para gerar maior tranquilidade", pontuou.

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Destaques do mercado

Do lado negativo, destaque para a forte queda das ações da CVC, que afundou 5% após os dados operacionais do segundo trimestre, enquanto as ações da Embraer seguiram em queda, ainda refletindo a joint venture com a Boeing.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 KROT3 KROTON ON 11,21 +6,76 -38,06 137,23M
 BRFS3 BRF SA ON 22,80 +6,29 -37,70 262,56M
 GOLL4 GOL PN N2 11,12 +4,81 -23,84 43,48M
 QUAL3 QUALICORP ON 19,79 +4,49 -33,84 36,29M
 SMLS3 SMILES ON EJ 53,35 +4,32 -26,02 40,45M

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 CVCB3 CVC BRASIL ON 41,21 -4,98 -13,74 81,94M
 VVAR11 VIAVAREJO UNT N2 16,89 -3,71 -30,89 47,61M
 MRFG3 MARFRIG ON 8,33 -2,91 +13,80 13,43M
 SUZB3 SUZANO PAPELON 45,64 -2,46 +145,37 103,85M
 JBSS3 JBS ON 9,34 -2,20 -4,28 74,71M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram:

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN N2 17,94 +0,45 601,03M 1,13B 26.386 
 VALE3 VALE ON 50,34 +1,29 428,36M 886,26M 20.221 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 18,09 -1,68 348,88M 300,74M 18.788 
 ITUB4 ITAUUNIBANCOPN ED 42,08 +0,91 318,80M 602,79M 20.282 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 28,17 +0,28 280,37M 421,37M 20.520 
 BBAS3 BRASIL ON 29,46 -1,11 268,46M 373,74M 19.901 
 BRFS3 BRF SA ON 22,80 +6,29 262,56M 168,42M 22.325 
 EMBR3 EMBRAER ON 22,67 -1,86 249,69M 108,94M 25.974 
 MGLU3 MAGAZ LUIZA ON 121,70 +1,42 201,65M 238,60M 8.601 
 GGBR4 GERDAU PN 15,52 +2,37 168,63M 177,07M 15.423 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
IBOVESPA

Notícias do dia
As alianças para as eleições seguem movimentando o noticiário dos jornais. Em destaque, o presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que, apesar da maior afinidade histórica com o PSDB, hoje seu partido estaria mais próximo de fechar um acordo nacional com o PDT, em razão das alianças e palanques regionais.

"Ele faz um discurso inteligente e, quando fala de equilíbrio fiscal, ele fala o que a gente fala; muitos diretórios regionais veem Ciro como boa alternativa", acrescentou Maia. O presidente da Câmara afirmou que há premissas básicas para o DEM apoiar um candidato, que incluem a defesa da redução de gastos, controle das despesas e reforma da Previdência com idade mínima.

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Atenção ainda para o anúncio do governo Michel Temer, que assinou a MP com Rota 2030 e prevê geração de empregos. O programa envolve política industrial para o setor automotivo no médio prazo, executado ao longo de 3 ciclos de investimentos, por 15 anos. Serão concedidos créditos tributários de 10,2% que poderão ser usados no abatimento de IRPJ e CSLL. Por fim, Temer escolheu o ministro Eliseu Padilha para assumir interinamente o cargo de ministro de Trabalho, após o STF afastar Helton Yomura do cargo. Padilha acumulará o posto com o de ministro da Casa Civil.

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