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Investidores trocam Ciro por Marina em segundo turno, mas mantêm Bolsonaro favorito, mostra sondagem XP

Levantamento feito pela XP Investimentos com investidores institucionais mostra que 49% acreditam que Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil

Marina Silva e Jair Bolsonaro
(Reprodução)

SÃO PAULO - As projeções de uma disputa de segundo turno entre o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) deixaram de ser cenário base entre um grupo de investidores institucionais consultados pela XP Investimentos. De acordo com sondagem realizada entre 2 e 3 de julho, agora 32% acreditam que o deputado estará na segunda etapa da disputa presidencial com a ex-senadora Marina Silva (Rede). Um mês atrás, este cenário era considerado o mais provável por apenas 11%.

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Em junho, 45% dos investidores institucionais consultados acreditavam que Bolsonaro e Ciro estariam no segundo turno. Agora, este cenário foi citado por apenas 14%, atrás até mesmo de uma eventual disputa entre o deputado e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Para 21% dos entrevistados, Bolsonaro e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) serão os candidatos mais votados no primeiro turno, percentual próximo ao apresentado um mês atrás: 26%.

A sondagem, divulgada pela XP Investimentos nesta quinta-feira (5), mostra que o mercado está mais dividido sobre as apostas para os candidatos que irão ao segundo turno. Porém, há quase um consenso de que Bolsonaro será o ocupante de uma das vagas. O nome do deputado aparece em nos cenários apontados por 87% dos investidores, seguido por Marina (34%), Alckmin (31%), Haddad (23%) e Ciro (16%). Eis um resumo das apostas dos entrevistados:

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Para 49%, Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. Em abril, 29% acreditavam nesta hipótese. Naquela época, liderava as apostas Geraldo Alckmin, com 48% dos apontamentos. As avaliações sobre a viabilidade eleitoral, contudo, mergulharam nos últimos dois meses. Agora 26% dos investidores acreditam que ele vencerá as eleições. Apesar disso, o ex-governador segue sendo visto pelo mercado como candidato que provocaria as reações mais positivas na Bolsa, na Selic e no câmbio (confira o detalhamento das projeções para cada presidenciável abaixo).

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Projeções

Na situação de eventual vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial, 42% dos respondentes acreditam que o Ibovespa superaria os 80 mil pontos (na última quarta-feira, o índice fechou em 74.743 pontos), sendo que 10% veem o benchmark em uma faixa entre 90 mil e 100 mil pontos e 12%, entre 85 mil e 90 mil pontos. Um grupo de 16% apontou movimentos próximos da estabilidade em relação ao atual patamar do índice, caso o cenário se confirme. Do lado do dólar, 28% indicaram que o câmbio brasileiro se desvalorizaria, enquanto 49% indicam que a moeda se valorizaria. Hoje, o dólar comercial está cotado a R$ 3,9159 na venda. No quadro de juros (atualmente a 6,5% ao ano), 58% indicam uma elevação da Selic para patamar acima de 8% ao final de 2019, sendo que 10% veem a taxa básica acima de 9,5%.

Na simulação de uma vitória de Geraldo Alckmin, 82% dos investidores acreditam que o Ibovespa superaria os 85 mil pontos, sendo que 31% projetam o índice acima dos 100 mil pontos. Apenas 2% dos respondentes esperam estabilidade para o índice em relação ao atual patamar, caso esta situação se confirme. Do lado do câmbio, 85% indicaram que o real se valorizaria frente ao dólar para um patamar abaixo de R$ 3,60. 51% indicaram que a cotação da moeda americana ficaria abaixo de R$ 3,40, ao passo que apenas 4% responderam que o real se desvalorizaria para uma taxa superior a R$ 3,80 por dólar. No quadro de juros, 72% entendem que a Selic ficaria no máximo em 8% no final de 2019.

Caso o nome escolhido seja o de Ciro Gomes, 95% dos investidores institucionais consultados acreditam em uma queda do Ibovespa do patamar atual. Para mais de 79%, o índice ficaria abaixo dos 60 mil pontos, ao passo que apenas 5% acreditam em estabilidade ou alta. Com relação ao dólar, 84% dos respondentes acreditam que a moeda americana ficaria cotada acima dos R$ 4,20, enquanto 11% apostam em uma faixa entre R$ 4,00 e R$ 4,20. No ambiente de juros, 50% enxergam a Selic encerrando 2019 ao menos em 9,5%, sendo que 36% acreditam que os juros superariam os 10% ao ano.

Se Marina Silva vencer as eleições presidenciais, as apostas dos investidores foram mais dispersas: 41% dos respondentes veem o Ibovespa acima dos 80 mil pontos, ao passo que 27% projetam queda em relação ao atual patamar. O comportamento foi similar para o caso do dólar, com 28% avaliando a moeda em patamar entre R$ 3,60 e R$ 3,80. No quadro de juros, 56% dos investidores apontam para uma Selic encerrando o ano ao menos em 8%.

Com uma eventual vitória de Fernando Haddad, 91% dos investidores institucionais consultados acreditam que o Ibovespa recuaria do atual patamar, enquanto apenas 1% vê o índice acima dos 80 mil pontos. No cenário de câmbio, 92% indicaram que o câmbio brasileiro se desvaloraria, sendo que 71% indicam que a moeda subiria para patamar acima de R$ 4,20. Para 2% dos respondentes, a moeda nacional se valorizaria. No cenário de juros, 78% mencionam uma Selic encerrando 2019 em uma patamar de pelo menos 8%, dos quais 44% colocam um patamar de ao menos 9,5%.

Eis os gráficos para cada variável considerada:

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Reformas

A sondagem também perguntou aos entrevistados sobre as expectativas em relação ao andamento de uma agenda de reformas ou mudanças em medidas já em vigor em caso de vitória de cada um dos cinco principais presidenciáveis. Assim como no caso das projeções para o desempenho dos principais indicadores de mercado, as expectativas mais otimistas quanto a esses projetos ficam com Alckmin. Bolsonaro e Marina alternam posições dependendo da medida considerada, ao passo que as candidaturas de Haddad e Ciro são vistas como mais ameaçadoras a essas bandeiras defendidas pelos investidores.

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Como funciona?

A sondagem, realizada pela XP Investimentos entre os dias 2 e 3 de julho, coletou respostas de 146 investidores institucionais, entre gestores de recursos, economistas, consultorias e outros. A amostra contou com as principais instituições do mercado financeiro brasileiro, com uma representação de mais de 50% dos recursos sob gestão no setor. Segundo os organizadores, o levantamento tem por objetivo entender os cenários para Bolsa, dólar e juros em função do quadro eleitoral.

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