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"Efeito Fomc": Vale e siderúrgicas disparam 7% e só 4 das 59 ações do Ibovespa caem

Confira os principais destaques de ações da Bovespa

Valeminério

SÃO PAULO - O combo Federal Reserve e Moody's provocou uma reviravolta no mercado na tarde desta quarta-feira (15): enquanto o Ibovespa disparou, o dólar e os contratos futuros de DIs foram abaixo. O motivo? No primeiro caso, a manutenção da projeção de mais duas altas de juros este ano nos Estados Unidos, apagando o temor do mercado de que fosse revista para três elevações; no segundo, a elevação da perspectiva do rating do Brasil de negativa para estável (veja mais aqui).

Em meio às duas notícias, o Ibovespa saltou 2,37% nesta sessão, indo a 66.234 pontos, no seu melhor pregão em 2 meses. O otimismo foi puxado principalmente pelas commodities, que ganharam força com o Fed. A Vale e siderúrgicas saltaram 7%, figurando entre as maiores altas do índice, enquanto a Petrobras encerrou em alta de 4%. Sobre a estatal, além da contribuição do petróleo, os papéis reagiram à decisão do TCU (Tribunal de Contas da União), que autorizou a retomada de venda de ativos da estatal, questão que vinha penalizando a ação nas últimas sessões. 

Do outro lado, o que se viu foram apenas 4 das 59 ações do Ibovespa encerrando o dia no negativo, com predomínio das exportadoras Suzano, Embraer e Klabin, penalizadas pela queda do dólar. 

Confira abaixo o que foi destaque nesta quarta-feira:

Petrobras (PETR3, R$ 14,75, +2,64%; PETR4, R$ 14,20, +4,49%) 
As ações da Petrobras ganharam nesta tarde, entre o Fed, que acelerou os ganhos do petróleo, e a decisão do TCU, que autorizou a retomada de venda de ativos da estatal, questão que vinha penalizando a ação nas últimas sessões. Hoje, o contrato do petróleo WTI fechou em alta de 2,4%, a US$ 48,86 o barril. 

Além desses dois fatores, os investidores seguiram atentos a mais 3 notícias sobre a empresa.

Foram elas:

1) A produção brasileira nos campos de petróleo e gás natural do pré-sal operados pela estatal atingiu, em fevereiro, 1,53 milhão de barris de óleo equivalente (boed). O valor representa aumento de 41% em relação a produção de fevereiro de 2016. Em comparação a janeiro deste ano, o volume registrou uma redução de 3%.

2) A inflação em queda aumenta pressão por elevação de imposto na gasolina. O processo mais rápido de queda da inflação aumentou a pressão do setor sucroenergético para o governo elevar o PIS e a Cofins da gasolina. O PIS/Cofins incidente da gasolina é hoje de R$ 0,38 por litro e o do etanol é R$ 0,12. O tributo do etanol foi zerado entre abril de 2013 e dezembro de 2016 e a primeira pressão do setor produtivo de etanol e açúcar junto ao governo ocorreu no final do ano passado. Segundo o Broadcast a demanda já chegou ao governo, e vai em linha com as declarações recentes de Meirelles, que não descartou elevação de impostos para cumprir a meta.

4) Segundo o jornal o Estado de S.Paulo, a petroleira negocia com um consórcio de empresas chinesas, liderado pela estatal Sinopec, a venda da fábrica de fertilizantes nitrogenados que começou a construir no município de Três Lagoas, em Mato Grosso do Sul. Na negociação, o consórcio se comprometeu a assumir dívidas que somam R$ 38 milhões com fornecedores. A venda da fábrica, porém, pode esbarrar numa decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). Nesta quarta-feira, 15, o órgão deve julgar se o plano de venda de ativos da estatal terá de voltar à estaca zero. Vale ressaltar também que os papéis da mineradora devem repercutir na bolsa a valorização de mais de 2% nas cotações do petróleo nos mercados internacionais.

Vale (VALE3, R$ 33,32, +6,90%; VALE5, R$ 31,68, +6,92%)
As ações da mineradora dispararam com o Fed e apareceram entre as maiores altas do Ibovespa nesta tarde. Ajudou a sustentar a euforia os preços do minério de ferro: os contratos futuros do minério de ferro negociados na bolsa chinesa de Dailian subiram mais de 5% hoje, enquanto a commodity à vista negociada no porto de Qingdao na China subiu 3%, voltando ao nível dos US$ 90.

Acompanharam o movimento as ações da Bradespar (BRAP4, R$ 24,09, +6,40%) - holding que detém participação na Vale - e as siderúrgicas, com Gerdau (GGBR4, R$ 13,07, +5,23%), Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 6,16, +3,01%), Usiminas (USIM5, R$ 4,89, +5,16%) e CSN (CSNA3, R$ 11,42, +6,43%). 

Exportadoras
Do outro lado, as ações das exportadoras afundaram nesta tarde, com o movimento do dólar, que mergulhou após a decisão do Fomc. Fora a Cyrela, as ações das empresas de papel e celulose Suzano (SUZB5, R$ 12,27, -3,76%) e Klabin (KLBN11, R$ 15,05, -0,86%) e a fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3, R$ 18,39, -0,97%) foram as únicas quedas do dia entre as 59 ações que compõem o Ibovespa.  

Vale menção que no setor de papel e celulose a Fibria (FIBR3) conseguiu se salvar e subiu 1,65%, a R$ 27,13, após um relatório do Bank of America Merrill Lynch, que colocou a ação como sua "top pick".

Para os analistas, o setor, que teve o pior desempenho do Ibovespa no último ano, parece atrativo, citando que as ações da Fibria estão "baratas" neste patamar de preços. Segundo eles, o mercado ainda não precifica o crescimento da empresa, tendo em vista a projeção de adição de 1,95 milhões de toneladas em produção por conta do projeto Fibria Horizonte II. De acordo com eles, somente isso deve adicionar R$ 8,50 por ação da empresa (ou 33% do seu valor de mercado). Além disso, eles elevaram também as projeções para os preços de papel e celulose para 2017 e 2018 em 5%, indo para US$ 550 a tonelada e US$ 500 a tonelada, respectivamente.  

Portobello (PTBL3, R$ 3,08, +10,0%)
As ações da small cap Portobello estendeRAm os ganhos da véspera e atingem hoje seu maior patamar desde junho de 2015. Nos dois dias, a valorização acumulada é de 15%. Na máxima desta sessão, os papéis atingiram alta de 17,50%, a R$ 3,29. A euforia ocorre após a ação ter sido citado como uma "grande oportunidade" na Bolsa no programa semanal Comprar ou Vender, da InfoMoneyTV, da última terça-feira (veja aqui). 

Durante o programa, o estrategista-chefe da Eleven Financial, Adeodato Volpi Netto, comentou que as ações da Portobello e Movida podem ser as próximas CSU CardSystem da Bolsa, em referência à sua recomendação no papel CARD3, quando ainda estava perto dos R$ 2,30 no final de 2015. Hoje, essas ações acumulam ganhos de 400% até agora.

AES Tietê PN (TIET4, R$ 3,20, -14,67%)
Depois de subirem 30% nos últimos 2 pregões, as ações PNs da AES Tietê tiveram sessão de realização. A euforia em torno desses papéis ocorreu após uma carta divulgada pela Suno Research na última segunda-feira, que apontava que essa ação era a nova aposta do megainvestidor Luiz Barsi na Bolsa (veja aqui). 

Vale menção que a classe de ativos que possui mais liquidez da AES Tietê na BM&FBovespa é a unit TIET11, mas ela não seguiu o mesmo movimento que TIET4. Hoje, a TIET11 subiu 0,74%, a R$ 15,00.

Mills (MILS3, R$ 3,91, -2,49%)
As ações da Mills seguiram em derrocada na Bolsa: nos últimos 7 pregões, elas caíram 25%. Hoje, esses papéis atingiram queda de 4,99%, a R$ 3,81, na mínima do dia. O motivo? Um balanço fraco no 4° trimestre, que decepcionou as projeções mais pessimistas. 

Segundo o BTG Pactual,  os números vieram muito fracos, abaixo das expectativas mais pessimistas, com receita líquida em R$ 75 milhões, queda de 41% na comparação com o mesmo trimestre de 2015, e Ebitda ajustado atingindo sua mínima histórica, com valor negativo de R$ 3,5 milhões, contra resultado positivo de R$ 33 milhões no 4° trimestre de 2015. Mas as notícias ruins não param aí: "Esperamos que os resultados continuem fracos nos próximos trimestres", comentaram os analistas do banco.

Prumo (PRML3, R$ 8,80, +9,59%) 
As ações da Prumo dispararam após sua controladora EIG informar que o “lançamento da OPA da Prumo não depende da aprovação da OPA por Itaú e/ou Mubadala e a permanência destes como acionistas da companhia”, segundo comunicado. A oferta pública tem objetivo de comprar ações em circulação para cancelamento de registro da categoria A e saída do segmento Novo Mercado da BM&FBovespa. Em janeiro, EIG havia condicionado OPA à permanência de Itaú e Mubadala.

Eternit (ETER3, R$ 1,37, +1,48%) 
A empresa adiou a divulgação do balanço do quarto trimestre de 15 para 17 de março. A teleconferência sobre resultados do quarto trimestre também foi adiada de 16 para 20 de março, segundo comunicado da companhia. Vale ressaltar que na segunda-feira a companhia informou que foi notificada na tarde de sexta-feira (10) de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho contra a companhia. Entre os pedidos contidos na ação, está o pagamento de R$ 85 milhões a título de danos morais coletivos, o que representa 33% do valor de mercado da empresa, e a substituição da matéria prima dentro do prazo de noventa dias.

Guararapes (GUAR4, R$ 77,60, +2,65%) 
A Guararapes, controladora da Riachuelo, registrou um lucro líquido de R$ 252,4 milhões no quarto trimestre de 2016, alta de 59,1% ante o mesmo intervalo de 2015. A receita líquida subiu 5,1% no quarto trimestre, para R$ 1,85 bilhão. O Ebitda, por sua vez, teve alta de 36,8%, a R$ 383,8 milhões.

Anima (ANIM3, R$ 13,28, -5,28%) 
A Anima Educação teve prejuízo líquido de R$ 36,4 milhões nos últimos três meses de 2016, mais de seis vezes superior ao prejuízo líquido no quarto trimestre de 2015, de R$ 5,6 milhões. Já a receita foi de R$ 258,5 milhões, alta de 28,6% ante o mesmo trimestre de 2015. O Ebitda entrou em território negativo de R$ 11,7 milhões, ante resultado positivo de R$ 4,6 milhões no quarto trimestre de 2015.

Segundo o BTG Pactual, o resultado veio fraco, abaixo do esperado, embora tenha destacado que a receita líquida tenha vindo melhor, por conta de uma evasão mais controlada (3,6% da base renovável, contra projeção do banco de 4,3%) e um ticket médio líquido maior. Ainda assim, eles comentam que, apesar de um melhor controle marginal de custos (principalmente pessoal), as despesas gerais e administrativas vieram, com destaque negativo para PDD (Provisões para Devedores Duvidosos), que atingiu 6,7% da da receita, frente à projeção de cerca de 5%. Com isso, o Ebitda ajustado ficou em R$ 18 milhões, 22% abaixo da projeção dos analistas e uma queda de 29% na comparação anual. Isso levou o prejuízo ajustado para R$ 8 milhões, contra expectativa de R$ 4 milhões.

Os analistas comentaram que, apesar das iniciativas internas da companhia provavelmente começarem a trazer impactos positivos aos números ao longo de 2017, mantêm visão cautelosa, principalmente enquanto eles não tiverem uma visão mais clara da dinâmica de captação do 1° semestre de 2017. "Acreditamos que os resultados de 2017 serão melhores, mas positivamente impactados por uma base deprimida de lucro. Vemos a empresa negociando a cerca de 11,5 vezes o P/L (Preço Sobre Lucro), com prêmio para Kroton e Ser Educacional", escreveram em relatório. 

Small caps
Em relatório, o Bradesco BBI destacou uma lista com as dez small caps preferidas do banco, destacando que o índice de small caps deve se beneficiar da queda da taxa de juros pelo Copom e, consequentemente, pelas melhores perspectivas de crescimento do Brasil. De acordo com os estrategistas do banco, é hora de comprar small caps, que devem se beneficiar mais do cenário do que as large caps. A lista contém: CESP (CESP6, R$ 17,95, +0,45%), Copasa (CSMG3, R$ 49,40, -0,28%), Duratex (DTEX3, R$ 8,38, +1,09%), Energisa (ENGI11, R$ 23,05, +0,35%), Gol (GOLL4, R$ 9,25, +6,81%), Iguatemi (IGTA3, R$ 32,90, +1,04%), a Iochpe-Maxion (MYPK3, R$ 15,99, +3,63%), Magazine Luiza (MGLU3, R$ 175,69, +1,55%), Metalurgica Gerdau (GOAU4, R$ 6,16, +3,01%) e Sanepar (SAPR4, R$ 11,70, -2,01%). 

 

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