'Atacarejo'

Ações do Assaí (ASAI3) fecham em alta de 5,14% após balanço; empresa observa vendas mesmas lojas positivas no começo de 2022

A empresa destacou que o desempenho do 4º trimestre foi prejudicado pela cautela dos consumidores PF e na formação de estoques entre PJs

Por  André Cabette Fábio -

As ações do Assaí (ASAI3) estiveram entre os destaques de alta do pregão desta terça-feira (22), após a divulgação do balanço do quarto trimestre, com os papéis fechando com ganhos de 5,14%, a R$ 13,10.

Durante teleconferência com analistas, Belmiro Gomes, CEO do Assaí, afirmou que o desempenho do quarto trimestre foi prejudicado por cautela dos consumidores pessoas físicas e na formação de estoques entre pessoas jurídicas. 

Assim, as vendas mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) do Assaí recuaram 3,1%, sendo impactadas pela forte base de comparação (+19,4% no 4T20) e pela redução do poder de compra da população decorrente do patamar de inflação elevado nos últimos dois anos e da diminuição no auxílio emergencial em relação a 2020.

Ele disse que, pelo observado em janeiro, é esperada uma melhora no desempenho no primeiro trimestre, de forma que as vendas em mesmas lojas não sejam negativas.

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Belmiro afirmou que vê uma base de comparação mais favorável para o primeiro trimestre de 2022, já que os resultados de 2021 foram fracos. Isso deve beneficiar o desempenho, apesar de fatores desafiadores, como o fato de que não devem ocorrer festas de Carnaval. 

Modelos de lojas do Assaí

O Assaí está em processo de conversão de 71 antigos pontos de venda da bandeira Extra, comprados do Grupo Pão de Açúcar, GPA (PCAR3), em outubro de 2021 por R$ 5,2 bilhões. A compra ocorreu meses após a cisão entre Assaí e Pão de Açúcar, na virada de 2020 para 2021. 

Em 2021, o Assaí abriu 28 novas lojas, das quais 24 foram abertas organicamente e outras 4 foram conversões de outros formatos. Só no quarto trimestre foram abertas 21 novas lojas, frente a 9 no mesmo período de 2020. 

Em sua divulgação de resultados, o Assaí afirmou que espera abrir neste ano 50 novas lojas, das quais dez serão aberturas orgânicas de novas unidades em construção e outras 40 sejam a primeira onda de conversões de lojas do Extra, prevista para o segundo semestre.

Segundo o Assaí, a expansão orgânica, aliada à conversão das lojas Extra Hiper, devem impulsionar o crescimento da empresa, levando a mais de 300 lojas em operação em 2024, com receita de R$ 100 bilhões. 

Questionado sobre o tema, Belmiro Gomes reconheceu que a abertura de novas lojas tem um efeito de “canibalização” sobre o desempenho das já estabelecidas. 

Ele afirmou que o Assaí estima que o efeito de canibalização impulsionado pelas novas lojas tenha sido de 3 pontos percentuais nas vendas em dezembro de 2021. No trimestre em curso, ele diz que o impacto deve ser de entre 1 e 1,5 ponto percentual nas vendas.

Mas ressaltou que, normalmente, tal impacto é sobre as lojas que já operam perto do limite, com média de R$ 5.800 ou R$ 6.000 em vendas por metro quadrado, e que esse efeito faz parte do processo de expansão. 

Em seu balanço, a empresa disse que a consistente performance das lojas abertas nos últimos 12 meses (+11,0%) e aceleração das inaugurações no trimestre, com 21 novas lojas em relação às 9 aberturas realizadas no 4T20, comprovam a alta capacidade de execução da companhia.

Loja-conceito

Questionado se o ritmo de vendas na loja-conceito da unidade do Extra convertida em Assaí na Barra da Tijuca, no Rio, é condizente com a margem de vendas 1,5% maior esperada pela empresa para as conversões, o CEO Belmiro Gomes afirmou que o patamar está “dentro da expectativa”. 

Ele disse, no entanto, que cada loja terá um nível diferente de curva de vendas. Também ressaltou que alguns dos conceitos de comunicação visual utilizados na loja-conceito já eram utilizados em unidades do Assaí voltadas ao perfil de alta renda. Mas disse que não necessariamente serão utilizados em todas as unidades. Segundo Belmiro Gomes, as lojas têm “autonomia muito grande”, em especial na base operacional. 

Anderson Barres Castilho, vice-presidente de operações, ressaltou que são implementados novos serviços na loja-conceito, em especial o de açougue que, diz, não tem um impacto forte nos custos mas agrega.

Modelos de vendas

Em termos de fluxo de vendas, o CEO disse que o descompasso econômico, a inflação e a redução de renda, devem levar os consumidores a buscarem mais o modelo “cash & carry”, em que o cliente escolhe o produto diretamente das gôndolas, paga e deixa a loja. Ele diz que pessoas jurídicas já são muito compradoras deste canal, a não ser quando as unidades são muito distantes. 

Ele também pontuou que, com a cisão do grupo Pão de Açúcar, faz hoje mais sentido que o Assaí invista em modelos de vendas digitais, que antes ficavam concentrados em outras marcas de lojas.

Avaliações do balanço de Assaí (ASAI3)

O Bradesco BBI disse que os resultados do Assaí no quarto trimestre de 2021, com alta de 8% na comparação anual, a R$ 11,6 bilhões, ficaram 2% abaixo de sua expectativa. 

Mas o Ebitda de R$ 911 milhões, alta de 4% na comparação anual, ficou em linha com sua estimativa de R$ 915 milhões. Assim, o Bradesco mantém sua avaliação outperform e preço-alvo de R$ 22 em 2022 para o Assaí. 

O banco ressaltou que a queda de 3% nas vendas em mesmas lojas (SSS na sigla em inglês) ficou em linha com sua estimativa, e reflete uma base de comparação difícil, já que houve alta de 19% nas SSS no quarto trimestre de 2020 e pressão sobre o orçamento dos consumidores por conta da inflação alta.

Já a receita líquida excluindo créditos fiscais de cerca de R$ 312 milhões, segundo o cálculo do Bradesco, ficou 11% abaixo da estimativa do banco por conta de custos financeiros mais altos. 

O banco afirma que esses não são os resultados mais fortes do Assaí, mas, dadas as circunstâncias, indicam resiliência e a força do modelo em que o cliente escolhe o produto diretamente das gôndolas, paga e deixa a loja (“cash & carry” em inglês).

Para o Bradesco, o SSS deve melhorar nos próximos trimestres. E vê um ambiente melhor para o faturamento bruto por conta de uma base de comparação mais fraca e perspectiva de crescimento nominal do salário mínimo acima da inflação pela primeira vez em muitos meses. 

O banco avalia que o principal impulsionador da tese de investimento no Assaí deve ser a conversão de 71 antigos supermercados Extra do Grupo Pão de Açúcar, comprados em outubro de 2021 por R$ 5,2 bilhões. 

Adicionalmente, o Bradesco diz que espera que cerca de 40 lojas abram por volta do meio do ano, e o restante no início de 2023. E ressaltou que essas lojas devem adicionar cerca de 35% ao Ebitda estimado para 2023, caso entreguem a alta de três vezes nas vendas e alta de 1,5 ponto percentual na margem Ebitda frente a média, como consta na previsão (guidance) da gestão.

Resultados neutros

Na avaliação do Itaú BBA, os resultados do Assaí no quarto trimestre como neutros, e manteve avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) e preço-alvo de R$ 21. 

O banco disse que os resultados reportados pelo Assaí para faturamento bruto e Ebitda estão em linha com sua expectativa, enquanto que o lucro liquido superou sua expectativa por conta de efeitos extraordinários.

Conforme o banco, apesar da base de comparação desafiadora, o Assaí apresentou crescimento de 8% nas vendas líquidas na comparação anual, e margens estáveis, com margem Ebitda de 7,9%, impulsionada por vendas, despesas gerais e administrativas (SG&A) com a abertura de lojas.  

Segundo o Itaú, uma base de comparação difícil e problemas no cenário macro levaram a queda de 3% em vendas em mesmas lojas (SSS). O crescimento nas vendas se deve à implementação do plano de expansão, diz o Itaú. 

Cenário

O Morgan Stanley destacou que a alta de 8% na receita do Assaí no quarto trimestre ficou 5% abaixo de sua estimativa por conta de dificuldades no cenário macro, que diz acreditar que já estejam precificadas. Apesar disso, o banco mantém avaliação overweight (perspectiva de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 21.

O Ebitda ficou 5% abaixo da estimativa do Morgan Stanley, mas em linha com o consenso do mercado. O Morgan Stanley ressalta que as vendas em mesmas lojas (SSS) do Assaí no quarto trimestre recuaram 2,9%, abaixo de sua expectativa de alta de 3% e do consenso, de alta de 1,6%. 

No mais, o Morgan avaliou que se mantém confiante quanto à resiliência do modelo cash & carry no Brasil, e diz ver drivers específicos para o crescimento da empresa. No ano, os papéis do Assaí recuam 4%, frente à alta de 7% no Bovespa, levando a um ambiente favorável para o crescimento acelerado de lojas em 2022. 

Sobre a compra das unidades Extra Hiper, o Morgan Stanley destacou que vê com bons olhos, com benefícios operacionais “mais do que sendo compensados”.

Por fim, se disse confiante quanto ao fundamento do modelo cash & carry, incluindo o potencial de desaceleração da inflação dos alimentos em 2022 e uma recuperação construtiva de serviços de comida de negócio para negócio (“business-to-business” em inglês).

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