Destaques da bolsa

Ações de BB e Ambev caem 2%, Totvs desaba 7% e Notre Dame sobe 5% após balanços; exportadoras disparam com dólar

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (7)

SÃO PAULO – A sessão desta quinta-feira foi marcada por uma forte volatilidade do Ibovespa e o índice fechou em queda de mais de 1%, com os investidores preocupados com os efeitos da pandemia do coronavírus na economia brasileira e o ambiente político ainda cheio de ruídos predominando sobre o cenário externo mais positivo com a expectativa de reabertura gradual de algumas das maiores economias do mundo após período de isolamento social.

Por outro lado, entre as maiores altas, o destaque ficou para as empresas exportadoras, em meio ao salto do dólar, que fechou na casa dos R$ 5,84, novo recorde nominal, após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a Selic, taxa básica de juros da economia, em  0,75 ponto percentual, a 3%, surpreendendo boa parte do mercado.

Com isso, companhias que ganham com a alta da divisa americana registraram forte alta, caso de frigoríficos, empresas de papel e celulose, Vale (VALE3, R$ 46,05, +3,88%) e siderúrgicas. Atenção ainda para os dados da balança comercial da China, que já sinalizam retomada da economia. As exportações do gigante asiático subiram 3,5% ante o mesmo mês de 2019, após uma queda de 6,6% em março, de acordo com dados da Administração Geral das Alfândegas.

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Vale destacar ainda que a Marfrig (MRFG3, R$ 13,62, +7,33%) teve cobertura iniciada pelo Credit Suisse com recomendação outperform e preço-alvo de R$ 16, o que representa um potencial de valorização de 28% frente o fechamento da véspera. A exposição aos EUA, o bom momentum nas operações brasileiras e americanas, além do valuation atrativo são os motivos destacados para a recomendação. Já a Suzano (SUZB3, R$ 45,01, +7,50%) teve a recomendação elevada a outperform pelo Bradesco BBI. O banco manteve a Klabin (KLBN11, R$ 20,61, +10,93%) como top pick do setor de papel e celulose: as units tiveram ganhos superiores a 10%.

Também do setor, estão as ações da Irani (RANI4, R$ 8,00, +63,27%), com os ativos PN subindo mais de 60% após os resultados e com um volume negociado mais de 40 vezes maior que a média diária, a R$ 886 mil.

Bancos registraram baixa e puxaram o Ibovespa para baixo. Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,26, -2,70%), que abriu com leve alta após o resultado do segundo trimestre (veja mais clicando aqui), viu seus papéis caírem mais de 2% durante a tarde. Itaú (ITUB4, R$ 21,44, -3,60%) e Bradesco (BBDC3, R$ 15,92, -3,28%; BBDC4, R$ 17,15, -4,30%) tiveram queda entre 3% e 4% das ações.  Já a Ambev (ABEV3, R$ 11,54, -2,45%), que chegou a ter alta superior a 3% dos ativos, passou a ver suas ações com quedas superiores a 2%. Tanto BB quanto Ambev divulgaram os resultados do segundo trimestre na manhã desta quinta-feira.

Sobre bancos, a XP destacou em relatório o impacto da queda da Selic no setor: No longo prazo, esse juro baixo é estruturalmente ruim para bancos. Isso basicamente significa que a margem financeira deles vai ser menor. Os bancos tendem a ajustar as linhas de crédito ao novo patamar de juros, que é baixo. No curto prazo, a única certeza que temos é que o custo de captação dos bancos vai cair, mas não necessariamente eles vão emprestar por custo menor. Demanda existe, não é problema. O problema é que bancos têm agora mais medo de não receber do que tinham antes, devido ao risco maior, e, assim, não necessariamente vão baixar os juros no curto prazo.

Voltando ao radar de resultados, a AES Tietê (TIET11, R$ 14,43, -0,14%) reportou um lucro líquido de R$ 75 milhões no período, uma expansão de 21,5% sobre igual trimestre de 2019 e vê suas ações quase estáveis%.  O GNDI (GNDI3, R$ 57,05, +5,14%) – Grupo Notre Dame Intermédica – também divulgou resultados e reportou lucro líquido de R$ 208 milhões no 1º trimestre, um crescimento de 40,9% sobre igual período do ano passado, com um resultado considerado positivo por analistas. Já a Totvs (TOTS3, R$ 18,21, -7,52%) viu suas ações em forte queda após o balanço, movimento este considerado “exagerado” pelo Bradesco BBI.

Enquanto isso, após iniciarem a sessão em alta, os contratos futuros do brent fecharam em queda de 0,9%, a US$ 29,46 o barril, enquanto o WTI teve baixa de 1,8%, a US$ 23,55 o barril, à medida que temores globais com a oferta e demanda do petróleo apagando os ganhos registrados no início da sessão, quando houve aumento do valor de venda na Arábia Saudita e foram relatados os dados de aumento nas exportações da China no mês passado. Contudo, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,30, +2,01%; PETR4, R$ 17,44, +0,93%) conseguiram sustentar ganhos, ainda que mais modestos.

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Enquanto isso, as ações mais ligadas ao setor de turismo e economia interna, como Localiza (RENT3, R$ 29,77, -8,40%), Azul (AZUL4, R$ 13,66, -7,52%), CCR (CCRO3, R$ 11,42, -7,08%), Ecorodovias (ECOR3, R$ 9,76, -6,69%), CVC (CVCB3, R$ 10,90, -6,52%) , Iguatemi (IGTA3, R$ 27,72, -7,26%)  e BR Malls (BRML3, R$ 8,14, -6,86%) tiveram forte queda.

Sobre a Ecorodovias, ela reportou que o volume de veículos nas estradas sob suba concessão  caiu 29,1% no período entre 16 de março e 5 de maio, comparado com o mesmo período em 2019. O período foi escolhido para demonstrar o efeito da pandemia de coronavírus no tráfego.

Confira os destaques:

Maiores altas

AtivoVariação %Valor (R$)
KLBN1110.9257320.61
SUZB37.499445.01
MRFG37.3286113.62
BEEF37.2981413.82
GGBR46.9587612.45

Maiores baixas

AtivoVariação %Valor (R$)
RENT3-8.429.77
TOTS3-7.5165118.21
AZUL4-7.5152313.66
IGTA3-7.4606927.66
CCRO3-7.0789311.42

Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,26, -2,70%)

O Banco do Brasil informou na manhã de hoje que obteve um lucro líquido ajustado de R$ 3,40 bilhões no 1º trimestre de 2020, uma queda de 20,1% em comparação a igual trimestre do ano passado. O banco informou que, devido ao cenário desafiador com a epidemia da Covid-19, realizou provisões de R$ 2 bilhões no período, o que provocou a queda no lucro líquido. O banco calculou que, sem levar em conta as provisões, houve crescimento estrutural de 15,4% sobre o 1º trimestre do ano passado.

Do total de provisões, foram R$ 1,17 bilhão no segmento pessoa física, R$ 824 milhões para a carteira de empresas e R$ 46 milhões no agronegócio. Segundo o banco, o reforço foi “prudencial” diante do “atual cenário desafiador para todo o sistema”.

A carteira de crédito avançou 5,8% sobre o 1º trimestre do ano passado, para R$ 725 bilhões no 1º trimestre deste ano. A carteira pessoa física teve o maior avanço, de 9%; a carteira pessoa jurídica cresceu 5,9%; a carteira rural cresceu 2,5%. Segundo o BB, os empréstimos consignados puxaram o avanço da carteira pessoa física, crescendo pouco mais de 16%. O BB informou que o índice de inadimplência superior a 90 dias sofreu redução de 10 pontos porcentuais em comparação ao 4º trimestre de 2019, ficando em 3,17% no fim de março.

As despesas administrativas cresceram 2,7% em doze meses e segundo o banco estatal estão sob controle. Como destaque, o BB afirma que a chegada da epidemia do coronavírus acelerou o uso do app do banco a partir de março, com 1,5 milhão de novos usuários na plataforma, que chegou a 15,8 milhões de clientes. “Em abril, a média diária de clientes que passaram a usar o app foi 358% superior aos últimos seis meses”, informou o BB.

O reforço nas provisões por conta da pandemia se refletiu na rentabilidade da instituição, que vinha melhorando até então como resultado da estratégia do banco de atuar em segmentos de melhores margens. O retorno sobre o patrimônio líquido médio no critério mercado, chamado de RSPL pelo BB, caiu a 12,5% no primeiro trimestre ante 17,7% no anterior. No conceito ajustado, o indicador ficou em 10,5% contra 14,7%, respectivamente.

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O BB fechou março com patrimônio líquido de R$ 112,315 bilhões, 6,9% maior em um ano. Em relação aos três meses anteriores subiu 3,5%.

Em ativos totais, o BB alcançou R$ 1,580 trilhão em ativos, aumento de 4,2% em um ano, impulsionado pelo aumento do crédito em meio à crise da covid-19. Ante o trimestre imediatamente anterior teve elevação de 7,6%.

O banco Morgan Stanley avaliou os resultados do 1º trimestre de 2020 do Banco do Brasil. Segundo o banco americano, o Banco do Brasil teve um trimestre “difícil” e seus resultados foram afetados pelas provisões de R$ 2 bilhões, que impactaram o lucro líquido. “A queda no lucro líquido, em grande parte, aconteceu por causa das provisões mais altas. Excluindo as provisões, os resultados não parecem tão ruins. Houve crescimento de 4% no portfólio expandido de empréstimos e um maior controle das despesas”, avalia o Morgan Stanley. O banco americano mantém a nota overweight – peso acima da média do mercado, com preço-alvo de R$ 48,00 para a ação BBAS3 em 2020.

O banco Bradesco BBI avaliou como positivo o resultado do 1º trimestre do Banco do Brasil, notando que o aumento das provisões, que levou a uma queda no lucro líquido, também ocorreu nos grandes bancos privados brasileiros. “Se não fossem os custos mais altos do risco verificados no trimestre, os resultados provavelmente surpreenderiam no upside”, comentou o BBI, que manteve a nota neutra para o papel BBAS3, com preço-alvo de R$ 35,00 para 2020. O BBI explica a manutenção da nota porque prevê que as provisões deverão aumentar no 2º trimestre.

Ambev (ABEV3, R$ 11,54, -2,45%)

A Ambev, maior fabricante de cerveja e refrigerantes da América Latina, teve lucro líquido de R$ 1,211 bilhão no primeiro trimestre deste ano, queda de 55,9% em relação aos 3 primeiros meses de 2019 (R$ 2,7 bilhões).

O lucro líquido ajustado, que exclui itens extraordinários, totalizou R$ 1,227 bilhão,  55,6% menor na comparação anual.

“Num contexto global de diminuição do consumo de bebidas alcoólicas por conta do COVID-19, a Ambev teve leve redução de 1,6% em sua receita líquida consolidada em comparação ao primeiro trimestre do ano anterior, totalizando R$ 12,6 bilhões. O volume consolidado da companhia, em comparação ao mesmo período de 2019, teve queda de 5,6%”, destacou a empresa no release de resultados.

O  faturamento no Brasil teve queda de 9,6% no 1º trimestre, a R$ 6,5 bilhões, enquanto o volume total de vendas (cerveja + não alcoólicos) foi 9,1% menor.

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No segmento Cerveja Brasil, os volumes caíram 11,5% na base anual, acima da estimativa do consenso de 10%. Conforme destaca a XP Investimentos, isso pode manter as ações pressionadas, uma vez que o ambiente competitivo continua sendo uma das principais preocupações.

“Os volumes foram impactados por uma indústria fraca e por um mix desfavorável, uma vez que o segmento premium, no qual a empresa tem menor participação de mercado, teve um desempenho consideravelmente melhor que a indústria total. O surto de COVID-19 resultou no fechamento da maior parte do canal on-trade (bares e restaurantes) a partir de meados de março, levando a uma redução no volume de 29,1% naquele mês. De acordo com a Nielsen, a indústria cervejeira caiu um dígito médio no trimestre”, avalia.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), foi de R$ 4,23 bilhões no 1º trimestre deste ano, um recuo de 18% em comparação ao ano passado.

A margem Ebitda recuou de 40,5% para 33,6% no trimestre. Segundo a empresa, a margem Ebitda recuou por fatores cambiais (depreciação do real) e à “desalavancagem operacional devido a menores volumes de vendas”. O fluxo de caixa operacional foi de R$ 1,54 bilhão, queda de 25,8%, enquanto os investimentos cresceram 146,6% para R$ 1,34 bilhão. A receita líquida da Ambev no 1º trimestre foi de R$ 12,60 bilhões, queda de -0,3% em comparação ao 1º trimestre de 2019.

Em seu relatório de resultados, a Ambev já antecipou um dado do impacto da crise com o novo coronavírus. Em abril, o volume de cerveja vendido caiu 27% em bases consolidadas de suas operações.

“O impacto total da pandemia da covid-19 em nossos resultados futuros permanece bastante incerto, mas esperamos que o impacto nos nossos resultados do segundo trimestre de 2020 seja materialmente pior do que no primeiro trimestre de 2020”, diz a companhia.

A empresa avalia que, com a queda do volume e a mudança em direção ao canal off-trade, haverá um grande impacto na rentabilidade em razão da baixa alavancagem deste movimento.

AES Tietê (TIET11, R$ 14,43, -0,14%)

A concessionária de energia AES Tietê divulgou resultados do 1º trimestre de 2020 e comunicou que obteve um lucro líquido de R$ 75 milhões no período, uma expansão de 21,5% sobre igual período do ano passado. A receita líquida da empresa teve uma pequena expansão de 1,6% no 1º trimestre deste ano, para R$ 494 milhões. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 312,8 milhões, crescimento de 18% sobre o 1º trimestre de 2019. A margem Ebitda da AES Tietê avançou 9 pontos porcentuais sobre o 1º trimestre do ano passado, para 63,3%.

A empresa informou que reduziu sua dívida líquida de R$ 3 bilhões para R$ 2,86 bilhões. A relação dívida líquida sobre o Ebitda recuou de 2,93 vezes (2,93x) no 1º trimestre de 2019 para 2,64 vezes (2,64x) no 1º trimestre deste ano. O destaque da AES Tietê no período foi ter recebido uma oferta hostil da Eneva Energia, que ofereceu R$ 2,75 bilhões pela empresa paulista, mais uma troca de ações. A oferta foi rechaçada após 45 dias. O Conselho de Administração da AES Tietê explicou no balanço que estudou a proposta “com cuidado” mas concluiu que os perfis e planos estratégicos das empresas são diferentes.

A AES Tietê afirma que gastou R$ 32 milhões no estudo da oferta e comunicou que este valor impactará seus resultados no 2º trimestre. Em outro comunicado, a AES Tietê informou que pagará dividendos de R$ 89 milhões acionistas no dia 20 de maio. A data de corte será 11 de maio e as ações da empresa serão negociadas “ex-dividendos” a partir do dia 12.

A XP Investimentos destacou que a companhia divulgou fortes resultados, com Ebitda ajustado acima das expectativas, refletindo uma estratégia de compra a venda de energia eficiente, além dos impactos positivos da diversificação de portfolio para fontes renováveis não convencionais. Ainda houve a distribuição de 118% do lucro como dividendos (dividend yield de 1,55%), “o que reforça a nossa visão de que a a AES Tietê deve ser uma das poucas no setor a proporcionar dividendos atrativos a acionistas no atual ambiente de incerteza devido à pandemia da Covid-19”, aponta o analista Gabriel Fonseca.

Totvs (TOTS3, R$ 18,21, -7,52%)

A Totvs teve lucro ajustado de R$ 62,9 milhões no primeiro trimestre de 2020, alta de 43,5% em relação a igual período de 2019. O Ebitda ajustado foi de R$ 126,9 milhões, alta de 10,6%.

A receita líquida da companhia subiu 6,7% sobre o primeiro trimestre do ano passado, para R$ 601,4 milhões, “mesmo com o início da crise da Covid-19 na segunda quinzena de março”.

A companhia reduziu 37,8% sua provisão para inadimplência ante o primeiro trimestre do ano passado, para R$ 5,56 milhões, com o menor volume de atraso de clientes no início de ano. Ela ainda destacou não ter visto impacto relevante no risco de crédito devido aos efeitos econômicos da epidemia entre seus clientes.

De acordo com o Bradesco BBI, a queda das ações da Totvs como reação aos resultados nesta quinta foi exagerada, apontando que a empresa registrou mais um trimestre sólido. Já em teleconferência, foi destacado o principal ponto positivo: o crescimento de dois dígitos nas receitas recorrentes. Assim, os analistas do banco apontam que a queda exagerada pode ser uma oportunidade de compra.

Irani (RANI4, R$ 8,00, +63,27%)

A Irani Papel e Embalagem viu seu lucro passar de R$ 242 mil no primeiro trimestre de 2019 para R$ 18 milhões em igual período de 2020. A companhia apontou que os principais impactos no resultado líquido deste trimestre foram o crescimento da receita líquida de vendas, a variação positiva do valor justo dos ativos biológicos e a melhor margem das exportações em função da valorização do dólar e do euro frente a moeda brasileira.

Já a receita operacional líquida foi de R$ 236,323 milhões, alta de 17% na base anual. O custo dos produtos vendidos  foi de R$ 163.471 mil, 19,1% superior ao do primeiro trimestre se comparado em números absolutos. A variação do valor justo dos ativos biológicos não está sendo considerada no valor do custo dos produtos vendidos.

As despesas com vendas no totalizaram R$ 21,3 milhões, alta de 12,0% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. As despesas administrativas totalizaram R$ 17,1 milhões, um aumento de 20,7% na base anual. Já o  Ebitda ajustado foi de R$ 52,2 milhões, com margem de 22,1%, 3,4% superior ao apurado no primeiro trimestre do ano passado de R$ 50,5 milhões com margem de 25,0%.

Em transmissão ao vivo da Irani que o InfoMoney acompanhou, Sérgio Ribas, CEO da companhia, apontou: “O primeiro trimestre para nós acabou sendo muito bom. Os resultados vieram melhores do que o esperado. Foi bom tanto em volume de vendas, repasses de preços, em função de o mercado ter entrado bem aquecido este ano, e também em função da conclusão de parte daquelas operações que tínhamos de vendas de ativos.”

“Temos hoje uma governança adaptada para este momento de crise. Nos reunimos todos os dias para avaliar as nossas condições operacionais e o combate ao coronavírus. Todas as nossas operações estão normais até aqui. Estamos produzindo papel tanto para exportação quanto para o mercado interno, as plantas de embalagens estão bem ocupadas neste período, surpreendentemente com números acima do nosso orçamento”, afirmou Ribas.
Odivan Cargnin, CFO da companhia, enfatizou que a dívida da empresa caiu R$ 21 milhões de um trimestre para o outro e que a companhia tem uma política de manter caixa de R$ 100 milhões para garantir liquidez e enfrentar períodos adversos. “O caixa ficou ligeiramente abaixo disso no primeiro trimestre. O endividamento líquido ficou em 719,2 milhões. Nós procuramos manter nossa política sempre”, disse.

Notre Dame (GNDI3, R$ 57,05, +5,14%)

O Grupo Notre Dame Intermédica divulgou balanço do 1º trimestre de 2020 e informou que obteve lucro líquido de R$ 208 milhões no período, uma expansão de 40,9% sobre igual período de 2019.

A empresa de planos de saúde teve como destaques no trimestre a reinauguração do seu hospital-sede Intermédica no ABC Paulista, além da aquisição da Ecole, uma pequena operadora de planos de saúde na Região Metropolitana de São Paulo, e do laboratório LabClin, em Americana (SP). É importante lembrar que os resultados do GNDI3 incluem os do grupo Clinipam, que atua no Paraná e Santa Catarina e foi adquirido em novembro de 2019, e do Hospital São Lucas, de Americana, também comprado pela empresa no ano passado. O GNDI obteve no 1º trimestre deste ano um avanço de 34,9% na receita líquida, sobre igual período do ano passado, para R$ 2,5 bilhões. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 408,5 milhões, um crescimento de 40,4% sobre igual período de 2019.

O grupo informou que sua carteira de clientes de planos médicos e odontológicos atingiu 6,1 milhões de pessoas, uma expansão de 31,6% sobre o 1º trimestre do ano passado. No intervalo de um ano, o GNDI passou a operar quatro novos hospitais, incluído o reinaugurado em São Bernardo do Campo (SP), totalizando 23 unidades. Com a chegada da epidemia do coronavírus ao Brasil, o grupo montou um Comitê de Gestão de Crises, isolando áreas para possíveis pacientes, comprando equipamentos e reagendando cirurgias não emergenciais de outros pacientes, para reduzir os riscos do contágio.

Os bancos Bradesco BBI e Itaú BBA avaliaram como muito positivos os resultados do 1º trimestre do Grupo Notre Dame Intermédica. Ambos ressaltaram que a empresa manteve um forte crescimento orgânico durante o período, conquistando mais de 90 mil clientes, e extraindo uma forte sinergia com as operações da Clinipam, que comprou no Sul, e com a São Lucas, adquirida no interior paulista. A previsão é que a empresa continuará a crescer nas duas regiões no 2º trimestre, mesmo com a recessão provocada pelo coronavírus. “O sólido crescimento das vendas brutas, junto à manutenção dos funcionários e a um menor número de contratos encerrados por clientes ajudaram a sustentar a tendência positiva da empresa, que ultrapassou concorrentes”, avalia o Itaú BBA. “Mais uma vez, os resultados do GNDI foram impressionantes”, conclui o BBA, que mantém a recomendação outperform – acima da média, para a ação GNDI3, com preço-alvo de R$ 81,00 para 2020, uma alta de 49,3% sobre o fechamento de ontem na B3.

Já o Bradesco BBI também definiu os resultados como “sólidos”, com sinergias “melhores que as esperadas” com a Clinipam e a São Lucas. O BBI também observa que a empresa obteve ganhos com o menor número de cirurgias em março, efeito da chegada da epidemia da Covid-19 ao Brasil. “A trajetória impressionante de resultados prova que existe espaço para crescer na crise com o desenvolvimento de sinergias”, avalia o BBI, afirmando que devido ao preço competitivo, o GNDI deve continuar sua expansão no 2º trimestre. O Bradesco BBI reafirma a nota outperform – acima da média de mercado, com preço-alvo de R$ 72,00 para o papel GNDI3 em 2020.

Profarma (PFRM3, R$ 4,82, -7,66%)

A Profarma teve lucro líquido de R$ 781 mil no primeiro trimestre, já com os números contabilizados pelas normas do IFRS16, revertendo o prejuízo de R$ 8,513 milhões do mesmo período de 2019.

O diferimento de R$ 3,6 milhões de Imposto de Renda levou à reversão do prejuízo, já que o prejuízo operacional de R$ 2,8 milhões.

A receita líquida, por sua vez, teve alta de 27,4%, para R$ 1,4 bilhão. Já o lucro bruto foi de R$ 187,3 milhões, 13,8% maior que o do primeiro trimestre de 2019.

Brasil Agro (AGRO3, R$ 21,47, +1,75%)

A BrasilAgro, Companhia Brasileira de Propriedades Agrícolas, publicou o andamento da safra 2019/2020 após o encerramento do 1º trimestre. “Nesse trimestre, concluímos o plantio do milho safrinha em uma área de 17.894 hectares, totalizando uma superfície plantada de mais de 153,0 mil hectares nessa safra”, informou a empresa.

A produção de soja estimada para a safra 19/20 está em 158,6 toneladas, 2,7% superior à safra anterior; a produção de milho safra está estimada em 29,8 toneladas, 89,2% superior à safra anterior; a produção de milho safrinha está estimada em 10,15 toneladas, 73,8% superior à safra anterior; a produção de feijão safrinha está estimada em 7,8 toneladas, enquanto a de algodão em 8,2 toneladas (67,2% a mais que na safra anterior).

No total, a BrasilAgro projeta uma safra de 305,9 toneladas de grãos em 19/20, uma expansão de 31% sobre a safra anterior. “Esperamos aumentar a produção de soja em 2,3%, de milho em 38,7% e de milho safrinha em 7,7% em relação à estimativa inicial divulgada na safra. As decisões que ocasionaram tais alterações são decorrentes da reavaliação que fazemos conforme o decorrer da safra e de acordo com impactos climáticos”, informou a empresa.

Banco Pan (BPAN4, R$ 4,86, +0,26% ) 

O banco Pan divulgou os resultados do 1º trimestre deste ano e reportou um lucro líquido de R$ 170 milhões, uma expansão de 77% sobre igual período de 2019. O banco, que opera majoritariamente em plataforma digital, afirma que houve melhoria do resultado financeiro e controle de despesas.

O Pan informou que o retorno sobre o patrimônio líquido médio foi de 13,7% no 1º trimestre de 2020, ante 9,3% em igual trimestre do ano passado. O banco informou que a receita com intermediação financeira foi de R$ 2,4 bilhões no 1º trimestre de 2020 – no mesmo período do ano passado, atingiu R$ 1,77 bilhão. A carteira de crédito do banco avançou 15% sobre o 1º trimestre do ano passado, para R$ 25 bilhões no 1º trimestre de 2020. Além de crédito em plataforma digital para as classes C, D e E, o banco passou a oferecer financiamentos apenas pela Internet para a compra de motos novas e carros usados.

BR Properties (BRPR3, R$ 7,90, -5,50%) 

A BR Properties publicou na noite de ontem os resultados do 1º trimestre de 2020, avaliados como “sólidos” pelo banco Bradesco BBI. A empresa informou uma receita líquida de R$ 76 milhões, um crescimento de 18% sobre o 1º trimestre de 2019, levando-se em conta as propriedades comerciais vendidas no ano passado. O lucro líquido avançou de R$ 9 milhões no 1º trimestre de 2019 para R$ 46 milhões no 1º trimestre deste ano.

Segundo o Bradesco BBI, o forte impulso no lucro ocorreu porque a BR Properties reduziu as suas despesas financeiras em 90%. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) cresceu 25% para R$ 54 milhões, também com a exclusão, no resultado, das propriedades vendidas no ano passado. Em outro comunicado publicado ontem, a BR Properties informou que pagará dividendos de R$ 42 milhões aos acionistas no dia 15 de maio. Segundo a empresa, o pagamento levará em conta a posição de cada acionista na companhia no final do dia 24 de abril deste ano.

Gol (GOLL4, R$ 10,75, -6,68%) e Azul (AZUL4, R$ 13,66, -7,52%)

O BNDES e Bradesco estruturaram o pacote de financiamento às companhias aéreas e esperam que um acordo seja
atingido até o fim da semana que vem, diz o Brazil Journal, citando uma pessoa não identificada que participa do plano.

A exposição combinada do BNDES e do mercado a Gol, Latam e Azul será de no máximo R$ 6 bilhões, com a Embraer podendo receber US$ 500 milhões adicionais e outros US$ 500 milhões em linhas de export finance tradicionais do banco.

O  BNDES diz que não fará desembolso sem que o mercado subscreva pelo menos um terço da dívida a ser emitida pelas empresas. O desembolso deve acontecer na segunda metade de junho.

O negócio deve envolver oferta das debêntures indexadas ao CDI ede warrants, num processo de bookbuilding no qual o retorno máximo para o investidor deve ser fixado em CDI +14%. O  BNDES e Bradesco ainda estão acertando a mecânica do leilão. O exercício dos warrants deve levar a uma diluição dos acionistas atuais entre 20% e 25%.

Conforme destaca a XP Investimentos, caso cada empresa tivesse acesso ao mesmo montante de financiamento dentro dos R$ 6 bilhões, cada uma teria acesso a R$ 2 bilhões (versus os cerca de R$ 3 bilhões anteriores). Apesar de se tratar de uma fonte de liquidez importante para as companhias, o preço definido poderá gerar diferentes cenários de diluição para os acionistas.

“Dentro de um intervalo de preços das ações entre o nível atual e um preço cerca de 70% acima, e assumindo que cada companhia tivesse acesso a R$ 2 bi em financiamento, estimaríamos uma diluição potencial para os acionistas entre 19% e 28% para a Azul e 22% e 33% para a Gol (sendo que quanto menor o preço, maior a diluição)”, avalia a equipe de análise.

(SUZB3, R$ 45,01, +7,50%) e Klabin (KLBN11, R$ 20,61, +10,93%)

O Bradesco BBI elevou a recomendação para as ações da Suzano de neutro para outperform (desempenho acima da média do mercado), com a expectativa de uma geração de fluxo de caixa livre robusta, de R$ 8 bilhões em 2021, e maior desalavancagem para a companhia.

Segundo os analistas, a combinação de (1) real mais fraco num contexto de taxa de juros mais baixa e (2) os esforços para reduzir custos operacionais, serão difíceis de serem ignorados, enquanto preços de celulose parecem ter chegado ao fundo e com recuperação que deve ser gradual.

Por outro lado, eles continuam mais conservadores sobre um rali sustentável de preço de celulose nos próximos meses especialmente pela visão de que os estoques de celulose estão nos níveis normais/altos.

A Klabin permanece como top pick no setor para a equipe de análise, que aumentou o preço-alvo para R$ 27,  com modelo de negócios resiliente, momentum de maiores lucros e balanço sólido.

Centauro (CNTO3, R$ 27,73, -6,79%) 

O Grupo SBF, que controla as Lojas Centauro, aumentou o seu capital social em R$ 3,49 milhões para R$ 1,014 bilhão. Com o aumento de capital, foram emitidas pouco mais de 874 mil ações ordinárias. Com o aumento, o capital social da empresa passou a ser composto por 211 milhões de ações ordinárias. Em comunicado enviado à CVM, o grupo detalhou que lançou um programa de compra das ações, para o qual serão convidados apenas integrantes do Conselho de Administração.

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(Com Agência Estado e Bloomberg)