Destaques da bolsa

Ações da Azul sobem, enquanto Gol e CVC caem forte; Renner e Via Varejo desabam até 12%

Confira os destaques da B3 na sessão desta segunda-feira (23)

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SÃO PAULO – Os anúncios do Banco Central do Brasil de reduzir compulsório e do Federal Reserve de ampliar o escopo de seu programa de estímulos deram alívio apenas temporário ao Ibovespa. O índice chegou a subir, mas logo virou para baixo, fechando com queda superior a 5%.

A Petrobras (PETR3; PETR4) caiu mais de 3%. Terminou hoje período de bloqueio à venda das ações da estatal após a oferta do BNDES.

Em termos percentuais, novamente as varejistas foram as mais impactadas, uma vez que várias delas fecharam as suas lojas temporariamente por conta do coronavírus.

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Via Varejo (VVAR3) e Lojas Renner (LREN3) chegaram a cair mais de 12%, enquanto Gol (GOLL4) e CVC (CVCB3) registraram forte baixa após chegarem a se recuperar parcialmente na sexta-feira. Por outro lado, os papéis da Azul (AZUL4) subiram. Apesar disso, o cenário para aéreas segue nebuloso com diversos cancelamentos de voos e redução da capacidade operacional.

A Usiminas (USIM5) também viu suas ações em queda: a siderúrgica espera queda em suas vendas para os próximos meses por causa do coronavírus.

Confira os destaques:

Vale (VALE3

A Vale informou que comprou 5 milhões de kits de testes do coronavírus e doará o material ao governo brasileiro. Segundo a mineradora, o primeiro lote, com 1 milhão de kits, será entregue pelo fornecedor chinês na sexta-feira (27 de março) e deverá chegar ao Brasil na semana seguinte. A Vale informou que os outros lotes com 4 milhões de kits deverão chegar ao Brasil no decorrer de abril.

Cemig (CMIG4

A Cemig informou que a sua subsidiária Renova Energia S.A., em recuperação judicial, aceitou oferta vinculante feita pela ARC Capital, G5 Administradora de Recursos e XP Vista Asset Management para financiamento da conclusão das obras do Complexo Eólico Alto Sertão III – Fase A. O oferta também é para a Renova cobrir despesas operacionais correntes. As obras do complexo de Alto Sertão III, no interior da Bahia, foram paralisadas há anos pela Renova. A subsidiária da estatal mineira entrou com pedido de recuperação judicial em dezembro do ano passado, informando dívidas de R$ 3,1 bilhões.

Varejistas

O Goldman Sachs, em relatório, apontou que vê maior risco potencial para suas estimativas de lucros em 2020 para varejistas de roupas e
calçados, como Lojas Renner (LREN3), Arezzo (ARZZ3), Centauro (CNTO3) e Cia Hering (HGTX3), dada a
natureza não essencial de seus negócios.

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A análise do Goldman sugere que os riscos potenciais são de -34% para a Renner, -32% para Arezzo, -31% para Centauro e -26% para Hering.

Por outro lado, os analistas enxergam um impacto menor para RD (RADL3) e Lojas Americanas (LAME4), uma vez que essas empresas são consideradas pelo governo como de serviços essenciais de distribuição e a maioria de suas lojas é de rua.

O Goldman disse ainda que não incluíram varejistas de bens duráveis nessa análise preliminar, pois esperam que uma parcela potencialmente maior da demanda mude para compras on-line.

IRB (IRBR3)

O IRB informou que Lúcia Maria da Silva Valle foi destituída do cargo de vice-presidente executiva de riscos e conformidade. Wilson Toneto, que foi CEO da Mapfre, e presidente do Conselho de Administração do Grupo Segurador BB e Mapfre, substituirá a executiva. A decisão foi do conselho de administração do ressegurador.

Via Varejo (VVAR3)

A Via Varejo comunicou no sábado que fechou todas as lojas físicas das bandeiras Casas Bahia e Ponto Frio, em 20 estados brasileiros e no Distrito Federal, por causa da epidemia do coronavírus. As lojas foram fechadas ao meio-dia do próprio dia 21 e ficarão sem funcionar por prazo indeterminado, embora a Via Varejo tenha ressaltado que o comércio eletrônico continua em operação. No total, a medida para ajudar na contenção da epidemia no Brasil envolveu o fechamento de 700 lojas da Casas Bahia e 250 do Ponto Frio. “Continuaremos a acompanhar a evolução da pandemia do Covid-19 de forma a avaliar, em linha com as medidas sanitárias e médicas em vigor, o melhor momento para a reabertura”, informou a Via Varejo.

Lojas Marisa (AMAR3

A Lojas Marisa informou no domingo que fechou todas as suas 300 lojas no Brasil, também por causa do avanço do Covid-19. “A companhia decidiu fechar as lojas físicas em todo o Brasil por tempo indeterminado, em função dos desdobramentos recentes relacionados ao Covid-19”, comunicou a varejista. A empresa também ressaltou que o comércio eletrônico continua a funcionar e os funcionários da parte administrativa trabalharão em home office a partir desta semana.

Vulcabras (VULC3)

A Vulcabras Azaleia informa que decidiu paralisar todas as unidades fabris e escritórios da companhia em razão do coronavírus. A empresa permanecerá em férias coletivas por um período de 21 dias, contados a partir do dia 23 de março de 2020, exceto alguns departamentos essenciais que trabalharão de forma remota e com a equipe reduzida.

“Esta decisão está alinhada ao conjunto de medidas já adotadas pela companhia visando preservar a segurança das pessoas envolvidas em suas atividades e também para colaborar na redução da transmissão da covid-19, em conformidade com as orientações proferidas pelas autoridades”, explica a empresa em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

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A empresa afirma ainda que, neste momento, não há como precisar os impactos a longo prazo no cenário econômico, e, em especial, os impactos nas operações da companhia.

Guararapes (GUAR3)

A Guararapes anunciou na sexta-feira à noite o fechamento de todas as lojas da Riachuelo desde o último sábado, por tempo indeterminado, por conta da epidemia do novo coronavírus (covid-19).

Na quinta, a empresa havia informado que suspendeu as atividades das fábricas que possui em Fortaleza e Natal e que deu férias coletivas a todos os 12 mil funcionários que trabalham nos parques fabris.

Portobello (PTBL3)

A Portobello, uma das maiores fábricas de cerâmicas do Brasil, divulgou balanço do quarto trimestre de 2019 e do ano passado inteiro. A Portobello obteve um lucro líquido de R$ 13,1 milhões em 2019, uma queda de 90% em comparação aos R$ 134 milhões de 2018.

O lucro líquido apenas no quarto trimestre também caiu, 68% sobre igual período de 2018, para R$ 9,1 milhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) foi de R$ 30,2 milhões no quarto trimestre de 2019, uma retração de 56% sobre igual período de 2018.

O Ebitda do ano inteiro foi de R$ 128,8 milhões, queda de 55% sobre 2018. Os resultados da Portobello vieram mais fracos que em 2018 porque, afirma a empresa, aumentaram os custos da energia – o negócio da cerâmica demanda muito combustível para os fornos.

A receita líquida da empresa avançou 11,5% no quarto trimestre do ano passado, sobre 2018, para R$ 382,2 milhões. No ano inteiro, a receita líquida avançou 6,8% para R$ 1,11 bilhão. Os resultados são recorrentes.

Como ganhos não recorrentes, a Portobello obteve R$ 41 milhões em créditos fiscais reconhecidos pelo judiciário e outros R$ 170 milhões com um precatório relativo ao crédito do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados.

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A empresa comentou que usou os recursos para investir em melhorias na área industrial, sobretudo na marca Pointer, e para reforçar o fluxo de caixa.

A Portobello também ampliou sua presença nos Estados Unidos. Embora os dados em geral da Portobello sejam bons, a empresa teve aumento na relação dívida líquida sobre o Ebitda, que passou de 1,64 vezes (1,64x) em 2018 para 3,32 vezes (3,3x) no final de 2019.

A empresa fechou 2019 com uma dívida líquida de R$ 427,1 milhões. Segundo a Portobello houve alongamento na dívida e 69% têm vencimento em longo prazo. A administração irá propor a distribuição de R$ 6,2 milhões em dividendos aos acionistas.

Mitre (MTRE3)

O banco Itaú BBA iniciou a cobertura dos papéis da construtora e incorporadora Mitre, que atua na capital paulista. A Mitre recentemente fez oferta pública de ações na B3 e na avaliação do BBA “está bem posicionada para participar da retomada do mercado imobiliário na cidade de São Paulo pelos próximos anos”.

O BBA comenta que após o sell-off na B3 provocado pelo coronavírus, a ação da Mitre está em um ponto bom de entrada, com a perda de 44% do valor desde o IPO em fevereiro.

“Na nossa visão, a avaliação da Mitre não incorporou o crescimento nos lançamentos (de imóveis) após o sell-off. Como fatores de risco, apontamos o aumento da competição no segmento médio e médio-alto imobiliário, porque as construtoras levantaram mais de R$ 3,3 bilhões com as ofertas de ações desde julho de 2019”, comenta o BBA.

O banco fixou preço-alvo de R$ 17,70 para a ação MTRE3 em 2020, uma alta de 64% sobre os valores da última sexta-feira na B3. A nota é outperform – acima da média.

Oi (OIBR3

A Oi, operadora de telefonia em recuperação judicial, informou que a B3 aceitou um pedido da empresa para a suspensão da obrigação de enquadramento da cotação das suas ações. Segundo a Oi, a suspensão valerá até a data da Assembleia Geral de Credores da empresa, marcada para 6 de novembro deste ano.

A Oi afirma ter feito o pedido para evitar prejuízos aos acionistas e credores da operadora, “tendo em vista que nos próximos meses deverá ocorrer a venda de ativos dentro do contexto do Plano de Recuperação Judicial”. A suspensão, conforme o pedido da Oi, vale para as ações emitidas após 9 de março deste ano.

Eletrobras (ELET3; ELET6

O Banco Morgan Stanley mudou a classificação das ações da estatal Eletrobras de abaixo da média para acima da média, após as quedas de preços dos papéis nos sell-off provocados pelo coronavírus. O banco explica que como geradora e transmissora a Eletrobras tem boa posição defensiva e seu preço caiu 51% com a correção.

CPFL (CPFE3

O Morgan Stanley reiterou a recomendação acima da média para a ação da geradora e transmissora de energia privada Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), cujas ações tiveram queda de preços de 29% nos recentes sell-off do coronavírus na B3. Para o banco, a ação CPFE3 tem boa posição defensiva.

Sabesp (SBSP3

O Morgan Stanley rebaixou a ação da estatal paulista de água e saneamento Sabesp para “média do mercado”. O banco avalia que a ação da Sabesp agora oferece uma exposição maior, com a possibilidade de ganhos menores e com a probabilidade das discussões sobre a privatização da empresa serem novamente adiadas por causa da pandemia.

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(Com Bloomberg e Agência Estado)