Reação das ações

Ações da Petrobras (PETR3;PETR4) fecham em alta após escolha de novo CEO: o que os analistas esperam para os papéis da estatal?

Sessão é de ganhos para ativos apesar de nova queda do petróleo, com mercado vendo manutenção das políticas para a estatal

Por  Equipe InfoMoney -

A sessão foi de alta para as ações ON e PN da Petrobras (PETR3;PETR4), na sequência da indicação de Adriano Pires para o cargo de presidente da estatal, com a visão dos analistas de mercado de que não deve haver grandes mudanças na política de preços da companhia.

Os papéis ON fecharam a sessão desta terça-feira (29) com ganhos de 1,23%, a R$ 34,50, enquanto os ativos PN tiveram ganhos mais significativos, de 2,22%, a R$ 32,30. Os ativos, vale ressaltar, também acompanharam o dia positivo para o mercado com os avanços nas negociações entre Ucrânia e Rússia e apesar da queda de cerca de 1% do contrato futuro do brent para maio em meio às notícias de lockdowns na China, que podem ameaçar a demanda pela commodity.

Mas foi sobretudo a escolha do nome de Adriano Pires para substituir Joaquim Silva e Luna, consultor experiente, que gerou alívio no mercado. Isso ainda que também tenha intrigado analistas, uma vez que sugere continuidade nas políticas da estatal dada a sua linha de pensamento e suas constantes declarações para a mídia e em artigos de opinião.

Isso em um contexto de insatisfação do presidente Jair Bolsonaro com o reajuste de preços promovido neste mês pela gestão Silva e Luna, em um cenário de alta da inflação. Porém, num curto prazo, a expectativa é por continuidade da gestão.

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Em coluna para o InfoMoney publicada no último dia 13 de março, Pires destacou que a Petrobras errou em ficar tanto tempo sem reajustar os preços (antes do último reajuste), criando defasagens muito elevadas em relação ao mercado internacional, alertando também para o risco crescente de desabastecimento.

Pires é favorável à criação de um fundo de estabilização que proteja o mercado doméstico de períodos de grandes flutuações dos preços internacionais – como no momento, em função da invasão da Ucrânia pela Rússia. Em suas últimas declarações, defendeu o uso de dividendos para a criação do fundo. Também já defendeu a possibilidade de se conceder subsídios em períodos de crise, instrumento que a equipe econômica praticamente em coro refuta, alegando que se trataria de benefícios para as classes média e média alta, quando são os mais pobres os mais necessitados.

Nesse cenário, analistas mantiveram as suas recomendações para os papéis da Petrobras após a decisão do governo de trocar o CEO.

O Itaú BBA, o Bradesco BBI e o Credit Suisse seguem com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado, ou equivalente à compra) para as ações da estatal.

O BBA tem preço-alvo de R$ 38 para os ativos PETR4, ou potencial de valorização de 20% em relação ao fechamento da véspera, enquanto o BBI tem preço-alvo de R$ 50 para os ativos (upside de 58%), após ter elevado o target na semana passada. Na ocasião, os analistas destacaram que, apesar do ruído político, a empresa pode pagar consistentemente quatro vezes mais dividendos do que seus pares globais aos preços atuais das ações (pelo menos 25%). “Isso mostra como muito do medo político é precificado em ações”, apontou o BBI.

O Credit Suisse, por sua vez, tem preço-alvo de US$ 17 para os ADRs (American Depositary Receipt, na prática, as ações da companhia negociadas na Bolsa americana) PBR (equivalente aos ordinários) negociados na Bolsa de Nova York, também um upside de cerca de 20%.

O UBS BB tem recomendação de compra para os ativos PETR4, com preço-alvo de R$ 44, ou upside de 39%. “Olhando para frente, nós continuamos reiterando nossa visão de que a Petrobras manterá sua política de precificação de combustíveis,
mesmo que ligeiramente abaixo da paridade por algum período de tempo. Além disso, sinalizamos que a Petrobras é exportadora líquida e e deve se beneficiar desse ambiente”, avaliam os analistas.

A governança da Petrobras, avalia o banco, não permite decisões que possam resultar em perdas estruturais diretas (ou seja, importar com custos mais altos e vender no mercado interno mais barato), lembram os analistas. “Nós não esperamos que a simples mudança do CEO leve a uma nova política, mas sim interpretamos o movimento do governo como uma forma de atender às preocupações da sociedade sobre combustíveis, mesmo que não se concretize em alterações nos preços”, avalia o banco suíço.

O Morgan Stanley, por sua vez, segue com recomendação equalweight (exposição em linha com a média do mercado, ou equivalente à neutra), com preço-alvo de US$ 14 para os ADRs PBR, ou uma queda de 1,3% em relação ao fechamento da véspera.

“Permanecemos à margem das ações, evitando riscos políticos. A política de precificação de combustíveis da Petrobras está em destaque no Brasil, e não vemos uma maneira fácil de a empresa alterar os preços dos combustíveis para níveis de paridade enquanto o petróleo permanece em níveis altos, considerando os índices de inflação e a proximidade do ciclo eleitoral no país nos próximos meses”, avaliam.

Os analistas do Citi têm recomendação de compra para os ADRs PBR ainda que com preço-alvo de US$ 14, assim como o Morgan, que tem recomendação equivalente à neutra. Eles destacam que Pires está alinhado com a atual política de preços da Petrobras. Contudo, observa que a companhia teve em sua história, desde 1954, 39 CEOs (Pires será o 40º), uma média de 1 CEO para casa 1,7 ano. Isso indica que a empresa sofre interferência externa significativa, criando risco de continuidade para a estratégia dela.

Flávio Conde, head de Renda Variável da Levante Ideias de Investimentos, assim como o Morgan, não recomenda ter ações da Petrobras, mesmo com o desempenho positivo nesta sessão. O analista ressalta que, as próximas semanas, com atenção a um possível término na guerra na Ucrânia, e, os próximos meses, principalmente, a partir de junho, com a eleição presidencial em foco, podem ser voláteis e ruins para o desempenho dos ativos.

Já o Safra destaca que a Petrobras continua sendo uma empresa estatal sujeita a interferências do governo. No entanto, avalia, a estatal não está apenas em boa situação financeira, mas também de alguma forma protegida por uma estrutura legal que acaba tornando o controle dos preços dos combustíveis domésticos mais difícil do que antes.

“Dito isso, o governo brasileiro é o acionista controlador da empresa e o aumento do ruído político, à medida que avançamos para as eleições de outubro, deve trazer volatilidade ao preço das ações, especialmente se os preços do petróleo permanecerem próximos ao seu nível atual”, avalia. A casa tem recomendação de compra para os ativos PETR4, com preço-alvo de R$ 38 (ou upside de cerca de 20% frente o fechamento da véspera).

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