Destaques da bolsa

Ações de Petrobras, bancos e aéreas caem forte com aversão ao risco do mercado; Cielo despenca 13%

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta quarta-feira (24)

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plataforma de petróleo da Petrobras
(Shutterstock)

SÃO PAULO – As ações da Cielo (CIEL3, R$ 4,70, -12,96%) registraram queda expressiva, superior a 11%, na sessão desta quarta-feira (24) após o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderem, na noite de terça-feira, o uso do WhatsApp para transações em parcerias com instituições financeiras no Brasil. Veja mais clicando aqui. 

Já os ativos do IRB (IRBR3, R$ 11,06, -3,83%) abriram em alta de cerca de 3% após medidas aprovadas em Assembleia Geral Extraordinária, mas viraram para queda durante a sessão.

Os ativos da Petrobras (PETR3, R$ 21,91, -2,67%; PETR4, R$ 21,00, -3,00%) também caíram, acompanhando o preço do petróleo em meio ao aumento dos estoques nos EUA e o temor com alta de casos de coronavírus no Japão e na Alemanha.

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Papéis de aéreas, como Gol (GOLL4, R$ 18,24, -8,34%) e Azul (AZUL4, R$ 21,10, -6,22%) também tiveram forte queda em meio aos temores de que a alta de casos possa levar a uma reversão e/ou adiamento nas medidas de flexibilização. Bancos, como Santander Brasil (SANB11, R$ 28,75, -4,68%), Itaú (ITUB4, R$ 25,84, -3,80%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,22, -3,91%) e Bradesco (BBDC3, R$ 19,22, -2,19%; BBDC4, R$ 20,85, -3,25%) também registraram baixa em meio à aversão ao risco do mercado.

Já a B3 (B3SA3, R$ 52,65, +0,71%) fechou em alta depois que o  Credit Suisse reforçou a sua preferência pelo ativo da companhia. Entre as altas ou menores baixas, ficaram as ações de exportadoras em meio à disparada de 3% do dólar, caso de Klabin (KLBN11, R$ 20,48, +2,55%) e Marfrig (MRFG3, R$ 12,91, +3,28%).

Confira os destaques da bolsa nesta quarta-feira (24):

Cielo (CIEL3, R$ 4,70, -12,96%)

O Banco Central e o  Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam, na noite de terça-feira, o uso do WhatsApp para transações em parcerias com instituições financeiras no Brasil.

O BC informou que quer avaliar eventuais riscos para o funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e que a liberação, sem a prévia análise desses impactos, poderia gerar danos em termos de competição, eficiência e privacidade de dados.

Já o Cade suspendeu a parceria da Cielo com o Facebook, que permitiria pagamentos pelo Whatsapp. Após a decisão do BC, a Cielo informou que tomou as providências adequadas e suspendeu os serviços. “A companhia manterá seus acionistas e o mercado informados sobre quaisquer atualizações relevantes relativas ao tema”, destacou.

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De acordo com o Itaú BBA, a suspensão do uso efetivo do WhatsApp Pay pelo Banco Central sugere que o regulador se concentre no lançamento da plataforma PIX, o sistema de pagamento instantâneo da autoridade monetária, cujo principal objetivo é aumentar a concorrência no setor de pagamentos e reduzir a cadeia de valor dos pagamentos.

Os analistas ressaltam que a notícia é surpreendentemente e negativa para a Cielo, destacando que os investidores saudaram o anúncio da parceria entre Cielo e WhatsApp (na segunda-feira após o lançamento, as ações saltaram 14%). A empresa foi a primeira credenciadora que aderiu à parceria com a gigante da tecnologia e uma adoção rápida e forte da plataforma WhatsApp Pay poderia abrir “uma avenida de crescimento interessante” para a Cielo.

No entanto, reforçaram que a decisão do órgão regulador não é definitiva. Vale destacar que, de acordo com a agenda do BC, Roberto Campos, presidente da autoridade monetária, fará reunião nesta quarta-feira (24) com representantes do WhatsApp.

Para o Credit Suisse, a notícia é negativa para a Cielo e marginalmente positiva para as outras adquirentes, especialmente PagSeguro. “Embora ainda não seja possível saber se a medida do BC será definitiva ou temporária, tendemos a ver as notícias como negativas para a Cielo, pois a empresa foi o único processador / adquirente de pagamentos escolhido a participar do acordo até o momento. Em nossa opinião, a parceria com o Whatsapp tem o potencial de gerar uma contribuição relevante para os resultados da Cielo, tendo em vista a rentabilidade atualmente deprimida da empresa. Enquanto isso, as notícias devem ser marginalmente positivas para os outros adquirentes listados, especialmente o PagSeguro”, afirmam os analistas.

A XP também destaca que a visão é negativa, uma vez que a adquirência seria o único processador de pagamentos B2C e B2B até que outras adquirentes chegassem a um acordo com o Facebook, possivelmente aumentando seus volumes a uma atraente taxa de 3,99%. “Acreditamos que a Cielo tinha melhores chances de ser a primeira a se beneficiar das transações iniciais; portanto, um adiamento é prejudicial para a incumbente”, avalia.

Oi (OIBR3, R$ 1,16, +0,87%; OIBR4, R$ 1,50, +2,04%)

O presidente da Oi, Rodrigo Abreu, afirmou que já há interessados na compra da unidade de fibra ótica da empresa, a InfraCo, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo”.

Segundo o executivo, já havia um processo formal em curso conduzido por assessores financeiros. Sem citar nomes dos interessados, Abreu espera que uma proposta vinculante seja firmada no segundo semestre.

O novo plano da Oi prevê a venda de redes móveis, torres e data centers para pagar dívida e sustentar investimentos. Na InfraCo, que será a unidade restante, a Oi quer permanecer como sócia, após vender entre 25% a 51% do capital dessa subsidiária.

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Os analistas do Bradesco BBI veem como positiva o interesse de investidores na InfraCo, uma vez que isso reduz dúvidas sobre a execução do plano de recuperação judicial da empresa de telefonia. “No entanto, destacamos que o plano ainda precisa ser aprovado em uma reunião de credores que deve ocorrer em meados de agosto.”

BRF (BRFS3, R$ 21,87, -1,40%), JBS (JBSS3, R$ 21,83, +1,39%), Marfrig (MRFG3, R$ 12,91, +3,28%) e Minerva (BEEF3, R$ 13,15, +1,62%)

Os frigoríficos brasileiros JBS, Marfrig e Minerva assinaram declarações pedidas por autoridades chinesas dizendo que suas exportações estão livres do coronavírus, segundo informou a Reuters.

Já a BRF, maior exportadora de frango no mundo e fornecedora também de carne suína, informou à agência de notícias que assinou na última sexta-feira a declaração pedida pela China “assegurando a qualidade e segurança de seus produtos”. No entanto, ressaltou que as autoridades de saúde, como OMS, não registram evidências da transmissão da Covid-19 por alimentos.

Ainda no radar do setor, os analistas do Credit Suisse atualizaram a recomendação para as ações da Minerva. O frigorífico tem agora um preço-alvo de R$ 13 com a elevação para “neutro”.

“O Minerva deve continuar se beneficiando do cenário favorito para exportações de carne nos próximos trimestres diante do déficit ao redor do mundo devido à peste suína africana”, avaliaram os analistas.

O Credit lembra que o rebanho de porcos caiu 40% na China e isso elevou a demanda por proteínas de uma forma geral.

Apesar do cenário positivo, os analistas lembram que devido à pandemia do novo coronavírus, o Minerva pode sofrer com o afastamento de funcionários infectados ou pelo eventual bloqueio de fábricas.

B3 (B3SA3, R$ 52,65, +0,71%)

O Credit Suisse reforçou a sua preferência pela B3 nesta quarta-feira, levando em conta o crescimento dos volumes de negociação na Bolsa brasileira.

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O preço-alvo do papel foi elevado de R$ 48 para R$ 68, o que representa um potencial de valorização de 30%. Já a recomendação foi mantida em “outperform”.

Para os analistas, a companhia apresenta ganhos robustos e está atrativa, além de ter uma “história de crescimento estrutural forte no médio e longo prazo com a migração de recursos para ações”.

Como riscos, o Credit Suisse destaca a possibilidade de uma desaceleração dos volumes, uma competição mais intensa e mudanças tributárias.

Aliansce Sonae (ALSO3, R$ 28,50, -2,73%) e CCP (CCPR3, R$ 15,50, -3,13%)

A Aliansce Sonae informou que as operações no Passeio das Águas Shopping, em Goiânia (GO), foram retomadas na terça-feira, mas com horário reduzido.

Segundo a administradora de shoppings, já são 20 estabelecimentos do portfólio da empresa que voltaram a operar, o que representa 68% da área bruta locável (ABL) própria. Ainda em destaque, o Conselho da Aliansce Sonae aprovou a recompra de até 5,32 milhões de ações.

Também em Goiânia, a Cyrela Commercial Properties (CCP) anunciou a reabertura do Shopping Cerrado, que irá operar das 12h às 20h.

A empresa conta com seis shoppings de seu portfólio reabertos.

Sanepar (SAPR11, R$ 32,21, -1,04%), Sabesp (SBSP3, R$ 60,07, +2,33%) e Copasa (CSMG3, R$ 60,45, +0,56%)

O Senado Federal coloca em votação o marco regulatório para o setor de saneamento básico, às 16h, em sessão remota. Nas contas do Ministério da Economia, a aprovação desse arcabouço terá um impacto econômico de R$ 753 bilhões até 2033, segundo reportagem do jornal “O Globo”.

De acordo com o estudo, com as medidas de universalização do saneamento, haverá um impacto social de R$ 453 bilhões em valorização imobiliária. Há ainda outros R$ 200 bilhões em aumento de produtividade do trabalho das pessoas atingidas pelo projeto.

Pelo texto que será apreciado pelo plenário do Senado, as empresas terão de cumprir metas para que, até 2033, 99% da população tenham acesso a água potável e 90%, a coleta e tratamento de esgoto. Confira mais clicando aqui. 

Marcopolo (POMO4, R$ 2,95, -2,64%)

A Marcopolo anunciou que uma de suas controladas, a San Marino Ônibus, obteve decisão favorável em uma disputa de exclusão da base de cálculo do PIS/Cofins, o que abriu espaço para um crédito tributário de R$ 71,9 milhões. A decisão foi com trânsito em julgado, ou seja, não cabe mais recurso.

Esse valor corresponde aos créditos relativos do período de 2003 a 2020 que a San Marino tem agora o direito de compensar. A expectativa é que os valores sem contabilizados nas demonstrações financeiras de junho.

O aproveitamento dos créditos, no entanto, depende de habilitação pela Receita Federal.

IRB (IRBR3, R$ 11,06, -3,83%)

O IRB anunciou as principais medidas aprovadas em Assembleia Geral Extraordinária que devem contribuir para dar maior flexibilidade de rapidez às decisões da empresa.

A primeira delas é a possibilidade do Conselho de Administração deliberar sobre aumentos de capital, dentro de um limite autorizado.

A companhia também aprovou maior flexibilidade na composição da diretoria executiva, que poderá ter entre quatro e sete diretores estatutários, a depender das necessidades da companhia.

Com essa nova configuração, o IRB passa a ter, além das posições já existentes, um diretor Vice-presidente executivo de Resseguros e até três diretores estatutários.

Também foi criada uma reserva de lucros estatutária, que será formada por até 100% do lucro líquido remanescente da companhia após as destinações obrigatórias para a reserva legal e o pagamento do dividendo obrigatório.

Essa reserva vai assegurar que o IRB cumpra os requisitos regulatórios relacionados à manutenção da margem de solvência e garantir recursos para que a Companhia suporte despesas operacionais e realize investimentos.

De acordo com a XP Investimentos, a visão sobre a reunião é mista. “Acreditamos que a primeira medida seja negativa, pois pode implicar uma emissão primária de capital para resolver, entre outros, os problemas de liquidez com a SUSEP, o que poderia diluir os acionistas atuais em um momento em que a ação está historicamente baixa. Por outro lado, a medida de flexibilização dos executivos e a criação de uma reserva de lucro nos parecem positivas, uma vez que possuem o potencial de reforçar a gestão e melhorar os problemas de liquidez da resseguradora, embora nossa visão seja de que os dois últimos sejam questões menores de menor relevância no atual momento”, avalia o analista.

Klabin (KLBN11, R$ 20,48, +2,55%)

A Klabin acertou a venda da unidade de papéis para embalagens localizada na cidade de Nova Campina, em São Paulo, ao Grupo Klingele Paper & Packaging, segundo comunicado ao mercado.

O valor da venda é de R$ 196 milhões, dos quais R$ 132 milhões serão pagos no fechamento da operação; restante será dividido em duas parcelas anuais, sujeito a certas condições contratuais.

O Morgan Stanley viu a operação como positiva, uma vez que a Klabin se mostrou focada nos ativos de caixas de papelão ondulado. “Além de vender esse ativo de embalagem a um preço por tonelada mais alto do que pagou, a empresa manterá a capacidade de papelão, que será suprida com papel proveniente de outras fábricas da Klabin”, explicaram, em relatório, os analistas.

Os analistas do Bradesco BBI lembraram ainda que o objetivo da Klabin ao ter comprado essa fábrica, em março, era a busca por uma maior integração. “O anúncio de hoje pode melhorar ainda mais a economia do negócio, pois entendemos que o valor total da sinergia poderia superar o valor estimado inicial de R$ 105 milhões após a venda de Nova Campina.”

Instituições financeiras

Na véspera, o deputado Zé Vitor (PL-MG) adicionou um parecer com um aumento de 3,6 pontos percentuais no imposto COFINS para 7.6%. O aumento é exclusivo para instituições financeiras e o adicional foi através da Medida Provisória 944.

“Embora seja ainda cedo para sabermos se a medida vai ser aprovada, nossa visão é negativa sobre a possível aprovação, lembrando que dessa vez não apenas bancos seriam atingidos, mas seguradoras, a bolsa e outras empresas de serviços financeiros”, destaca Marcel Campos, analista da XP.

Distribuidoras

Ontem, a diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou as condições de contratação da operação financeira da Conta-Covid, estabelecendo o teto de R$ 16,1 bilhões para o empréstimo que vai dar liquidez às distribuidoras de energia elétrica. O valor da operação não contempla recursos destinados à redução do impacto das revisões tarifárias previstas para 2020. Os custos da operação serão divididos entre consumidores e empresas.

“Vemos como positivo para o setor elétrico como um todo que a Conta-COVID tenha sido finalmente aprovada, garantindo a preservação dos fluxos de caixa para todos os elos do setor (distribuição, transmissão e geração)’, destaca a XP. Contudo, pode haver uma reação negativa do setor de distribuição de energia à exclusão da permissão de registro de ativos regulatórios em seus balanços, apesar da equipe de análise ver como positivo que a ANEEL abra em 60 dias consulta pública sobre pedidos de reequilíbrio econômico das distribuidoras de energia.

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