Turismo retornando

Ações da CVC (CVCB3) disparam 17% após balanço com primeiro Ebitda positivo em mais de 2 anos

Mesmo pequeno, o potencial de geração de caixa, medido pelo Ebitda, da CVC foi o primeiro positivo desde o 3º trimestre de 2019

Por  Felipe Alves -

As ações da CVC (CVCB3) disparam e lideraram as altas da bolsa nesta quarta-feira (16), com valorização de 17,15%, a R$ 11,82, após a empresa divulgar balanço do quarto trimestre, com prejuízo de R$ 145 milhões, mas, por outro lado, com o primeiro lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) positivo em mais de dois anos.

Para o Itaú BBA, “foi reconfortante ver um número positivo (ainda que pequeno) na linha de Ebitda, que não era visto desde o 3T19, reforçando o potencial de alavancagem operacional da CVC”, escreveram analistas do banco.

Segundo o banco, a recuperação de receita e controle de despesas devem ajudar a impulsionar a rentabilidade daqui para frente.

Além disso, do lado positivo, o crescimento de embarques mostra que os viajantes estão recuperando a confiança, o que também alivia as preocupações com a carteira de reservas pré-COVID de R$ 760 milhões (o governo brasileiro também estendeu o prazo de utilização do crédito até dezembro de 2023).

O banco mantém recomendação Neutra para CVC, e preço-alvo de R$ 15.

Repercussão positiva

Em relatório, o Citi destacou que a expectativa era por uma reação positiva às ações da empresa. Entre os pontos destacados, a redução das despesas com vendas, gerais e administrativas.

“No entanto, a empresa não está fora de perigo; acreditamos que será necessária uma quantidade considerável de WC para garantir o crescimento das reservas, e na atual taxa de juros (CDI) será mais difícil se financiar através de desconto de recebíveis”, explica.

O Citi classifica CVCB3 como neutro e de alto risco, com preço-alvo de R$ 18,00.

Perspectivas dos executivos da CVC

Com a redução da dívida no 4TRI21, elevação de receitas e o primeiro Ebitda positivo em dois anos, a companhia entra 2022 com a expectativa de melhorar os indicadores e liderar a retomada do setor de turismo.

“Enxergamos uma melhoria consistente e que vai continuar ao longo dos anos. Temos muita oportunidade pela frente”, avalia Leonel Andrade, CEO da CVC em entrevista ao InfoMoney.

Com a flexibilização das medidas contra a Covid-19 no Brasil e no mundo e as altas taxas de vacinação, a expectativa da CVC é de que este seja o ano da efetiva retomada do segmento turístico.

A oferta de novos voos já é consistente, segundo Leonel Andrade, que projeta o aumento da malha aérea e mais flexibilizações para viagens.

“Os efeitos da ômicron estão se dissipando. Pela primeira vez desde que cheguei na companhia posso dizer que sou otimista com relação à pandemia”, destaca.

Investimentos devem subir 20% em 2022

O plano estratégico da CVC é investir mais de 20% do que foi investido em 2021. Os R$ 134 milhões do ano passado foram o maior da história da empresa. A prioridade para este ano é tecnologia e gestão de clientes.

Os investimentos em tecnologia contemplam cinco grandes plataformas novas, que vão modernizar o segmento digital da CVC. Hoje as plataformas dificultam a integração entre os diversos canais e lojas da companhia.

As novas ferramentas vão atender de forma mais eficiente os clientes e o segmento B2B (para empresas). Haverá ainda um hub para facilitar pagamentos, um marketplace de crédito e o programa de fidelidade da CVC.

Na frente de investimentos para gestão de clientes a companhia deve continuar a aprimorar o CRM (gestão de relacionamento com o cliente). A CVC fechou 2021 com 25 milhões de clientes e pretende fechar 2022 com mais de 30 milhões no CRM.

Assim, a companhia iniciou um trabalho forte de personificação e de influência, peça-central da fidelização com foco no aumento da conversão em vendas.

“A intenção é alavancar nossos canais de distribuição, principalmente nas nossas lojas. O uso dessa base de clientes tem trazido o cross-sell, gerando mais negócios e recorrência. Isso vai ser usado para a base do nosso programa de fidelidade que será o maior do Brasil”, pontua Leonel Andrade.

Destaque para a alavancagem operacional

Marcelo Kopel, CFO e diretor de relações com investidores da CVC, acredita que com a distribuição e as marcas dos produtos da CVC, a empresa vai se beneficiar do crescimento do mercado de turismo em 2022, com foco em disciplina forte nos custos da empresa.

“A companhia deve ser capaz de crescer as despesas abaixo do que estamos crescendo nos volumes e estar mostrando alavancagem operacional. Isso deve se refletir até o fim deste ano”, pontuou ele.

Para Leonel Andrade, CEO da CVC, um dos destaques a serem comemorados do balanço do 4T21 é a redução da dívida líquida. A companhia possuía uma dívida de R$ 1,8 bilhão em 2019, que caiu para R$ 300 milhões em 2021.

“É uma redução muito maior do que a capitalização, mostrando que soubemos usar muito bem os recursos da companhia. Isso vai fazer com que novos passos estratégicos possam ser tomados”, diz.

Segundo Kopel, em 2019 e início de 2020 a companhia estava muito focada em vendas. “Temos o foco em vender, mas em vender com margens saudáveis. Temos capacidade de gerar produtos e fazer negociações que permitem produtos exclusivos, hotéis com tarifas competitivas, e quando empacotamos isso tudo, trazemos produtos de valor bom para o cliente e para a companhia. A evolução do takerate foi menos influenciada pelas vendas, especialmente no último trimestre”, pontua.

Expansão de lojas será massiva em 2022

A CVC encerrou 2021 com 1.176 lojas no Brasil e 103 na Argentina, sendo líder de mercado em volumes e a maior distribuidora física com lojas próprias. Segundo Leonel Andrade, CEO da CVC, a retomada do turismo parece ser consistente nesse momento, e a modernização de novas lojas deverá seguir intensa em 2022.

De acordo com ele, as lojas com novo layout estão com vendas bem superiores às antigas e a “expansão tem começado a ocorrer de forma muito forte”. Nos próximos dois a três anos todas as lojas devem ser transformadas para os novos modelos.

Considerando os impactos da pandemia no Brasil, Leonel considera que houve poucas perdas de lojas da CVC até o fim de 2021. Por outro lado, agora há um novo movimento de expansão.

“Há novos franqueados aparecendo, renovando contratos, empresas investindo, e isso é muito positivo”, afirma. “Tem espaço para aquisições, mas nada no radar”

Aquisições CVC

Com a redução da dívida da CVC e a maior geração de caixa e margem operacional, a CVC não descarta novas aquisições no futuro, mas não há na mesa novas empresas para adquirir, segundo Leonel Andrade, CEO da CVC.

“Qualquer movimento desse vai ser de inovação, como houve com a VHC, ou vai ser grande e de empresas saudáveis. Não temos interesse em assumir riscos maiores ou passivos comprando ou incorporando empresas ou em recuperação judicial que não tenham saúde financeira”, destaca ele.

Desafios para 2022

A CVC encerrou 2021 em um forte ritmo de retomada, mas a partir do Natal o mercado começou a recuar, e 2022 iniciou com perda de ritmo, impactado pela nova onda da Ômicron. Mas, segundo Leonel, os volumes de vendas voltaram a crescer, especialmente após o Carnaval.

Ele não afasta os desafios de 2022, como a alta da inflação e dos juros, dos combustíveis e da guerra, mas acredita que há uma demanda reprimida por viagens que poderá ser bem aproveitada pela CVC no momento.

“O turismo foi o setor mais prejudicado na pandemia e tende a ser o mais beneficiado no pós-pandemia. No curto prazo, mesmo com guerra ou inflação, as pessoas vão viajar”, afirma.

Por outro lado, para o médio prazo, em cerca de 6 meses, o CEO acredita que haverá novamente um impacto sobre o setor, especialmente por conta da flutuação do câmbio.

“É um ano muito difícil, temos eleição pela frente, crédito muito escasso e renda comprimida. No médio e longo prazo vamos ter provavelmente desafios muito grandes. Mas confiamos na nossa capacidade de ser a empresa mais forte na retomada. Somos uma empresa que não desmontou nossa operação, nossa estrutura, e estamos investindo mais do que o mercado”, finaliza Leonel Andrade.

Veja os principais dados do balanço da CVC (CVCB3)

Destaques do balanço da CVC (CVCB3) no 4º trimestre
Destaques do balanço da CVC (CVCB3) no 4º trimestre

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