Destaques da Bolsa

Ação do Santander cai 4,7% e “puxa” bancos mesmo com resultado positivo; Unidas e Localiza sobem 3% e Petrobras cai

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (27)

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SÃO PAULO – A temporada de resultados ganha destaque nesta terça-feira (27), com o primeiro dos grandes bancos apresentando os seus números do terceiro trimestre.

O Santander Brasil (SANB11, R$ 33,27, -4,73%) surpreendeu as estimativas dos analistas ao reportar lucro líquido gerencial de R$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre, acima do esperado, enquanto o Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) voltou para a casa dos 20%.

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Os números foram avaliados como positivos pelos analistas e as units abriram com alta, que chegou a ser de 3,87%. Contudo, os papéis zeraram os ganhos rapidamente e entraram em leilão, voltando a operar com queda durante a tarde.

Vale destacar que o mercado já antecipava resultados positivos para a instituição: no mês de outubro, a alta dos papéis até a sessão da  última segunda-feira (26) era de 24,89%. Ou seja, o movimento que ocorreu foi o tradicional “subir no boato, cair no fato”, além dos analistas ficarem atentos às provisões feitas pela instituição.

Os demais bancos, como Bradesco (BBDC3, R$ 20,10, -2,57%; BBDC4, R$ 22,26, -2,79%), Itaú (ITUB4, R$ 24,89, -2,85%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 32,78, -2,15%) também viram seus papéis registrarem alta no início da sessão, mas amenizaram os ganhos. No acumulado do mês até ontem, os papéis das demais instituições financeiras também têm forte alta, de 13,97% para ITUB4, 17,98% para BBDC4 e 13,10% para BBAS3.

A locadora de carros Unidas (LCAM3, R$ 26,73, +3,24%) subiu forte após o resultado, impulsionando também a Localiza (RENT3, R$ 64,57, +2,67%), que tem acordo para fusão entre as companhias. A Localiza divulga resultado hoje, após o fechamento do mercado.

A Petz (PETZ3, R$ 17,53, +3,18%) também abriu ganhos, ainda que mais modestos, e passou a operar entre leves perdas e ganhos antes de ganhar força no fim do dia. Ainda no radar, o Conselho da Guararapes (GUAR3, R$ 15,57, +3,87%) aprovou o início do processo para migrar para o Novo Mercado, maior nível de governança da B3 e as ações também sobem forte.

As ações do setor de petróleo, caso de Petrobras (PETR3, R$ 19,86, -1,68%; PETR4, R$ 19,88, -1,83%) e PetroRio (PRIO3, R$ 34,70, -2,25%), também registraram queda. A sessão foi de leves ganhos para os contratos futuros do WTI e do brent com vencimento em dezembro, com alta entre 0,6% e 0,7%; contudo, os ganhos são limitados ainda com a preocupação com relação à demanda em meio à alta dos casos de coronavírus nos países desenvolvidos.

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Confira mais destaques:

Unidas (LCAM3, R$ 26,73, +3,24%)

Depois da crise da Covid-19, a Unidas conseguiu dar a volta por cima e no terceiro trimestre registrou recordes no faturamento e no lucro líquido, sustentado pela expansão de receita em todos os segmentos de atuação da empresa.

O lucro líquido da Unidas no período foi de R$ 124,2 milhões, crescimento de 44,4% na comparação com igual trimestre de 2019, figurando como o maior valor já registrado pela empresa na sua história.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente consolidado da empresa no trimestre foi de R$ 368,8 milhões, crescimento de 12,6% na comparação anual, também recorde para o indicador.

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A alta veio pelas fortes expansões dos Ebitdas de Seminovos e de Terceirização de Frotas, além da recuperação apresentada em Aluguel de Carros em relação ao trimestre imediatamente anterior. A margem Ebitda subiu para 63,6%, contra 59,8% um ano antes.

Já a receita da empresa no trimestre foi de R$ 1,756 bilhão, crescimento de 39,6% em 12 meses. No segmento de locação, a receita saltou 6%, para R$ 580 milhões. Já na receita líquida de seminovos, grande destaque, a alta foi de 65,5%, para R$ 1,176 bilhão.

Na avaliação do Credit Suisse, os resultados comprovam capacidade operacional da Unidas. O banco destacou a potencial fusão com a Localiza, que fortaleceria sua posição no setor, e reforçou a recomendação em outperform (expectativa de crescimento acima do mercado) para as ações da Localiza.

Petz (PETZ3, R$ 17,53, +3,18%)

Primeira varejista a divulgar os números do terceiro trimestre este ano, a Petz, que é também uma das estreantes da Bolsa, registrou lucro líquido de R$ 17,061 milhões. O número não considera o IFRS 16, deixando de lado os efeitos de um crédito fiscal no terceiro trimestre de 2019. Assim, a alta é de 47,5% ante aquele trimestre. O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, por sua vez, ficou em R$ 46,843 milhões, alta de 34,5% na mesma base de comparação.

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A conta da empresa para ajustar o Ebitda deixa de lado créditos fiscais referentes à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS em 2019, doação relacionada à pandemia, além de “despesas não caixa de baixa de imobilizado e plano de opção de compra de ações”, nas palavras da companhia.

A receita bruta total registrada no trimestre chegou a R$ 450,2 milhões, com crescimento de 51% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas nos canais digitais, que somaram R$ 114,8 milhões, tiveram alta de 392,9%. As receitas digitais passaram a representar 25,5% do total de vendas, ante 7,8% de participação registradas no mesmo trimestre do ano anterior.

“A surpresa positiva é que vimos o físico voltar, mas o digital manteve os números excelentes do segundo trimestre. Essa combinação resultou em um crescimento acima de 50% nas vendas totais e de 32% nas vendas de mesmas lojas”, disse o CEO, Sergio Zimerman. Em relação ao número de lojas, a varejista informou que fechou o terceiro trimestre deste ano com 120, ante 95 em igual época do ano passado.

Apesar das altas descritas no balanço, o presidente da companhia avalia que a pandemia ainda tem efeitos negativos sobre os números. “Lojas em shoppings tiveram reabertura com queda significativa de vendas no terceiro trimestre. Ainda há queda, mas menor do que no início do terceiro trimestre”, diz. “Outro efeito que permanece é o impacto no banho e tosa. Permanecemos com todos os centros de estética fechados no segundo trimestre. Isso foi retomando em meados do terceiro trimestre e ainda está longe da normalidade. Ainda temos queda expressiva”, pontua.

Santander (SANB11, R$ 33,27, -4,73%)

O Santander Brasil divulgou nesta terça-feira lucro líquido acima do esperado para o terceiro trimestre, com ganhos em operações no mercado elevando a margem financeira, apesar da crise desencadeada pelo coronavírus.

O lucro líquido gerencial alcançou R$ 3,9 bilhões nos três meses encerrados no final de setembro, alta de 5,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de 82,7% na comparação com o segundo trimestre e 47% superior a estimativas do mercado compiladas pela Refinitiv.

Já o lucro líquido societário foi de R$ 3,81 bilhões no terceiro trimestre de 2020. Em comparação ao segundo trimestre deste ano, o número teve uma alta de 88,2%. Já na base anual, a alta foi de 5,6%.

No acumulado dos primeiros nove meses do ano, contudo, o lucro do banco atingiu R$ 9,61 bilhões, queda de 7,9% na comparação anualizada.

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As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) foram de R$ 2,916 bilhões, queda de 12,5% ante o trimestre anterior e alta de 3,4% em relação ao terceiro trimestre de 2019.

A carteira de crédito teve expansão de 3,8% na mesma base de comparação, para R$ 397,38 bilhões, enquanto o retorno (ROE) subiu para 21,2% no terceiro trimestre, de 12% nos três meses anteriores. A previsão média compilada pela Refinitiv era de 15,45%.

Na avaliação do Morgan Stanley, os resultados foram sólidos, e indicam redução das perdas com empréstimos. A atividade bancária está se recuperando, com bom desempenho dos volumes de crédito e taxas e os custos permanecem sob controle. O banco destacou, no entanto, que a taxa de reserva como provisão para devedores provisórios é de 6,3%, enquanto concorrentes têm taxa de 8%. Já o índice de cobertura estendida é de apenas 80% (contra 83% no segundo trimestre) versus a média dos pares de 120%. “É possível que o Santander tenha que fazer outra rodada de provisões no quarto trimestre ou primeiro trimestre de 2021”, apontam os analistas.

O banco reforçou a avaliação overweight (expectativa de desempenho acima da média do mercado) para o Santander.

Setor imobiliário

O Credit Suisse divulgou uma avaliação sobre as discussões realizadas na conferência de CEOs do setor imobiliário. A avaliação do banco é de que o setor no país vive um de seus melhores momentos, com baixas taxas hipotecárias. A dinâmica positiva deve se estender por outros anos, e os preços do mercado imobiliário devem aumentar em 2021. Mesmo assim, afirmou que os executivos estão atentos a riscos como deterioração do cenário macroeconômico e competição irracional, impulsionada por excesso de capital.

O banco acredita que a tendência é de que atores maiores ganhem mercado frente a concorrentes menores nos próximos anos, à medida que o financiamento continua restrito -com recursos limitados do FGTS e taxas atraentes de poupança para aqueles com renda mais alta. Além disso, como o preço dos materiais de construção estão altos, o banco afirma que as margens de lucro são pressionadas.

Os executivos enxergam uma pausa temporária no crescimento dos aluguéis, que devem, no entanto, crescer acima da inflação no médio prazo.

Cielo (CIEL3, R$ 3,86, -0,52%) e Linx (LINX3, R$ 36,27, +0,58%)

Na noite de segunda-feira, a Cielo encaminhou ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) suas considerações sobre o que poderia ocorrer em caso de união entre Linx (LINX3) e Stone. A Linx também é disputada pela Totvs (TOTS3).

A Cielo afirma que a Stone é relevante em meios de pagamento, enquanto Linx é líder do segmento de software para gestão de operações de varejo. A Cielo diz que a união causaria aumento de barreiras à entrada no segmento de software e possível “venda cruzada” entre as soluções.

Assim, a Cielo afirma que a integração daria à Stone “elevado poder de mercado”, e condições para exercício abusivo desse poder. A Cielo pediu que fosse reconhecida como parte interessada na aquisição, e pede a impugnação da operação. Em caso de aprovação, pede “que sejam impostos remédios suficientes, capazes de eliminar todas as preocupações concorrenciais”.

Vale destacar que Cielo, Adyen do Brasil e Safrapay foram habilitadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como “terceiras interessadas” no processo de análise da união entre Linx e Stone. O regulamento do Cade prevê o pedido de intervenção de terceiros cujos interesses possam ser afetados pela operação analisada pelo conselho.

Cteep (TRPL4, R$ 23,76, +2,95%)

O Bradesco BBI elevou a avaliação da Cteep (TRPL4) para outperform (perspectiva de alta acima da média do mercado), com preço-alvo a R$ 32.

Eletrobras (ELET3, R$ 32,80, -2,73%; ELET6, R$ 33,15, -1,78%)

A Eletrobras (ELET6) assinou termo de adesão a um acordo de leniência firmado entre União e a empreiteira Camargo Correia. Assim, a empresa terá ressarcimento de cerca de R$ 117 milhões.

Petrobras (PETR3, R$ 19,86, -1,68%; PETR4, R$ 19,88, -1,83%)

A Petrobras (PETR4) afirmou na segunda-feira que a refinaria Refap realizará manutenção por 52 dias.

Guararapes (GUAR3, R$ 15,57, +3,87%)

A Guararapes divulgou fato relevante informando que seu conselho de administração aprovou a decisão de iniciar o processo de migração ao mais alto nível de governança corporativa: o Novo Mercado da B3. A aprovação inclui o início de negociações entre a administração da empresa e a B3, o que implicará em requisitos adicionais de governança corporativa a serem adotados pela Guararapes (como a apresentação de novos estatutos). Depois de concluído, a diretoria realizará nova reunião para deliberar sobre a aceitação interna desses requisitos antes da migração.

Segundo o Itaú BBA, a notícia é positiva, uma vez que a migração para o Novo Mercado poderia desbloquear valor para a história de investimento da Guararapes, dadas as expectativas de que isso irá melhorar a governança corporativa e aumentar a liquidez. A migração para o Novo Mercado exige que todas as companhias abertas tenham um free float de 25,0%, enquanto o free float atual do GUAR3 é de 17,3%. “Dito isso, embora esperássemos esse movimento da administração, o anúncio foi feito antes do previsto”, avaliam.

Notre Dame (GNDI3, R$ 66,87, +0,51%)

A Notre Dame Intermédica, focada no setor de medicina preventiva, anunciou na segunda-feira (26) a compra do grupo Serpram, focado em municípios do sul de Minas Gerais, por R$ 108 milhões. O Serpram tem 47 mil clientes em planos de saúde, outros 10 mil em planos odontológicos. A compra ainda precisa ser aprovada pela ANS (Agência Nacional de Saúde) e pelo Cade.

A empresa já havia adquirido recentemente o Grupo Santa Mônica, Climepe e Grupo Medisanitas. Na avaliação do Bradesco BBI, a nova compra reforça a presença da Notre Dame Intermédica em Minas Gerais, o terceiro maior mercado de planos de saúde do Brasil, com 5,3 milhões de clientes, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. O banco reforçou a avaliação das ações em outperform (expectativa de valorização acima da média do mercado), e preço-alvo de R$ 80 (atualmente, o preço está em R$ 66,5).

BHP (B1BL34)

A BHP  rejeitou a acusação, por parte do Ministério Público Federal, de que estaria realizando um conluio com advogados para restringir os desembolsos feitos a vítimas do desastre de Mariana, de 2015, com desabamento de barragem de minérios da Samarco, joint venture da empresa com a Vale.

(Com Agência Estado, Bloomberg e Reuters)

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