Ações caem 15% desde o IPO

Ação da Vasta nos EUA supera cautela com Cogna e 4 bancos iniciam recomendação vendo potencial de alta de até 62%

UBS, Morgan, BofA e Goldman começaram a cobrir os papéis com recomendação equivalente à compra, destacando boas perspectivas com digitalização do ensino

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SÃO PAULO – A abertura de capital da Vasta na Nasdaq ganhou destaque no final do mês passado, tendo forte reflexo para as ações da Cogna (COGN3), que detém 75% do capital da companhia. A subsidiária da companhia de educação, voltada para o fornecimento de conteúdo digital a escolas, teve a ação precificada a US$ 19 e captou US$ 405,8 milhões em sua abertura de capital.

A sua estreia no mercado americano, no dia 31 de julho, aliás, foi bastante turbulenta, com uma forte oscilação dos papéis apenas em seus primeiros negócios.

Desde então, os ativos VSTA caíram 15,68% (até o fechamento da véspera) na Nasdaq, enquanto a Cogna registra uma queda ainda maior, de 33%, no mesmo período.

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Apesar do primeiro mês pouco animador para os ativos da Vasta na Bolsa americana, quatro bancos iniciaram a cobertura para a companhia possuindo recomendação de compra ou equivalente à compra e vendo um potencial de valorização de ao menos 25% e no máximo de 62% em relação ao fechamento da véspera.

Morgan Stanley, UBS, Goldman Sachs e Bank of America iniciaram cobertura para os ativos citando, entre os catalisadores para os papéis, a expectativa de que a companhia reduza o desconto das ações em relação à Arco, do mesmo segmento,  em um cenário em que as escolas estão tendo que se adaptar cada vez mais à tecnologia. O movimento pela digitalização das operações do setor está sendo acelerado pela pandemia do coronavírus, que levou ao isolamento social e fez com que os alunos tivessem cada vez mais acesso ao conteúdo educacional através de aulas online.

A Vasta presta serviços educacionais, tanto de conteúdo pedagógico quanto de gestão administrativa, a outras escolas. Entre esses negócios estão, sistemas de ensino como Anglo e Pitágoras, além de quatro editoras de livros didáticos, escolas de idiomas e a plataforma digital Plurall, usada atualmente por milhares de alunos que estão tendo aulas online durante a pandemia. Desta forma, entre as vantagens da Vasta, estão as suas ferramentas digitais. A companhia é avaliada em R$ 8,8 bilhões.

“As escolas estão mais abertas à digitalização após a pandemia, favorecendo sistemas de aprendizagem online (ou seja, plataformas de ensino à distância, EAD)” apontam Roberto Otero e Pedro Mariani, analistas do Bank of America, destacando que a Vasta oferece uma ampla gama de programas complementares e há oportunidade de venda cruzada com escolas parceiras.

A expectativa é de um crescimento no lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) de 17% e do lucro por ação de 31% a taxa de crescimento composta anual (CAGR) entre 2020-2025.  De acordo com os analistas, atualmente, as ações estão sendo negociadas a um desconto de 48% em relação à Arco Platform, também listada na Nasdaq, sendo que o desconto justo seria entre 25% e 30%.

“Acreditamos que a migração dos livros didáticos para as plataformas de ensino à distância deve continuar a ser impulsionada por sua melhor proposta de valor, uma plataforma de serviços mais integrada e a percepção de melhores resultados acadêmicos a partir de um processo metodológico (…) As escolas depois da Covid-19 estão mais abertas à digitalização e isso favorece as plataformas EAD. O portfólio de marcas da Vasta, com as marcas premium como Anglo e pH, bem como as mais acessíveis Maxi e Ético, a colocam em uma posição sólida para se beneficiar dessas tendências”, apontam.

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De acordo com o Morgan Stanley, a empresa tem uma participação de mercado de 7%, com espaço para dobrar em 2025, e chegar a 18% em 2030. Além disso, o banco vê uma “clara oportunidade” para a Vasta fora do Brasil, dada a baixa penetração desses sistemas de ensino na América Latina (5% a 15%), similar ao mercado brasileiro há 15 anos.

Mais otimista entre os quatro bancos ao ver a ação a US$ 26, o Goldman Sachs também aponta que a tendência de digitalização contínua cria perspectivas de crescimento sólidas e cita que a Vasta opera em um mercado altamente fragmentado e com pouca penetração em soluções para o ensino complementar.

Com um preço-alvo de US$ 21 para os ativos, Vinicius Ribeiro, analista do UBS, ressalta ainda que a queda das ações (notoriamente após o resultado do segundo trimestre) pode representar um bom ponto de entrada para os ativos.

O banco suíço ainda aponta que a Vasta está bem posicionada para atuar na consolidação do mercado, devendo ser uma das principais beneficiárias com a atual tendência do setor, enquanto reforça que a abordagem com oferta de uma versão de testes para clientes em potencial e a nova estrutura comercial deve resultar em aceleração da receita em 2021.

“Ganhos de escala e de eficiência também podem levar à expansão da lucratividade”, avalia Ribeiro, que também aponta que o foco na classe média e os contratos recorrentes anuais tornam o fluxo de receita previsível e a ação defensiva.

Além disso, eles reforçam que a Plurall é bastante importante para sustentar o crescimento, já que permite a integração de várias soluções digitais e interação com usuários (alunos, pais, professores e administradores).

Ponto ressaltado também pelos outros analistas que iniciaram a cobertura para as ações, Ribeiro ressalta que o valor de R$ 1 bilhão para fusões e aquisições após o IPO pode ser um catalisador para as ações da companhia.

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Confira as recomendações dos bancos para as ações da Vasta nos EUA:

InstituiçãoRecomendaçãoPreço-alvoPotencial de valorização
UBSCompraUS$ 21+31%
Morgan StanleyOverweightUS$ 20+25%
Goldman SachsCompraUS$ 26+62%
Bank of AmericaCompraUS$ 21,50+34%

Otimismo com Vasta, cautela com Cogna

Esse otimismo não se transpõe automaticamente para as ações da Cogna, que registra queda acumulada de 44% para as suas ações em 2020. Na véspera, o BB Investimentos cortou a recomendação para os ativos COGN3 de outperform (desempenho acima da média do mercado) para neutra, com o preço-alvo sendo cortado de R$ 8 para R$ 7 (ou um potencial de valorização de 9,9%), tendo como base o resultado fraco apresentado pela companhia no segundo trimestre.

Entre as principais questões, está a Kroton, que é o segmento da companhia no ensino universitário e que passará, como já apontado pela gestão da companhia durante teleconferência ao mercado na última sexta-feira (veja mais clicando aqui), por uma profunda reestruturação em meio à pandemia.

O foco está na redução dos números de campi, renegociação de contratos e mudanças para um portfolio mais premium, com foco em cursos como odontologia, medicina e direito, tornando a companhia mais rentável, com maior geração de caixa e menor exigência de capital. Com a mesma lógica, a companhia busca a “hibridização” de seus cursos, com a expansão do ensino à distância.

Contudo, aponta a analista Melina Constantino, que assina o relatório, a reestruturação será uma longa caminhada e é preciso ter mais clareza para traçar um cenário mais positivo para as ações. Na mesma linha, o Credit Suisse manteve a recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) para os ativos da companhia, com preço-alvo de R$ 6 (queda de 5,8% frente o fechamento da véspera) na sexta-feira após o resultado.

De acordo com compilação da Bloomberg, 3 casas de análise recomendam compra, 7 manutenção e 2 venda das ações COGN3. Assim, enquanto a pandemia do coronavírus está dando mais oportunidades de crescimento para a subsidiária Vasta, a reestruturação “forçada” em outros segmentos da Cogna, notoriamente a Kroton, ainda está sendo avaliada com muita cautela pelos analistas.

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