Destaques da Bolsa

Petrobras e PetroRio caem forte com realização do petróleo, educacionais e aéreas fecham em baixa; só 3 ações do Ibovespa avançam

Confira os destaques da B3 na sessão desta terça-feira (6)

Por  Equipe InfoMoney -

SÃO PAULO – A sessão foi de forte aversão ao risco para o mercado brasileiro nesta terça-feira (6), com o Ibovespa caindo 1,44%, a 125.094 pontos, em meio ao risco político doméstico e com investidores repercutindo mais casos da variante delta do coronavírus no Brasil. Os mercados também aguardam pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, que deve dar novos sinais sobre o movimento de aperto monetário nos Estados Unidos.

Neste contexto, empresas posicionadas para uma reabertura econômica pós-coronavírus, como aéreas e educação, bem como Petrobras (PETR3, R$ 28,58 -3,74%; PETR4, R$ 27,67, -4,09%), diante do risco político, são as mais afetadas do Ibovespa. O dia também foi de salto para o dólar, com a divisa comercial subindo 2,39%, a R$ 5,209 na compra e na venda.

O petróleo fechou em queda com os investidores embolsando os lucros. Após chegarem a atingir máxima em seis anos depois do fracasso da Opep+ em chegar a um acordo para aumentar a produção, os principais contratos do brent e do WTI passaram a cair  no final da manhã, ainda que os analistas vejam tendência de alta do petróleo no curto prazo, com o brent podendo chegar a US$ 80 o barril em meio ao impasse. O contrato do brent com vencimento em setembro fechou em queda de 3,41%, a US$ 74,53 o barril; já o WTI com vencimento em agosto teve baixa de 2,38%, a US$ 73,37. Em meio a essa baixa da commodity, as ações da PetroRio (PRIO3, R$ 20,24, -5,82%) passaram a ter queda expressiva.

No setor de educação, os papéis da Ser Educacional (SEER3, R$ 17,67, -5,91%) e da Ânima Educação (ANIM3, R$ 13,27 -5,69%) apresentaram forte queda, de mais de 5%. No radar das companhias, está o distrato envolvendo três ativos localizados na região Nordeste do país e que haviam sido vendidos pela Ânima em dezembro, por R$ 180 milhões. Porém, vale destacar que o dia foi de queda para a maior parte das ações de educação, com Cogna (COGN3, R$ 4,17, -3,02%) e Yduqs ([ativo=YDUQS3], R$ 31,50 -3,31%) também registrando fortes perdas.

Companhias aéreas, como a Gol (GOLL4, R$ 22,63, -3,25%) e Azul (AZUL4, R$ 42,50, -4,17%) também recuaram, com queda de quase 4% em meio à maior preocupação com a confirmação de casos da variante delta da Covid-19 em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Entre os destaques do dia, Cury (CURY3, R$ 9,87, -1,79%) reportou prévia operacional recorde no segundo trimestre, com alta de 120,3% em lançamentos (VGV) frente igual período de 2020. Os papéis CURY3 chegaram a subir 3,8% na máxima do dia, mas depois viraram para queda, fechando em baixa.

Voltando ao mercado de commodities, os contratos futuros do aço negociados na China avançaram nesta terça-feira, acompanhando uma alta nos preços de matérias-primas e em meio a expectativas de medidas para controle de produção, embora a desaceleração nas atividades de construção e nas vendas de veículos tenha limitado os ganhos.

O contrato mais ativo do vergalhão de aço para construção na bolsa de futuros de Xangai SRBcv1, para entrega em outubro, fechou em alta de 2,9%, a 5.304 iuanes (US$ 821,15) por tonelada. As bobinas laminadas a quente SHHCcv1, utilizadas em carros e eletrodomésticos, saltaram 3,2%, para 5.604 iuanes a tonelada.

Neste cenário, os papéis da mineradora Vale (VALE3, R$ 113,77, 0,53%) fecharam com leve alta, de um pouco mais de 0,5%, uma das poucas do Ibovespa. Além de VALE3, das 84 ações do índice, só a holding Bradespar (BRAP4, R$ 75,75, +1,42%) e a Energisa (ENGI11, R$ 45,64, +0,09%) fecharam com ganhos.

Com os investidores à espera de novas discussões sobre a reforma tributária no Congresso esta semana, ações de grandes bancos apresentam queda nesta terça, entre 1% e 2%. Os papéis do setor têm sido impactados negativamente em meio à proposta do governo de taxar dividendos em 20% e acabar com os juros sobre o capital próprio (JCP).

Confira os principais destaques do dia:

Gol (GOLL4, R$ 22,63, -3,25%)

A companhia aérea Gol informou ontem, após o fechamento do pregão, dados que mostram continuidade na recuperação do setor aéreo, com alta de dois dígitos na demanda em junho em relação ao mês anterior.

A demanda por voos da aérea subiu 20,8% em junho ante maio, enquanto na comparação anual houve um salto de 281,6%, segundo os dados divulgados em comunicado ao mercado. Já a oferta da Gol, que seguiu sem realizar voos internacionais, cresceu em um ritmo mais forte que a demanda, de 26,7%, na relação mensal. Em relação a junho do ano passado, a oferta avançou 260,4%.

Segundo a companhia aérea, a taxa de ocupação das aeronaves fechou junho em 83,9% ante 88% em maio. Um ano antes, a ocupação havia sido de 79,2%. A empresa transportou 1,21 milhão de pessoas em junho, 1,06 milhão em maio e 320 mil em junho de 2020.

Cury (CURY3, R$ 9,87, -1,79%)

A construtora Cury divulgou prévia operacional recorde do segundo trimestre, somando R$ 686 milhões em lançamentos (VGV), alta de 120,3% frente igual período de 2020. O valor das vendas atingiu R$ 683 milhões, 133,7% acima na comparação anual, resultando em uma velocidade de vendas de 47%.

Em relatório, a XP escreve que o desempenho positivo reforça a visão de demanda resiliente do segmento de baixa renda, apesar das perspectivas econômicas desafiadoras no curto prazo. Os analistas reiteram recomendação de compra e preço-alvo de R$ 15 por ação, sendo a CURY3 a preferência da XP no segmento de baixa renda.

“Destacamos o aumento do preço médio por unidade para R$212 mil (+24,3% em relação ao mesmo período do ano passado), o que se deve à sua estratégia de focar tanto nos segmentos mais elevados do programa habitacional Casa Verde e Amarela, quanto nos empreendimentos de média renda (faixa logo acima do programa habitacional)”, destacam os analistas.

Vale (VALE3, R$ 113,77, 0,53%) e siderúrgicas

Os contratos futuros do aço negociados na China avançaram nesta terça-feira, acompanhando uma alta nos preços de matérias-primas e em meio a expectativas de medidas para controle de produção, embora a desaceleração nas atividades de construção e nas vendas de veículos tenha limitado os ganhos.

O contrato mais ativo do vergalhão de aço para construção na bolsa de futuros de Xangai SRBcv1, para entrega em outubro, fechou em alta de 2,9%, a 5.304 iuanes (US$ 821,15) por tonelada. As bobinas laminadas a quente SHHCcv1, utilizadas em carros e eletrodomésticos, saltaram 3,2%, para 5.604 iuanes a tonelada.

“Os futuros estão em níveis mais fortes que os preços ‘spot’, já que atualmente o mercado possui expectativas relativamente fortes em relação a restrições de produção”, disse a GF Futures em nota.

“Considerando que os preços ‘spot’ são apoiados pelos custos, o aço continuará flutuando em níveis elevados”, acrescentou.

Os futuros do minério de ferro na bolsa de commodities de Dalian DCIOcv1, para entrega em setembro, fecharam em alta de 2,8%, a 1.231 iuanes por tonelada.

Petrobras PETR3, R$ 28,58 -3,74%; PETR4, R$ 27,67, -4,09%) e BR Distribuidora (BRDT3, R$ 28,60, -2,92%)

Os fundos de investimento ficaram com a maior parcela da oferta de ações da BR Distribuidora detidas pela Petrobras realizada no último dia 30 na B3. Eles compraram 251.630.490 ações, o equivalente a 57,6% do total ofertado, de 436.875.000 ações.

Os investidores estrangeiros aparecem em segundo lugar, com 149.058.368 ações, seguidos por investidores pessoas físicas, com 26.456.056 papéis. A operação, a maior realizada neste ano até aqui, foi precificada a R$ 26, movimentando R$ 11,358 bilhões. Por ser uma oferta secundária, os recursos vão para o acionista vendedor dos papéis, ou seja, a Petrobras.

A oferta veio para encerrar um processo de venda das ações da BR que começou há cerca de quatro anos. A privatização de fato da empresa ocorreu em 2019, quando a petroleira deixou o controle do negócio.

A operação teve o Banco Morgan Stanley (Coordenador Líder), além de Bank of America, Citigroup Brasil, Goldman Sachs, Banco Itaú BBA, Banco JPMorgan e XP Investimentos.

No radar da Petrobras, a companhia iniciará na primeira quinzena de julho a primeira aquisição sísmica com a tecnologia Ocean Bottom Nodes (OBN) e novos levantamentos multifísica (magnetométricos e gravimétricos) do projeto 3D Nodes do Parque das Baleias, na Bacia de Campos, onde estão localizados os campos de Jubarte, Cachalote, Pirambu, Baleia Anã, Caxaréu e Mangangá, com a estatal sendo operadora única.

O contrato, firmado com a empresa ShearWater Geoservices do Brasil, contempla a aquisição sísmica com área de OBN de 810 km2, totalizando investimentos de cerca de US$ 50 milhões.

A Petrobras ainda assinou com a empresa Petromais Global Exploração e Produção S.A. (Petro+) contrato para a venda da totalidade de sua participação em um conjunto de sete concessões terrestres e de águas rasas denominada Polo Alagoas, localizadas no Estado de Alagoas, por US$ 300 milhões.

Ambipar (AMBP3, R$ 43,60, -2,37%)

A Ambipar anunciou na segunda-feira a compra da empresa de atendimento a emergências ambientais no modal rodoviário Sabi Tech, na Colômbia, ampliando a presença da companhia brasileira na América do Sul. A empresa não divulgou o valor do negócio. Segundo a Ambipar, a Sabi possui 14 bases operacionais na Colômbia, localizadas nas principais rotas e em pontos com histórico de acidentes. A empresa é líder de mercado na Colômbia e faturou 4,3 milhões de dólares no ano passado, afirmou o grupo brasileiro.

BTG Pactual (BPAC11, R$ 30,72, -2,20%)

A varejista online Privalia anunciou ao mercado um acordo operacional estratégico com o banco BTG Pactual, que será investidor âncora em uma eventual oferta pública inicial de ações (IPO) da companhia.

A Privalia havia pedido registro para abertura de capital junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em meados de fevereiro. Segundo o acordo, o BTG Pactual se comprometeu a subscrever e integralizar ações equivalentes à até 5% do capital da Privalia no IPO que listará os papéis da companhia no Novo Mercado da B3.

Enauta (ENAT3, R$ 16,60, -3,21%)

A petroleira Enauta informou na noite de ontem que interrompeu a produção em dois dos três poços do Campo de Atlanta, enquanto uma falha no sistema de bombeio de ambos também foi descoberta.

Um dos poços deve retomar produção na segunda quinzena deste mês, e o segundo tem retorno previsto para agosto, disse a Enauta em fato relevante.

“Por ora, não é esperada mudança material no intervalo de produção divulgado anteriormente pela companhia”, acrescentou a empresa.

 Ser Educacional (SEER3, R$ 17,67, -5,91%) e Ânima Educação (ANIM3, R$ 13,27 -5,69%)

A Ser Educacional informou nesta terça-feira (6) que desistiu de adquirir três ativos localizados na região Nordeste do país e que haviam sido vendidos pela Ânima Educação em dezembro, por R$ 180 milhões. São eles Faculdade Internacional da Paraíba (FPB), Centro Universitário dos Guararapes (UNIFG) e CEDEPE Business School.

Assim, a Ânima permanecerá proprietária de 100% dos ativos da Laureate Brasil.

Em relatório divulgado nesta terça, a XP destaca que, para a Ânima, o anúncio é neutro, dado que esses ativos são referência em seus mercados e que são complementares do ponto de vista de exposição geográfica. Por outro lado, a venda dos ativos ajudaria a empresa a se desalavancar mais rapidamente, aponta a casa.

Quanto à Ser Educacional, os analistas da XP veem o comunicado como um movimento positivo e em linha com a estratégia da companhia e com seu foco principal, de aumentar a exposição ao ensino à distância em detrimento do ensino presencial.

A XP manteve recomendação de compra para a Ânima, com preço-alvo de R$ 15 por ação. Já para a Ser Educacional, a XP tem posição neutra, com preço-alvo estimado de R$ 17 por papel.

Lojas Renner (LREN3, R$ 43,30, -0,48%) e Guararapes (GUAR3, R$ 19,89, -2,60%)

O Itaú BBA analisou o setor varejista de roupas no Brasil, frente à pandemia, mantendo avaliação outperform para Guararape e Lojas Renner. O preço-alvo para as Lojas Renner para 2022 fica em R$ 51, frente à cotação de R$ 43,51 de segunda, e o da Guararapes em R$ 25, frente à cotação de R$ 20,27 de segunda.

O Itaú destaca dados da SimilarWeb que sugerem que a Lojas Renner é referência em vários critérios on-line, e que Guararapes foi capaz de acelerar sua digitalização. A Renner continua a ter a maior infraestrutura on-line, com 15,6 milhões de acessos no mês, frente à média de 8,1 milhões da indústria.

(com Reuters, Agência Senado e Estadão Conteúdo)

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