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A XP pretende liderar investimentos até 2033, o que significaria praticamente dobrar de tamanho – passando assim a ter R$ 4 trilhões de ativos sob custódia.
O plano para isso é se apoiar em uma estratégia que combina expansão dos serviços financeiros, crescimento do banco e fortalecimento da assessoria financeira. A mensagem foi transmitida pelo CEO da XP, Thiago Maffra, e pelo CEO do Banco XP, José Berenguer, durante conversa com jornalistas na abertura da Expert XP 2026, maior evento da companhia, que deve reunir cerca de 55 mil participantes nesta edição.
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Segundo Maffra, a XP vive atualmente uma “terceira onda” de sua trajetória. Depois de nascer como uma corretora focada em educação financeira e se consolidar como uma plataforma de investimentos, a companhia busca agora se transformar em uma empresa de serviços financeiros baseada em planejamento financeiro, aconselhamento e relacionamento de longo prazo com os clientes.
“A gente está inovando de novo como o mercado de investimentos é feito”, afirmou o executivo. Na visão da XP, o diferencial competitivo deixa de estar apenas na oferta de produtos e passa a estar na capacidade de entender a vida financeira dos clientes e oferecer soluções completas envolvendo investimentos, sucessão patrimonial, planejamento tributário e objetivos de longo prazo.
Nesse processo, a empresa quer redefinir o papel do assessor de investimentos. Segundo Maffra, o profissional que começou como corretor de ações nos anos 2000 e evoluiu para assessor de investimentos agora precisa assumir uma função mais ampla, atuando como uma espécie de “CFO da vida financeira” dos clientes.
“O nosso profissional, o nosso assessor, tem que ser o gerente financeiro do cliente”, afirmou. A proposta é que o assessor ajude não apenas na gestão dos investimentos, mas também em decisões relacionadas a crédito, planejamento patrimonial, aposentadoria, compra de imóveis e sucessão familiar.
Para Berenguer, essa abordagem integrada ganha relevância à medida que a XP amplia sua oferta de serviços bancários. O executivo citou como exemplo clientes que possuem investimentos relevantes, mas acabam contratando crédito pessoal em outras instituições pagando juros entre 4% e 6% ao mês. Segundo ele, a companhia pretende utilizar sua base de dados e sua estrutura financeira para oferecer alternativas mais eficientes e melhorar a gestão patrimonial dos clientes.
Meta é liderar mercado de investimentos
Maffra afirmou que a XP possui atualmente cerca de 11% de participação no mercado brasileiro de investimentos e estabeleceu internamente a meta de chegar a aproximadamente 20% até 2033, tornando-se líder do setor.
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Segundo ele, o crescimento não dependerá apenas da expansão dos produtos bancários, mas sobretudo da capacidade de oferecer um serviço superior ao dos concorrentes. “A meta número um da empresa nos últimos anos é qualidade”, afirmou.
O executivo destacou que a companhia pretende continuar crescendo simultaneamente em investimentos e nas novas verticais de negócios. Nos últimos anos, a XP ampliou sua atuação para áreas como crédito, seguros, câmbio, cartões, conta digital, internacionalização de investimentos e banco de atacado.
Além disso, a companhia anunciou recentemente sua entrada em novas frentes voltadas ao segmento empresarial, incluindo adquirência e soluções de gestão financeira para pequenas e médias empresas.
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ETFs e investimentos globais ganham espaço
Ao comentar tendências de mercado, os executivos afirmaram enxergar forte potencial de crescimento para os ETFs no Brasil. Segundo Berenguer, a XP tem investido na expansão de sua oferta tanto por meio de produtos próprios quanto de terceiros, mantendo o modelo de plataforma aberta.
A empresa também espera uma expansão gradual dos investimentos internacionais entre seus clientes. Atualmente, a recomendação da XP é que investidores mantenham, em média, 15% do patrimônio aplicado no exterior. Hoje, entretanto, essa fatia gira em torno de 7%.
Maffra destacou que a plataforma internacional da XP permite abertura de conta, remessas instantâneas e utilização de serviços bancários no exterior de forma integrada à experiência doméstica.
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CDI domina as carteiras
Apesar do esforço para diversificação, os executivos destacaram que o ambiente de juros elevados continua influenciando fortemente o comportamento dos investidores brasileiros.
Segundo Berenguer, cerca de 90% do dinheiro novo que entra atualmente na XP está sendo direcionado para produtos com liquidez diária atrelados ao CDI ou para títulos isentos. Na avaliação do executivo, essa concentração excessiva representa um desafio de longo prazo.
A XP pretende incentivar uma migração gradual para classes de ativos mais adequadas a objetivos financeiros de longo prazo, especialmente produtos indexados à inflação. Segundo Maffra, o planejamento financeiro da companhia utiliza como referência principal o conceito de retorno real, medido por indicadores ligados ao IPCA, e não apenas o CDI.
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“O brasileiro criou uma cultura em que o benchmark é o CDI”, afirmou. Para a empresa, essa lógica pode comprometer objetivos como aposentadoria e preservação de patrimônio ao longo de décadas.
Empresa vê crescimento independentemente do cenário eleitoral
Questionados sobre as eleições de 2026 e os possíveis impactos para os mercados, os executivos evitaram projeções políticas. Berenguer afirmou que a XP trabalha para estar preparada para qualquer resultado eleitoral e qualquer desenho de política econômica.
Segundo ele, a única certeza é que o debate fiscal continuará presente nos próximos anos, diante da trajetória de crescimento da dívida pública e do nível elevado dos juros reais.
Maffra ressaltou que a XP se tornou uma empresa mais resiliente do que no passado. Se anteriormente investimentos representavam praticamente a totalidade das receitas da companhia, hoje o segmento responde por cerca de 60% dos resultados, graças à diversificação dos negócios.
Os executivos afirmaram que a expectativa é manter crescimento de receita em ritmo de dois dígitos nos próximos anos, independentemente do cenário econômico ou político, apoiado pela expansão do banco, dos serviços financeiros e da plataforma de investimentos.


