Destaques da Bolsa

15 ações do Ibovespa sobem mais de 3%; acordo faz Saraiva disparar 30%

As ações de Petrobras e Vale registraram fortes ganhos nesta quinta-feira; confira os principais destaques da Bolsa

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SÃO PAULO – O Ibovespa fechou com fortes ganhos esta quinta-feira (18), com 15 ações subindo mais de 3%, de olho nas bolsas internacionais, que registraram forte alta apesar da tensão com a Grécia. O índice fechou com alta de 1,86%, a 54.238 pontos, com o Fomc (Federal Open Market Committee) animando os mercados. A autoridade monetária adotou um tom mais brando sobre alta de juros, o que impulsionou os EUA e também as bolsas pelo mundo. 

Quem roubou a cena fora do Ibovespa é a Saraiva, que viu suas ações dispararem após o acordo com a Abril Educação. TIM e bancos também subiram forte. Confira os destaques da Bolsa nesta quinta-feira (18):

Saraiva (SLED4, R$ 6,25, +29,13%)
As ações da Saraiva fecharam em alta de quase 30% após o negócio com a Abril Educação (ABRE3, R$ 12,50, +0,48%), chegando a subir 37,40% na cotação máxima do dia. A companhia informou nesta quinta-feira que firmou, por meio de sua subsidiária Editora Ática, acordo com a Saraiva para aquisição pela Ática de todas as cotas da Saraiva Educação detidas pela Saraiva por 725 milhões de reais, segundo fato relevante.

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O preço está sujeito a ajustes em razão do endividamento líquido da Saraiva Educação. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) pro forma ajustado dos negócios de educação da Saraiva em 2014 foi de aproximadamente 156,46 milhões de reais, informou a Abril Educação.

Por outro lado, Estácio (ESTC3, R$ 20,69, -0,24%) e Kroton (KROT3, R$ 12,44, -1,66%) caem em meio à notícia sobre a aquisição da Abril Educação. 

Destaque ainda para a notícia da coluna Radar, da Veja. Segundo o colunista Lauro Jardim, apesar do Ministério da Educação ter prometido R$ 1,1 bilhão há três semanas para o Fies,  algumas universidades não receberam nem 10% do valor.

TIM (TIMP3, R$ 10,53, +5,72%)
As ações da TIM voltam a disparar na sessão desta quinta-feira, em meio à notícia de que a Vivendi, que é a maior investidora da Telecom Italia, apoia a ideia de que o grupo italiano avalie a possibilidade de venda da Tim Participações, segundo pessoas próximas ao assunto ouvidas pela agência Bloomberg

Com isso, os papéis da companhia atingiram o maior nível em dois meses. Ontem, os ativos já haviam registrado alta com os rumores de que a Vivendi iria aumentar participação na companhia entre 10% e 15%.

Em comunicado, a TIM falou que foi informada pela Telecom Italia que não possui qualquer informação com relação aos rumores mencionados, tendo ainda reiterado que a TIM Participações é um ativo estratégico para o Grupo Telecom Italia.

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Vale (VALE3, R$ 20,40, +4,78%; VALE5, R$ 17,39, +3,20%) 
Após quatro dias de baixa, as ações de Vale e siderúrgicas fecharam com forte alta na sessão desta quinta-feira. A cotação do minério de ferro spot do porto de Qingdao subiu 0,42%, a US$ 61,77 após quatro dias de baixa. Já a Bradespar (BRAP4, R$ 11,70, +4,46%), que possui participação na Vale, registrou forte alta. 

Destaque ainda para o relatório do JPMorgan sobre as mineradoras europeias, com um tom positivo. “Acreditamos que há condições para que o setor prospere durante o terceiro trimestre, temos expectativa de PIB de China crescendo para 8% na comparação trimestral, aumentando a demanda por commodities e risco dos investidores. Esperamos um rali  de curto prazo para as empresas de metais básicos e beta alto (Glencore, Anglo American, South32). Nossa visão pós terceiro trimestre continua inalterada, com fortalecimento do dólar e PIB da China sendo principais barreiras para o setor. Num cenário de preço de commodities entre estabilidade e queda, preferimos as empresas com margens altas e desalavancadas como Rio Tinto e BHP”, afirmam os analistas do JP.

Por outro lado, em meio ao cenário econômico ruim, o BTG Pactual destaca que o setor siderúrgico é um setor a ser evitado por agora, destacando especial cautela em Usiminas (USIM5, R$ 4,65, +4,49%) e em CSN (CSNA3, R$ 5,76, +1,59%). Contudo, em meio ao cenário de otimismo, as ações das duas companhias sobem forte. 

Segundo os analistas, apesar das ações terem corrigido, ainda não há catalisadores. Além disso, as perspectivas para os resultados dos segundo e terceiro trimestre não são boas. Outro fator preocupante é o conflito entre os acionistas controladores da Usiminas e a desconfortavelmente alta alavancagem da CSN. A Gerdau (GGBR4, R$ 8,07, +1,38%), em base relativa, parece mais atraente, mas a convicção é reduzida dados os ventos contrários de sua unidade brasileira, afirmam os analistas. 

Petrobras (PETR3, R$ 14,80, +2,14%PETR4, R$ 13,44, +1,90%
As ações da Petrobras também registraram ganhos à espera do plano de negócios e de reestruturação; destaque ainda para a notícia da Reuters de que a Petrobras pode vender usinas de etanol.

De acordo com informações do jornal Valor Econômico, a Petrobras está colocando em prática um amplo programa de reestruturação, a ser realizado nos próximos dois meses. A estratégia consiste em enxugar custos, reduzir os cargos terceirizados e aumentar a produtividade dos processos internos. A expectativa é de que o documento seja divulgado em julho. 

O programa de reestruturação, afirma o jornal, está sendo feito na esteira do Plano de Negócios 2015-2019, que deverá trazer redução de investimentos, de 20% a 30%. Segundo informações da agência Reuters, a Petrobras também deve divulgar o seu plano de negócios em julho. 

Bancos
Os bancos, após uma manhã volátil, intensificaram fortemente os ganhos nesta sessão e fecharam com expressiva alta. O grande destaque fica para o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,28, +3,24%), que sobe quase 3%, em meio à notícia de que o STF pode não julgar os planos econômicos; o BB seria o mais impactado pela medida. Já o Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 34,78, +2,47%), após manhã volátil, fechou em forte alta, assim como o Bradesco (BBDC3, R$ 27,79, +2,21%; BBDC4, R$ 28,76, +3,75%), enquanto as units do Santander Brasil (SANB11, R$ 16,45, +0,55%) tiveram ganhos menores. 

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Conforme destaca o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, a notícia sobre os planos econômicos é positiva para o setor, mas ainda há outros fatores que pesam, como o cenário econômico mais negativo e os rumores de tributação. 

Os integrantes do STF já admitem a possibilidade de a corte simplesmente não julgar os chamados planos econômicos, se o novo ministro, Luiz Edson Fachin, se declarar impedido de analisar o tema. Isso porque o Supremo precisa de ao menos 8 ministros para julgar a questão, que é constitucional, mas 3 já se declararam impedidos. Fachin avisou que não decidiu se vai participar ou não do julgamento.

A avaliação de integrantes do tribunal é de que a corte pode deixar de julgar os planos econômicos se não tiver quórum para tanto. A justificativa seria de que a Justiça já atendeu poupadores com julgamentos nas instâncias inferiores. Ministros avaliam reservadamente, no entanto, que essa seria a pior solução possível. “Seria o suicídio do tribunal”, afirmou um interlocutor da corte ontem, ao Estado. Alguns integrantes acreditam que o tribunal precisaria achar uma alternativa para o impasse. 

Destaque ainda para a notícia de que o Bradesco e o BB acertaram uma parceria para usar tecnologia conjunta nos pagamentos pela internet e por meio de equipamentos móveis. Segundo executivos das instituições, o acordo, que pode mais adiante envolver outras instituições financeiras do país, inclui criar um padrão brasileiro para digitalização e uso de senha dos cartões, chamada ‘tokenização’

Marfrig (MRFG3, R$ 4,70, +4,44%)
As ações da Marfrig tiveram forte alta. A companhia teve a sua recomendação elevada pelo JPMorgan para overweight (desempenho acima da média do mercado), com um preço-alvo de R$ 7,10, ante R$ 5,60. 

“O principal motivo é, na nossa visão, as diversas possibilidades de destravar valor, não só como IPO de Moy Park, mas também com os ativos de carne bovina e a Keystone. Estas oportunidades são positivas para reduzir a alavancagem para algo abaixo de 4 vezes a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações)”, destacam os analistas do JP

Multiplan (MULT3, R$ 48,83, +4,34%)
Multiplan registra a terceira alta em quatro dias após a companhia anunciar que pretende recomprar até 3,6 milhões de ações ordinárias em um ano.  

Hypermarcas (HYPE3, R$ 22,92, +3,01%)
De acordo com informações da revista Exame, a Hypermarcas tem 3 interessados para a sua divisão de fraldas. São elas, a chilena CMPC, a japonesa Unicharm e a americana KimberlyClark.

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Ambev (ABEV3, R$ 18,80, +0,59%)
As ações da Ambev, que operaram durante boa parte do pregão em leve baixa, fecharam com ganhos. No radar da companhia, destaque para a notícia de que o governo poderia alterar a tributação de refrigerantes produzidos na Zona Franca de Manaus para arrecadar entre R$ 2 a 2,5 bilhões a mais por ano, de acordo com o Valor Econômico. 

Segundo o jornal, o governo pretende reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 20% para 4% sobre os extratos e concentrados usados na produção de refrigerantes que sejam vendidos em outras regiões do Brasil. Com isso, diminui na mesma proporção o crédito fiscal obtido pelas empresas instaladas na Zona Franca. Além de reduzir o crédito fiscal, com a diminuição da alíquota do IPI, o governo deve proibir o seu uso para o abatimento de outros impostos.

“A possibilidade de redução destes benefícios para o setor seguramente é uma má notícia para a Ambev. Vale lembrar que a empresa detém 18,8% do mercado brasileiro de refrigerantes”, destaca a Planner Corretora. 

Elétricas
As ações das companhias do setor elétrico registraram ganhos na sessão desta quinta-feira. Como destaca o analista da Walpires, Angelo Larozi, em meio aos últimos aumentos de tarifa no setor pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o mercado está vendo com maior otimismo possíveis aumentos de energia para outras empresas elétricas. Cemig (CMIG4, R$ 13,44, +3,46%) e Tractebel (TBLE3, R$ 34,30, +3,19%) são os destaques de alta. 

Ainda no noticiário do setor, o TCU (Tribunal de Contas da União) aprovou nesta quarta-feira medida cautelar impedindo o Ministério de Minas e Energia de assinar termos aditivos para renovação das concessões de 39 distribuidoras de energia elétrica cujos contratos vencem até 2017, até que o tribunal manifeste-se novamente sobre o assunto.

O governo federal publicou no início do mês decreto com as regras para a renovação das concessões, condicionada a metas de melhoria da qualidade dos serviços e da gestão financeira que deveriam ser cumpridas em até cinco anos.

A agência reguladora colocou as minutas dos contratos em audiência pública entre os dias 10 de junho e 13 de julho. Entre as empresas cujas concessões vencem até 2017 estão as distribuidoras da Eletrobras e a Cemig.

Lupatech (LUPA3, R$ 8,70, –42%)
A “cilada” da Lupatech se confirmou: após agrupar os ativos na proporção de 500 para 1, os ativos da companhia desabaram na Bovespa. 

Afetada por um enorme endividamento e já tendo entrado com pedido de recuperação judicial, a companhia sofre por ser fornecedora de máquinas equipamentos para o setor de Óleo e Gás, que enfrenta uma pesada crise desde que foi deflagrada a Operação Lava Jato. Para se ter uma ideia do tamanho da dependência da Lupatech em relação à Petrobras (PETR3PETR4), 85% do faturamento da fornecedora vem de contratos firmados com a estatal. 

Além da queda, impressiona o volume de negociação, que está em R$ 457.523,00, contra uma média dos últimos 21 dias em R$ 62.130,33. 

Em uma resposta à “ameaça” da BM&FBovespa de banir ações que valem menos de R$ 1,00 na Bolsa de Valores, muitas “penny stocks” têm anunciado grupamentos de ações, com o intuito de aumentar o valor de face de cada papel através da diminuição da quantidade de ativos negociados na Bovespa. A operação, em um primeiro momento, é vista como positiva no sentido de trazer maior liquidez para ativos que eram negociados próximos de R$ 0,01. Mas o que temos visto na prática é que os grupamentos têm aberto espaço para que aquelas ações que não tinham mais como cair simplesmente… voltassem a cair.

Marisa (AMAR3, R$ 10,81, -3,48%)
As ações da Marisa registram queda nesta sessão. No radar da empresa, a companhia comunicou que o seu diretor de vendas, Arquimedes José Rossi Salles do cargo de Diretor de Vendas da Companhia, o qual retira-se da administração da Companhia para todos os fins de direito a partir desta data. O Diretor de Vendas interino será Rene Antonio da Silva, atual Diretor de Compras.