Renda Variável: um guia completo para conhecer e investir

Com instrumentos que vão muito além das ações, a renda variável é uma opção para quem quer aumentar os ganhos e participar da história das empresas

(Envato)

Quem quer turbinar o patrimônio não consegue escapar dela: a renda variável. Com esse tipo de investimento, que envolve alguns riscos de mercado específicos, é possível obter um retorno potencialmente maior que o da renda fixa. Mas de que tipo de instrumento estamos falando exatamente nesse caso?

Se você já pensou em migrar parte do seu patrimônio para a renda variável, mas não sabe como ou se sente inseguro, esse guia vai ajudá-lo.

O InfoMoney reuniu aqui as informações mais importantes para entender o funcionamento dessa categoria de investimento. Você vai entender que ferramentas estão disponíveis e em que condições. Confira:

• O que é Renda Variável
• Principais modalidades de investimento
• É seguro investir em Renda Variável?
• Vantagens e desvantagens
• O momento certo para começar
• Investindo com pouco dinheiro

O que é Renda Variável

Em linhas gerais, investimentos de renda variável são aqueles cujo retorno é imprevisível no momento do investimento. O valor varia conforme as condições do mercado – e, consequentemente, a remuneração que as aplicações oferecem segue esse mesmo princípio.

É o oposto dos investimentos de renda fixa. Nesse caso, o cálculo da remuneração é previamente definido e conhecido desde o momento da aplicação. Basta pensar no funcionamento dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto. Ao comprar um título de inflação, o investidor sabe desde o início que receberá uma taxa de juros anual mais a variação do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ao longo dos anos.

Na renda variável, não é possível ter esse nível de certeza. Quem compra a ação de uma empresa sabe que embolsará a valorização do papel no decorrer do tempo – mas de quanto será essa valorização? Impossível saber de antemão. Não dá para garantir nem que haverá ganhos, porque os papéis podem desvalorizar no período.

Quem compra um título de renda fixa “empresta” dinheiro para alguém – empresas ou governos – em troca de juros. Já quem aplica em papéis de renda variável em alguma medida entra no capital do emissor, direta ou indiretamente. É o que acontece com quem compra uma ação de empresa. Sua expectativa é de que a companhia apresente bons resultados e cresça, porque é isso que vai fazer o valor da ação aumentar.

Tipos de investimento em Renda Variável

Existem diversos produtos disponíveis para investir em renda variável, dos mais simples aos mais sofisticados. Cada um deles têm características próprias de risco e liquidez. A escolha do mais adequado para cada investidor depende de uma avaliação prévia criteriosa. Conheça os tipos de investimento em renda variável mais comuns no mercado:

Ações

Negociadas na bolsa de valores, as ações são a menor parcela do capital de uma empresa. Quem compra ações se torna sócio da companhia e, por isso, compartilha os lucros que ela obtém. São a maneira mais conhecida de investir em renda variável.

Há duas formas de lucrar investindo em ações. A primeira é com a distribuição de dividendos, que são uma parte do lucro que as empresas distribuem aos acionistas. Pelo menos 25% dos ganhos devem ser destinados ao pagamento de proventos.

A segunda forma se dá por meio da valorização dos papéis na bolsa de valores. Conforme os movimentos do mercado e os resultados da empresa, o preço de uma ação pode aumentar – ou diminuir também. Quem compra ações por um valor baixo e vende mais tarde, por um preço maior, consegue lucrar.

Fundos Imobiliários (FIIs)

Um fundo imobiliário reúne investidores interessados em aplicar em conjunto no mercado imobiliário. O mais comum é que o dinheiro seja usado na construção ou na aquisição de imóveis, depois locados ou arrendados. Os ganhos dessas operações são divididos entre os participantes, na proporção em que cada um aplicou. Os FIIs podem ter as cotas negociadas no pregão da B3.

Algumas pessoas acreditam que os fundos imobiliários são investimentos de renda fixa, por conta da distribuição regular de rendimentos mensais que muitos deles oferecem – e que lembra o funcionamento de alguns títulos públicos. Mas os FIIs são aplicações de renda variável: suas cotas oscilam na Bolsa, de acordo com as condições do mercado ou a gestão da carteira. Assim, não é possível saber de antemão qual será o retorno. E também não há garantia de que os rendimentos serão mantidos ao longo do tempo.

ETFs

Exchange Traded Funds é o nome completo dos ETFs, também conhecidos como “fundos de índices”. Eles são fundos que replicam a composição de índices financeiros – como o Ibovespa ou o IBrX – e têm as cotas negociadas no pregão da bolsa, como as ações. Seu objetivo é oferecer aos investidores uma alternativa para investir em carteiras praticamente idênticas às principais referências do mercado.

Uma das suas principais vantagens é a praticidade. Isso porque um ETF permite ao investidor apostar em várias ações de uma vez sem precisa comprar papel a papel. A segunda é o custo. As taxas de administração dos fundos de índices costumam ser bem menores do que as cobradas nos fundos de ações em geral, mesmo no caso dos passivos. Nos ETFs negociados no pregão da B3, elas variam entre 0,05% e 0,69% ao ano.

Opções

Uma opção representa o direito de comprar ou vender uma ação (ou um outro ativo) em uma data futura específica e por um preço preestabelecido. É como se fosse um contrato, classificado como “derivativo”, já que o preço da opção deriva do preço do ativo a que ela se refere. Trata-se de um mercado grande e muito dinâmico.

Uma opção pode ser utilizada como hedge – ou seja, como uma proteção no mercado futuro para os investimentos realizados no mercado à vista. Imagine alguém que comprou as ações de uma empresa e tem receio de que as cotações recuem no futuro. É possível evitar perdas maiores adquirindo opções de venda da ação por um preço que evite o prejuízo.

Há também quem negocie as opções por si, sem ter a função de proteger uma carteira. O objetivo é efetivamente ganhar arbitrando os preços das opções, que também sobem e descem ao longo do tempo.

Câmbio

O investimento em câmbio envolve aplicações baseadas em moedas. Esse tipo de produto costuma ser considerado uma opção para diversificar a carteira e, principalmente, para proteger o patrimônio das oscilações da economia brasileira.

Há muitas formas de fazer isso. Existem, por exemplo, fundos cambiais, que mantêm pelo menos 80% do patrimônio investido em ativos relacionados a moedas. Seu principal fator de risco é a flutuação de preço de moedas estrangeiras ou a variação do cupom cambial (taxa de juros em dólares no Brasil).

Também é possível investir em câmbio comprando contratos ou minicontratos futuros de dólar negociados no pregão da B3. Eles representam acordos de compra ou venda da moeda, a um preço fechado, em uma data futura. Há ainda os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) baseados em moedas estrangeiras.

Futuros

Esses contratos são negociados no pregão da B3. Assim como os futuros de dólar, que podem ser usados para investir em câmbio, eles são acordos de compra ou venda de ativos variados, a um preço fechado, em uma data futura. Na bolsa brasileira, existem futuros de milho, café, soja, boi gordo, Ibovespa e até S&P 500, um dos principais índices de ações do mercado americano.

Os futuros são uma maneira bastante comum de investir em commodities. Justamente por isso, uma das suas características é o fato de os contratos serem todos padronizados, de modo que todos os investidores negociem os derivativos com as mesmas condições.

Uma particularidade dos contratos futuros é a existência de ajustes diários. Significa que, diariamente, a bolsa apura os lucros e prejuízos de cada posição (comprada ou vendida) nos derivativos. Assim, o investidor que adquiriu um determinado futuro e teve perdas em um dia precisa realizar um depósito para compensar. O contrário também acontece.

Fundos de Investimento

Vários tipos de fundos permitem investir em renda variável. Os de ações são os exemplos mais comuns. Trata-se de carteiras que, por definição, aplicam no mínimo dois terços do patrimônio em ações negociadas em mercados organizados, como bolsas de valores, ou em outros ativos relacionados a esse segmento (como recibos de subscrição, cotas de outros fundos de ações ou BDRs, que são recibos de ações estrangeiras negociados no Brasil).

Os fundos de ações são considerados maneiras simples de investir em renda variável, porque quem se responsabiliza por decidir que papéis comprar ou vender é um gestor profissional. Isso, é claro, tem um custo. Há cobrança de taxa de administração – e, em alguns casos, taxa de performance também.

Ainda é possível investir em renda variável por meio de fundos multimercados. Eles investem em segmentos variados – renda fixa, variável e moedas. Alguns deles podem adotar estratégias bastante sofisticadas.

Criptomoedas

Categoria recente de ativo financeiro, as criptomoedas são moedas virtuais não produzidas ou controladas pelos bancos centrais. Elas são, verdadeiramente, códigos que podem ser convertidos em valores. Sua criação se dá por meio de uma rede descentralizada de pessoas que, em seus servidores, registram as transações realizadas com essas moedas. São protegidas por criptografia e pela tecnologia de blockchain.

É possível investir em criptomoedas – entre as quais o bitcoin é a mais conhecida – por meio de corretoras especializadas. Também existem fundos de criptomoedas. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) permite que os fundos façam aplicações indiretas, por meio de cotas de outros fundos ou de derivativos no exterior (desde que sejam regulamentados em seu país).

É seguro investir em Renda Variável?

A bolsa de valores é o palco onde os investidores de renda variável se encontram. Mas esse é um ambiente seguro para as pessoas aplicarem seu dinheiro? Essa é a principal função da B3: organizar, manter, controlar e garantir sistemas apropriados para a realização de negócios. Para assegurar a confiabilidade, uma série de regras sobre a transparência na divulgação de informações e a segurança na compensação e liquidação dos negócios foi estabelecida.

Além da autorregulação feita pela própria B3, existe a atuação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia do governo federal responsável por regulamentar, fiscalizar, julgar e punir os agentes de mercado quando as regras não são seguidas.

Para proteger os investidores no dia a dia dos negócios, há também o Mecanismo de Ressarcimento de Prejuízos (MRP), que assegura o ressarcimento de até R$ 120 mil por prejuízos causados por corretoras, distribuidoras e agentes autônomos. O MRP pode ser acionado quando se registra uma perda por ação desses participantes – como a execução incorreta de uma ordem (de compra ou venda) do investidor, o uso dos recursos do investidor em operações não solicitadas e até a quebra da corretora. Esse mecanismo é vinculado à B3 e só pode ser acionado se a folha ocorrer no âmbito dos mercados administrados pela bolsa.

Com todas essas iniciativas e agentes fiscalizadores, do ponto de vista institucional, é seguro investir em renda variável. Isso, no entanto, não significa que os investidores estarão isentos da possibilidade de perda nas suas aplicações, devido aos movimentos do mercado. Por isso, os interessados devem conhecer seu perfil de risco e avaliar cautelosamente os instrumentos que utilizarão para investir.

Vantagens e desvantagens de investir em Renda Variável

A principal vantagem de investir em renda variável é a possibilidade de obter um retorno maior que o da renda fixa. Isso acontece quando o humor do mercado está favorável e as empresas emissoras das ações e dos outros instrumentos crescem e avançam nos seus segmentos.

A contrapartida é o risco mais alto. Na renda variável, não existe qualquer tipo de garantia de que o melhor cenário acontecerá, ao passo que, na renda fixa, as condições de remuneração são claramente estabelecidas desde o início.

Os mercados de renda variável também oscilam bastante. Pense na bolsa de valores: um dia, o Ibovespa sobe, no outro, cai. É assim o tempo todo. Portanto, é necessário estar com os nervos preparados para lidar com a instabilidade do mercado constantemente.

Por outro lado, existe uma variedade grande de ativos no mercado de renda variável. Assim, é possível investir em produtos e segmentos que atendam especificamente os objetivos de cada investidor. Se alguém acredita que as empresas de varejo se sairão bem em determinado período, consegue comprar ações de companhia da área com relativa facilidade. Se, por outro lado, gosta do setor elétrico mas não quer ter tanto trabalho com o acompanhamento dos papéis, pode encontrar fundos de ações focados nesse segmento.

Qual é o momento certo para começar a investir em renda variável?

É muito difícil estabelecer a melhor hora para fazer um investimento em renda variável. Via de regra, os melhores resultados são obtidos comprando ações quando elas estão desvalorizadas e vendê-las mais tarde, quando os preços tiverem subido.

Vários investidores passam muito tempo tentando descobrir o momento exato em que uma ação está no seu preço mais baixo, para então adquirir o papel. Os especialistas, no entanto, não costumam recomendar tanta dedicação a isso. É praticamente impossível saber quando uma ação caiu tudo o que poderia. Por isso, em vez de focar em acertar esse ponto específico, o mais indicado é comprar aos poucos, gradativamente.

Assim, o investidor talvez deixe de negociar o papel no seu ponto mais baixo, mas também evita perder uma boa oportunidade de investimento por esperar demais. Comprando aos poucos, é possível fazer um preço médio e conseguir um retorno interessante (na média) ao longo do tempo.

É possível investir em renda variável com pouco dinheiro?

Cada instrumento de renda variável estabelece valores mínimos de investimento. Há fundos de ações, por exemplo, que permitem aplicações iniciais na faixa de R$ 500, por exemplo.

Para comprar ações diretamente na bolsa, não há propriamente um valor mínimo. Normalmente, os papéis são negociados em lotes padrões de 100. Assim, uma ação que tenha um valor unitário de R$ 10 exigirá um investimento de R$ 1.000 para comprar um lote padrão. No entanto, é possível adquirir lotes menores, por um valor inferior, no chamado mercado fracionário. As cotações por ação podem ser ligeiramente diferentes lá.

Embora não seja definido um valor mínimo no mercado de ações, pode ser penoso aplicar valores muito pequenos na bolsa, porque eles dificultam a diversificação. Alguém que chegue ao pregão com R$ 500 dificilmente conseguirá montar uma carteira variada, com diversas ações – o que é recomendável, para mitigar os riscos da concentração em um único papel. Nesses casos, pode ser mais interessante optar por um fundo de ações.

Outro detalhe são os custos. Para negociar ações, o investidor paga uma taxa de corretagem à corretora que faz a intermediação da operação. Essa taxa varia de instituição para instituição, mas costuma oscilar entre R$ 10 e R$ 20 no home broker. Embora não pareça alto, esse valor pode significar muito diante de um investimento pequeno. Para compensar esse custo, é preciso que os papéis valorizem muito – o que nem sempre acontece.

Além disso, investimentos de renda variável estão sujeitos ao Imposto de Renda. No caso das ações, a alíquota é fixa e de 15% sobre os ganhos obtidos com as operações. Porém, o investidor é isento do IR se realizar vendas menores do que R$ 20 mil por mês.

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