Como começar a investir: um guia para dar os primeiros passos no mercado

Guia completo de investimentos para iniciantes. Confira tudo que você precisa saber para mergulhar no mundo dos investimentos com segurança.

Começar a investir
(Imagem: Gettyimages)

Quem já refletiu sobre o seu futuro financeiro certamente pensou sobre como começar a investir. O verbo talvez soe como uma possibilidade distante para muitas pessoas. Mas a verdade é que existem muitas formas de investir – das mais acessíveis às mais sofisticadas.

Conhecê-las, escolher a sua própria e dar os primeiros passos devem estar entre as prioridades de quem sonha em ter uma vida confortável para si e sua família.

Se lhe falta segurança sobre como começar a investir, esse guia explica os conceitos básicos do mercado financeiro e dos investimentos, de um jeito direto e descomplicado. Confira:

• É possível investir com pouco dinheiro?
• Vale a pena investir endividado?
• Conceitos básicos que todo investidor precisa conhecer
• Relação entre risco e retorno
• Tipos de investimento
• Como começar a investir

É possível investir com pouco dinheiro?

Antes de começar é importantes desmistificar algumas máximas tomadas como verdades absolutas. Por exemplo, muita gente pensa que investir é coisa para milionários. Que é preciso ter muito dinheiro para então poder começar. Mas, na verdade, não é.

Em muitos casos, o que acontece é o oposto: investindo aos poucos e regularmente, mesmo que uma quantia pequena, a riqueza vai crescendo com o passar do tempo.

Existem alternativas de investimentos para todos os bolsos, níveis de conhecimento e tempo de dedicação.

Na renda fixa, os títulos públicos federais negociados no Tesouro Direto estão disponíveis para quantias muito pequenas. É possível iniciar as compras no sistema a partir de R$ 30 – tão pouco quanto custa uma pizza.

Para quem já conseguiu guardar um pouco mais, é possível investir em CDBs – papéis muito comuns do setor bancário – com R$ 500 ou menos.

Mas realmente vale a pena começar com tão pouco? A resposta é sim. Pense em um CDB, por exemplo. A remuneração desse tipo de papel segue a lógica dos juros compostos. Significa que os retornos recebidos ao longo do tempo são incorporados ao patrimônio do investidor, e passam a render juros também.

Quem investiu R$ 1.000 em um CDB com juros de 5% terá R$ 1.050 ao fim do primeiro ano – e os 5% referentes ao ano seguinte serão aplicados sobre esse novo valor, em vez de apenas os R$ 1.000 iniciais. Os ganhos, portanto, são exponenciais, e não lineares.

E não apenas na renda fixa há opções mesmo para valores menores. Na renda variável, também existe essa possibilidade. Alguns fundos de investimentos exigem aplicações iniciais a partir de R$ 500.

Para quem já conhece um pouco sobre a Bolsa, é possível aportar valores baixos em ações utilizando o mercado fracionário – em que os papéis são vendidos individualmente, em quantias menores do que um lote padrão, normalmente de 100 ações.

A mensagem é clara: que tal começar a investir mesmo que seja um valor pequeno, com algum produto que permita aportes menores, no lugar de ficar esperando ter quantia maior para só então dar o primeiro passo? Dar a largada cedo é importante porque os rendimentos se acumulam, gerando ganhos ainda maiores no futuro.

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Vale a pena investir endividado?

Quem está começando a organizar a vida financeira talvez tenha uma ou outra dívida ainda por quitar – mas gostaria de começar a investir mesmo assim. Faz sentido?

A resposta depende de um raciocínio sobre quanto é possível ganhar fazendo um investimento, em relação a quanto se gasta com os juros de uma dívida não quitada. A maioria das linhas de crédito mais acessíveis cobram taxas elevadas – como é o caso do cheque especial ou até do crédito pessoal voltado ao consumo. Regra geral, quanto antes for possível se livrar de uma dívida desse tipo, melhor, porque ela é muito cara.

É muito difícil uma aplicação financeira – principalmente as mais comuns para quem está iniciando a vida de investidor – oferecer uma remuneração superior aos juros cobrados nesse tipo de linha de crédito. Então, nesse caso, faz sentido direcionar qualquer dinheiro que sobrar para quitar a dívida. Depois, com o saldo devedor zerado, será possível investir de cabeça livre.

A única situação em que é lógico investir apesar de ter uma dívida não quitada é quando a aplicação tiver uma remuneração superior aos juros cobrados na linha de crédito. Imagine um financiamento imobiliário de custo muito baixo, em comparação com uma aplicação que rende bem. Nesse caso, é possível que a diferença seja positiva em favor do investimento. E então, seria boa ideia continuar investindo e, simultaneamente, seguir pagando as parcelas do financiamento.

É bom lembrar que esse raciocínio vale especialmente para investimentos mais conservadores, como os de renda fixa. A renda variável pode estar sujeita a oscilações bruscas, e dependendo do horizonte de tempo que o investidor tiver pela frente, pode incorrer em perdas financeiras. Quem tem uma dívida para pagar não deve correr esse tipo de risco.

Se você que sair das dívidas, precisa começar com um planejamento financeiro que ajude a organizar as receitas e despesas. Conheça o método 50-30-20, uma das maneiras mais simples e eficientes para colocar as contas em ordem e começar a guardar dinheiro.

Cinco conceitos básicos que todo investidor precisa conhecer

Você, que está interessado em começar a investir, já deve ter notado que o mercado conta com uma língua “própria”. Existem alguns conceitos que é preciso conhecer para poder se movimentar com mais segurança nesse ambiente. Conheça os principais deles:

Liquidez

Representa o nível de facilidade (ou de dificuldade) de resgatar ou de transferir um investimento. Aplicações com baixa liquidez são negociadas por menos investidores ou em prazos mais espaçados. É possível que sejam menos atrativas por conta disso. Costuma ser o caso de debêntures ou outras opções mais sofisticadas de renda fixa. Já os investimentos de alta liquidez possuem um volume elevado de operações. As ações da Vale ou da Petrobras, por exemplo, são consideradas de alta liquidez. Esse é um ponto a favor delas.

Risco

Nos investimentos, risco não é muito diferente do conceito de risco em geral. Representa a chance de alguma coisa sair diferente do esperado ou em desacordo com os interesses dos envolvidos. Na prática, é a possibilidade de que algo tenha impacto sobre os resultados das aplicações financeiras.

Retorno

É quanto o investidor ganha com uma aplicação financeira. Quando é expresso na forma de um percentual, é chamado de rentabilidade. Assim, uma rentabilidade de 10% ao ano é o mesmo que um retorno equivalente a 10% do valor inicialmente aplicado, obtido ao longo de um ano.

Diversificação

Uma estratégia de investimento muito conhecida no mercado é dividir os recursos entre diferentes produtos. Essa é uma prática voltada a redução de riscos – mas como? Tipos diferentes de investimentos costumam oscilar de forma distinta. Quando um está em queda, outros podem registrar ganhos, por exemplo. Isso ocorre porque acontecimentos que beneficiam um setor da economia, por exemplo, podem ser ruins para outro.

Pense no câmbio. O dólar valorizado é positivo para exportadores, e pode ser um estímulo para que as ações dessas empresas subam. Por outro lado, companhias que dependem de insumos importados tendem a sofrer com a mesma situação. Um investidor que tivesse apostado todas as suas fichas nessas empresas poderia ter prejuízo. Já se tivesse dividido o portfólio entre os dois tipos de negócios estaria mais protegido.

Leia também:
• Quem são os profissionais que cuidam do seu dinheiro?

Relação entre risco e retorno

Cada investimento embute uma expectativa de retorno diferente. E qual é a razão disso? Entre outros fatores, conta a relação entre risco e retorno. De maneira geral, quanto maior for o risco de um investimento, maior é seu retorno esperado. Da mesma forma, investimentos com um risco menor tendem a apresentar um retorno esperado menor.

Compare o mercado de ações com os investimentos de renda fixa, por exemplo. É possível obter um retorno mais elevado com as ações, mas o risco dessa alternativa também é maior do que o das aplicações de renda fixa.

Tipos de investimento

Existem diversos ativos disponíveis no mercado financeiro. Cada um com caraterísticas específicas para atender os mais variados objetivos. A maioria deles são classificados como investimentos de renda fixa e renda variável.

Renda Fixa

São chamados de renda fixa os investimentos em que a forma de cálculo da remuneração é definida desde o momento da aplicação. Ao investir em um título desse tipo, o investidor na prática “empresta” dinheiro ao emissor – que pode ser o governo (se o investimento for um título público) ou empresas (caso se trate de uma debênture, por exemplo).

Sua expectativa é receber de volta, no futuro, o valor aplicado mais juros. Todas as condições são acertadas antes de o investimento acontecer.

Na renda fixa é possível encontrar as melhores opções de investimentos para iniciantes.

Saiba mais no guia completo sobre renda fixa.

Renda Variável

Os investimentos de renda variável têm retorno imprevisível no momento do investimento. A remuneração que oferecem varia conforme as condições do mercado – exatamente o oposto da renda fixa, em que o cálculo do rendimento é conhecido desde o início.

Na renda variável, não é possível ter esse nível de certeza. Quem compra ações sabe que embolsará a valorização dos papéis, mas é impossível saber de quanto será essa variação. Na verdade, não é possível nem mesmo garantir se haverá ganhos, já que os papéis podem desvalorizar no período.

Portanto, os investimentos da renda variável são mais arriscados e não costumam ser indicados para investidores iniciantes.

Saiba mais no guia completo sobre renda variável.

Como começar a investir
(Imagem: Gettyimages)

Passo a passo; como começar a investir

Se o papo até aqui aguçou sua vontade de investir, saiba que é preciso seguir alguns passos para começar. Abaixo listamos os cinco principais:

1. Estabeleça os seus objetivos

Por qual razão você está economizando dinheiro? Se for para trocar de carro no fim do ano, sua situação é uma. Se o objetivo for comprar um imóvel num futuro próximo, é outra. Já se seu desejo é assegurar uma aposentadoria tranquila, as especificidades são diferentes. E para cada um desses casos, existe uma maneira melhor (ou pior) de investir.

Perceba que cada um dos objetivos mencionados acima tem um prazo distinto de realização. Assim também são os investimentos necessários para cumprir cada um deles. Em geral, os investimentos são classificados em três horizontes temporais, que são:

• Investimento de curto prazo: são aqueles com uma duração de até um ano. Para esses casos, costumam ser recomendadas aplicações com liquidez diária – principalmente se você estiver falando da sua reserva de emergência. Trata-se de recursos guardados exatamente para fazer frente a imprevistos. Eles precisam estar disponíveis imediatamente, sempre.

• Investimento de médio prazo: são os que têm duração de um a cinco anos. Não há problemas em que pelo menos parte desse investimento esteja aplicada em produtos de risco moderado, com alguma volatilidade, ou que não tenham liquidez diária. Isso porque a ideia é que o investidor tenha algum tempo para que possa recorrer a essa reserva.

• Investimentos de longo prazo: são chamadas assim as aplicações com prazo superior a cinco anos. Nesse caso, se for da preferência do investidor, pode-se aplicar em ativos mais longos e com maior volatilidade, o que implica maior risco de mercado (e também maior potencial de ganho).

2. Determine o valor que vai ser investido mensalmente e ajuste o orçamento

Você talvez já tenha ouvido a recomendação de que é necessário pagar a si próprio primeiro. Se seu objetivo é investir, essa frase é mais verdadeira do que nunca. Depois de estabelecer um orçamento e contabilizar de quanto poderá dispor para aplicar em produtos financeiros, é importante considerar esse valor como um “custo” na sua planilha mensal de gastos. Separe esse valor logo que receber sua renda, e o direcione para o investimento da sua preferência.

O risco de não fazer isso, deixando para aplicar quanto sobrar na conta no fim do mês, é exatamente o de acabar não investindo nada. Os gastos de última hora costumam abocanhar parte dos valores disponíveis, faltando para o que é mais importante – a preservação do patrimônio e a multiplicação da riqueza. Por isso, pagar-se primeiro é uma necessidade real.

3. Descubra o seu perfil de investidor

Como você se sentiria se em um intervalo de poucos dias se um dos seus investimentos registrasse perdas de 5% ou 10%? Ou se precisasse de dinheiro no momento, mas esbarrasse em uma carência de algumas semanas em uma aplicação? Perderia o sono por conta do vaivém dos mercados, ou descansaria tranquilo em meio a uma crise passageira?

Fazer esse tipo de pergunta a si mesmo pode ajudar as pessoas a identificarem seu próprio perfil de investidor. Ter consciência dele é importante em vários aspectos. Em primeiro lugar, serve para guiar a escolha dos produtos financeiros mais adequados. Alguém que não suporte oscilações bruscas, por exemplo, deve entrar com cautela em mercados de risco.

Em segundo lugar, ajuda a evitar surpresas no futuro. Quem já consegue prever a própria reação diante de situações adversas nos investimentos costuma ter condições de lidar melhor com elas e evitar atitudes precipitadas – que muitas vezes acabam em prejuízo.

As próprias instituições financeiras têm por obrigação realizar um processo conhecido como suitability, que é verificar a adequação dos produtos, serviços e operações financeiras ao perfil do investidor. Na prática, significa que elas não podem oferecer investimentos sem checar se eles são adequados para cada pessoa. Devem ser considerados os objetivos, a situação financeira e o nível de conhecimento dos clientes.

Normalmente, as instituições financeiras fazem essa análise aplicando um questionário com algumas perguntas sobre os objetivos do cliente e sua tolerância a risco. Com essas respostas, precisam classificar os investidores em pelo menos três categorias diferentes, de acordo com o perfil de risco de cada um.

O mais comum é que os investidores acabem sendo classificados como conservadores, moderados ou agressivos.

• Conservadores: são investidores que têm baixa tolerância a risco e que priorizam investimentos com liquidez.

• Moderados: buscam proteger o capital no longo prazo, e costumam estar mais dispostos a investir parte dos recursos em produtos com algum nível de risco.

• Agressivos: toleram o risco e aceitam a possibilidade de ter perdas em alguns momentos, se isso representar a chance de obter maiores retornos.

Não significa que os investidores tenham um perfil estático. Afinal, objetivos, situação financeira e nível de conhecimento mudam ao longo da vida. Um investidor moderado na juventude pode se tornar conservador na velhice. Ou alguém que comece com um perfil conservador pode evoluir para um perfil agressivo conforme se habituar ao funcionamento do mercado. O importante é ter clareza da sua tolerância ao risco em cada fase, para realizar os investimentos mais adequados em cada momento.

4. Estude sobre investimentos e defina uma carteira baseada nos objetivos e perfil

Agora que você já entendeu a necessidade de estabelecer objetivos financeiros e de conhecer o próprio perfil de investidor, é hora de usar esses conceitos na prática. É com base nas suas descobertas sobre si mesmo que poderá definir quais as aplicações adequadas para seu caso. Isso é importante porque existe uma enorme variedade de produtos financeiros, e cada um deles é apropriado para uma situação específica.

Lembre-se de estabelecer uma carteira de investimentos diversificada, porque isso ajuda a mitigar os riscos das aplicações. Também é importante acompanhar as mudanças no cenário econômico e do mercado financeiro, já que elas podem ter impacto sobre suas decisões de investimentos. O rebalanceamento da carteira é uma prática que deve ser realizada com uma certa frequência – em geral, uma ou duas vezes ao ano são suficientes.

Para saber mais sobre os ativos disponíveis no mercado, acesse o nosso guia de investimentos.

5. Abra uma conta em uma corretora

Para começar a investir é necessário ter uma conta em uma corretora de valores. Elas são as instituições financeiras autorizadas a receber as ordens de compra ou de venda de ações dos clientes e executar as operações na B3 em nome deles. Mas a bolsa de valores não é a única alternativa de investimento oferecida pelas corretoras.

A variedade de produtos financeiros que as corretoras disponibilizam, aliás, é uma das principais vantagens em relação aos bancos. Como são especializadas apenas em investimentos – ao contrário dos bancos, que oferecem serviços distintos, como crédito – elas conseguem capturar no mercado e oferecer a seus clientes muitas opções, o que permite aos investidores encontrar as mais adequadas para seus próprios perfis.

Atualmente, muitas corretoras funcionam num sistema que lembra o de um “shopping center” financeiro. Significa que, além dos produtos que elas mesmas administram (fundos, por exemplo), oferecem aos clientes produtos de várias outras instituições financeiras. Pense no relacionamento que você mantém com seu banco. Se quisesse aplicar em um CDB, provavelmente só teria à disposição os papéis do próprio banco. Em uma corretora, as prateleiras estão abertas para os CDBs de vários bancos.

Outra vantagem que as corretoras costumam ter sobre os bancos está nos custos. Usualmente, as taxas cobradas pelos bancos na realização de investimentos são mais elevadas que as das corretoras. Muitas delas, aliás, já estabeleceram a isenção de algumas das tarifas mais comuns, como a taxa de custódia (que remunera as instituições pela guarda dos títulos). Fora isso, é importante lembrar que os profissionais das corretoras que orientam os investidores costumam ser bem preparados e conhecer os detalhes dos diferentes tipos de produtos financeiros, o que nem sempre acontece nos bancos.

Para investir por meio de uma corretora, comece escolhendo a que atende melhor suas expectativas. Avalie o valor das taxas de corretagem, a facilidade de uso dos sistemas de negociação, a disponibilização de relatórios e orientações sobre investimentos, entre outros aspectos. Depois disso, é preciso abrir uma conta.

Em geral, bastam alguns documentos pessoais de identificação e preencher alguns cadastros. Com a conta aberta, é possível realizar uma transferência (via TED ou DOC) e, finalmente, começar a investir.

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