Pandemia de Covid-19

Sem citar Fase Roxa, SP anuncia que vacinação para idosos de 72 a 74 anos começa em 22 de março

São cerca de 730 mil pessoas nessa faixa etária

Doria coletiva
(Reprodução)

SÃO PAULO – O governo do estado de São Paulo anunciou que começará a partir do dia 22 de março a vacinação contra Covid-19 para o grupo de idosos de 72 a 74 anos de idade. São cerca de 730 mil pessoas nessa faixa etária. A nova etapa da campanha de vacinação foi anunciada em coletiva realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na tarde desta quarta-feira (10).

Na última coletiva, realizada na segunda-feira (8), o governo havia anunciado a imunização para idosos de 75 e 76 anos de idade a partir do dia 15 de março.

A expectativa é de que cerca de 4,8 milhões de pessoas estejam vacinadas no estado depois de concluída a imunização da população entre 72 e 74 anos de idade, segundo Regiane de Paula, coordenadora de controle de doenças da Secretaria Estadual da Saúde.

O governo paulista iniciou sua campanha de imunização no dia 17 de janeiro, vacinando primeiro trabalhadores da saúde, indígenas e quilombolas. Depois dos idosos com 90 anos de idade ou mais, e dos idosos com 85 anos de idade ou mais, os idosos entre 80 e 84 anos foram vacinados em 27 de fevereiro. No dia 3 de março, o estado começou a imunizar a população com 77 a 79 anos de idade.

Segundo os últimos números do Vacinômetro, ferramenta digital desenvolvida em parceria com a Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp) que permite acompanhar em tempo real o número vacinas aplicadas no estado, cerca de 3,5 milhões de pessoas já foram imunizadas até as 13h15 desta quarta-feira (10). Desse total, 2.586.890 receberam apenas a primeira dose, enquanto 946.426 já receberam a segunda aplicação.

Novos lotes da CoronaVac

Dimas Covas, presidente do Butantan, afirmou que o instituto entrega nesta quarta-feira ao Governo Federal mais 1,2 milhão de doses da CoronaVac. Na próxima segunda-feira (15), serão mais 3,3 milhões, totalizando cerca de 4,5 milhões de doses nos próximos cinco dias. Até o fim de março, a expectativa é de entrega total de 22,7 milhões de doses para o Plano Nacional de Imunização (PNI).

Covas ressaltou as variantes do coronavírus. A variante da África do Sul (B.1.351) é a que mais preocupa o governo, por apresentar maior carga viral e transmissão mais rápida, além de ser resistente à neutralização dos anticorpos produzidos por algumas vacinas e até mesmo pela produção natural de anticorpos pelo infectado. A variante do Reino Unido (B.1.1.7) também apresenta uma velocidade maior na transmissão (30% a 50% superior, na comparação com a variante inicial).

Ainda, há outras duas variantes brasileiras: a chamada P.1, do Amazonas, e a P.2, do Rio de Janeiro. A última é predominante no país atualmente, segundo Covas. “A variante do Amazonas preocupa e explica parte desse momento complicado da pandemia. É mais agressiva. Mas a vacina do Butantan é eficaz contra todas as variantes”, afirmou o presidente.

Possíveis novas restrições, mas com suposta “Fase Roxa” descartada

Todo o estado está na fase vermelha desde o último sábado (6), que deve se estender até 19 de março. A Fase Vermelha é a fase mais restritiva imposta pelo Plano São Paulo, programa de controle da pandemia imposto pelo governo estadual, que condiciona a reabertura econômica aos índices de novos casos, internações e óbitos por Covid-19 nas regiões do estado.

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Paulo Menezes, coordenador do centro de contingência, afirmou que o governo avalia novas restrições. “Hoje temos as medidas que correspondem à fase vermelha do Plano SP. A situação é grave. O centro de contingência discute tudo isso há semanas. Estamos discutindo a necessidade de medidas mais restritivas. E conforme seja necessário o governador anunciará novas medidas. Tudo indica que sim”.

Regiões na Fase Vermelha devem fechar todo o comércio e manter em funcionamento apenas serviços considerados essenciais, como abastecimento e logística, comunicação social, construção civil, educação, farmácias e hospitais, mercados e padarias, postos de combustíveis, transporte coletivo e segurança pública. Restaurantes podem operar no formato de delivery.

O Plano SP divide o estado em regiões e cada uma delas é classificada em uma fase. São cinco, que vão do nível máximo de restrição de atividades não essenciais (Vermelha) a etapas identificadas como controle (Laranja), flexibilização (Amarela), abertura parcial (Verde) e normal controlado (Azul).

Há especulações sobre a criação de uma nova fase do Plano SP ainda mais restritiva, a Fase Roxa, na tentativa de conter o avanço da pandemia. Mas por enquanto, o governo não afirmou nada oficialmente sobre essa suposta nova etapa.

Entre as medidas que seriam adotadas em uma eventual Fase Roxa especula-se que os horários de funcionamento dos serviços essenciais poderiam ser reduzidos, como em padarias, supermercados e postos de gasolina, incluindo também a possível suspensão de eventos esportivos, como o campeonato paulista de futebol, e religiosos.

Situação em São Paulo é preocupante

João Doria, governador do estado, anunciou que o estado vai expandir o sistema de saúde pública com a criação de 338 novos leitos em todo o estado, sendo 167 de UTI, considerando hospitais estaduais, municipais e filantrópicos. No total, o estado passa a ter 9.200 leitos de UTI – quase o triplo do que havia antes da pandemia.

Jean Gorinchteyn, secretário da Saúde, ressaltou a situação preocupante do estado. São Paulo está com ocupação média de 82% em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), com 8.972 pessoas.

“Em julho de 2020, no pico de internações, tínhamos 6.250 pessoas internadas em UTI. Há exatas duas semanas, eram 6.257 pacientes internados nas UTI. A taxa acelerou muito em pouco tempo: mais de 2 mil pessoas internadas em 15 dias em todo o estado. A cada três minutos são três admissões nos hospitais, para UTI ou enfermaria”, disse.

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Na grande São Paulo, a taxa de ocupação nas UTIs é de 82,8%.

Nesta terça-feira (9), a média diária de mortes no estado foi de 298 óbitos, recorde pelo segundo dia seguido.

O ranking de estados com mais mortes pela Covid-19 é liderado por São Paulo, com 62.101, seguido por Rio de Janeiro (33.824) e Minas Gerais (19.605).

Situação da pandemia no Brasil

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou nesta terça-feira (9) que 25 das 27 capitais brasileiras possuem situação crítica de ocupação de leitos de terapia intensiva (UTIs) destinados à Covid-19, em momento em que o país enfrenta uma severa onda da pandemia, com recordes de óbitos.

O Brasil bateu novo recorde de mortes por Covid-19, segundo os dados desta terça-feira (9). Em 24 horas, foram registrados 1.972 novos óbitos em consequência do novo coronavírus. A soma superou a marca anterior, de 1.910 óbitos, confirmados no dia de 3 de março.

O total de vidas perdidas para a pandemia alcançou 268.370. Ainda há outras 2.944 mortes em investigação por equipes de saúde. Isso porque há casos em que o diagnóstico sobre a causa só sai após o óbito do paciente.

O número de pessoas recuperadas subiu para 9.843.218. Já a quantidade de pessoas com casos ativos, em acompanhamento por equipes de saúde, ficou em 1.010.841.

Diante do avanço da pandemia no Brasil, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reuniu-se também nesta terça (9) com representantes da aliança mundial de vacinas Gavi e pediu atenção ao Brasil na distribuição de imunizantes no âmbito do grupo internacional Covax Facility, coordenado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A aliança Gavi integra o grupo internacional.

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O Brasil tem direito a 42,5 milhões de vacinas neste ano pela Covax Facility. “Nós temos quase 40 mil postos de vacinação e temos o maior programa de vacinação o mundo. Precisamos barrar o vírus com vacinas. Precisamos vacinar a população”, disse.

A previsão é que o Brasil receba 2,9 milhões de doses da vacina Oxford/AstraZeneca neste mês e mais 6,1 milhões em abril.

O governo brasileiro tenta, ainda, negociar junto à China a compra de 30 milhões de doses de mais uma vacina desenvolvida pelo país asiático, desta vez do laboratório Sinopharm, para tentar evitar uma suspensão do programa de vacinação no Brasil por falta de doses.

Élcio Franco, secretário-executivo do Ministério da Saúde, afirmou que a vacinação no país pode ser interrompida por falta de doses disponíveis de vacinas. Até o momento, o Brasil vacinou apenas cerca de 4% da população, mediante a escassez de doses.

*Com informações da Reuters e da Agência Brasil.

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