Estímulo

Efeito coronavírus: mapa mostra os países que cortaram juros na esteira do Fed

Pelo menos nove bancos centrais reduziram taxas em março; outras reuniões de política monetária importantes estão previstas para o mês

SÃO PAULO — A decisão do banco central americano de cortar emergencialmente a taxa básica de juros dos Estados Unidos, no início desta semana, foi um gatilho para outras autoridades monetárias pelo mundo fazerem o mesmo. O estímulo visa amenizar os efeitos devastadores do coronavírus sobre os lucros das empresas e, consequentemente, sobre a atividade econômica global.

Em reunião extraordinária, o Federal Reserve decidiu por cortar em 0,5 ponto percentual a Fed Funds Rate para o intervalo entre 1% e 1,25% — antes, o intervalo ia de 1% a 1,75%. A reunião regular do Fomc, o comitê de política monetária do banco central americano, está marcada para 17 e 18 de março, mesmos dias em que o Banco Central do Brasil vai decidir o que fazer com a Selic.

A taxa básica de juros brasileira está em 4,25% ao ano, seu menor patamar histórico. Antes da decisão do Fed, muitos economistas previam que ela seguiria nesse nível até o fim do ano. Agora, as previsões mudaram: os especialistas são unânimes quanto a novos cortes e há, inclusive, projeções que enxergam a Selic em 3,50% ao ano em dezembro.

Na esteira do Fed, pelo menos nove bancos centrais também anunciaram cortes de juros, como o do Canadá, o da Austrália e o dos Emirados Árabes Unidos. O mapa abaixo mostra quais foram as autoridades monetárias que cortaram juros desde a decisão do BC americano e o atual patamar das taxas.

Também é possível ver a perspectiva para as decisões de política monetária que estão previstas para este mês, que são, além do Brasil e dos Estados Unidos, na União Europeia (Banco Central Europeu), no Japão e no Reino Unido.

Crescimento ameaçado

Ao cortar o juro básico, os bancos centrais estão estimulando as economias porque juros menores barateiam o crédito e incentivam a produção e o consumo em um cenário de baixa atividade econômica. Como o tamanho do surto do coronavírus no mundo ainda é incerto, economistas dizem que não é possível afirmar se os cortes serão suficientes.

Segundo os dados mais recentes anunciados pela Organização Mundial da Saúde, os casos confirmados de coronavírus no mundo já somam 101.587, com pelo menos 3.460 mortes. Os países com o maior número de casos, além da China, epicentro da epidemia, são a Coreia do Sul, a Itália e o Irã. O Brasil, por ora, têm 13 casos confirmados e mais de 700 casos suspeitos.

Nesta sexta-feira (6), a Moody’s afirmou que o coronavírus prejudicará o crescimento econômico de muitos países ao longo do segundo trimestre. Para a agência de classificação de risco, a retomada das atividades econômicas normais dependerá de quanto tempo se levará para conter a disseminação global do vírus.

A agência diz que tem revisado todas suas projeções para os países do G-20. “Parece agora quase certo que, mesmo que o vírus seja contido rapidamente, o surto prejudicará a atividade econômica global”, avaliou a Moody’s.

A agência cortou a projeção de crescimento do G-20 de 2,4% para 2,1% em 2020. Para a China, a redução foi de 5,2% a 4,8%, enquanto a dos EUA passou de 1,7% para 1,5%. No caso do Brasil, a projeção de crescimento foi reduzida de 2,0% para 1,8% neste ano, também por causa dos impactos do coronavírus.

A equipe de análise do Credit Suisse disse que o PIB mundial não crescerá mais 2,6% como previam antes, mas sim 2,2%. “A disseminação do surto no Japão, Coreia do Sul, Itália e outras economias significa quarentenas e restrições na atividade econômica fora da China.”

Já a equipe de análise do Bank of America cortou sua projeção de crescimento econômico global este ano de 3,1% para 2,8%. “O momentum de expansão da economia já era pouco animador mesmo antes do choque do coronavírus. A resposta agressiva da China à Covid-19 agora nos mostra que o primeiro trimestre de 2020 deve ser muito fraco.”

Para o Brasil, o BofA cortou sua projeção de crescimento em 2020 de 2,2% para 1,9%. O JPMorgan fez o mesmo: reduziu a estimativa de avanço do PIB brasileiro de 1,9% para 1,8% neste ano.

Em entrevista ao InfoMoney nesta semana, o CEO da Mauá Capital e ex-diretor de política monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o Banco Central do Brasil deve continuar agindo para dar suporte ao mercado diante da escalada do coronavírus no mundo (leia aqui a entrevista completa).

“Em momentos como este, em que você tem um choque muito grande, o que o Banco Central tem que fazer é isso: prover liquidez onde ela estiver faltando, seja no câmbio ou onde for. É isso que os bancos centrais estão fazendo”, disse.

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