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A União Europeia fez uma série de concessões a agricultores para viabilizar a aprovação política do acordo comercial com o Mercosul, negociado há mais de 25 anos. As medidas ajudaram a garantir maioria entre os países do bloco, mesmo com a oposição de setores rurais, especialmente na França e na Polônia.
Mesmo após protestos de agricultores franceses em Paris, os países da UE aprovaram o acordo nesta sexta-feira (9), com votos ainda sujeitos a confirmação formal pelos governos nacionais.
“É um acordo fundamental para a União Europeia, no plano econômico, político, estratégico e diplomático”, afirmou Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia.
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A seguir, os principais pontos das concessões feitas por Bruxelas.
Salvaguardas para produtos agrícolas
A Comissão anunciou garantias para setores sensíveis, como carne, aves, arroz, mel, ovos e etanol. O bloco poderá limitar volumes importados com tarifa reduzida e intervir se houver desequilíbrio de mercado.
Um compromisso firmado em dezembro prevê a abertura de investigações caso o preço de um produto do Mercosul fique ao menos 8% abaixo do praticado na UE e as importações cresçam mais de 8%. Em situações de prejuízo grave, tarifas poderão ser reintroduzidas temporariamente. O percentual ainda será confirmado no texto final que terá aval formalizado ainda nesta sexta.
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Regras mais duras sobre pesticidas
Para responder a críticas de concorrência desleal, a Comissão decidiu proibir três pesticidas — tiofanato-metilo, carbendazim e benomil — sobretudo em frutas como cítricos, mangas e mamões. A UE também prometeu reforçar controles sobre importações agrícolas.
Mais recursos para agricultores
A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, propôs antecipar cerca de € 45 bilhões em recursos da Política Agrícola Comum (PAC) a partir de 2028, como forma de compensar possíveis impactos do acordo.
Alívio no custo dos fertilizantes
Bruxelas abriu caminho para suspender temporariamente a aplicação do mecanismo de ajuste de carbono sobre fertilizantes e anunciou redução de tarifas sobre ureia e amoníaco, buscando conter preços para produtores europeus.
(com AFP)
