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Bill Gates: guinada para o nacionalismo piorou resposta dos governos ao coronavírus

"Poucas pessoas recebem um 'A' em termos do que fizeram nessa situação", disse o bilionário

Bill Gates
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SÃO PAULO – O bilionário e fundador da Microsoft Bill Gates acredita que o aumento do nacionalismo deixou o mundo mal posicionado para lidar com a pandemia de coronavírus.

Em entrevista ao The Times na última sexta-feira (24), Gates foi perguntado se os políticos atuais estavam respondendo à altura os impactos necessários para conter a crise.

“Você vai à guerra com os líderes que tem e, em retrospecto, pode julgar o quão bem foi”, disse ele. “Eu acho que o fato de o mundo estar se movendo em direção ao nacionalismo e os países cuidando de si mesmos não é um enquadramento útil. Todos nós desejamos que tivéssemos levantado o grito de guerra mais rapidamente, como já fizemos nessa situação”, acrescentou Gates, sem citar governos específicos.

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Países cujos governos têm inclinação nacionalista, como o Reino Unido, os EUA, Índia e o Brasil, inicialmente subestimaram, ou continuam subestimando, o nível de ameaça do coronavírus.

No início deste mês, Gates criticou a decisão do presidente Trump de retirar o financiamento dos EUA da Organização Mundial da Saúde. No dia seguinte ao anúncio do presidente americano, a organização filantrópica de Gates, a Fundação Bill e Melinda Gates, anunciou que estava se comprometendo com mais US$ 150 milhões para combater o vírus – elevando o seu total de doações para US$ 250 milhões.

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Desde então, o bilionário vem afirmando que a fundação vai dedicar todos os seus recursos à luta contra o coronavírus. Durante a entrevista, Gates disse não achar que os governos estão sendo duros ​​por impor bloqueios e que, se os bloqueios não tivessem sido implementados, teríamos visto “o pior dos dois mundos” em termos de propagação de doenças e crise econômica.

“Se você chegasse aos milhões de mortes, mais e mais pessoas mudariam seu comportamento, para que você chegasse a uma situação extrema”, disse ele. “A idéia de que um hotel com um fluxo de 30% ou um restaurante com 30% de ocupação permaneceria aberto não mostra uma compreensão da economia”.

O governo do Reino Unido inicialmente estabeleceu um plano para buscar a “imunidade de rebanho” ao vírus, permitindo que ele se espalhasse na população, mas abandonou a política depois que um cientista alertou que o plano levaria a um número de mortos de 510.000.

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Posteriormente, o governo do Reino Unido alegou que a imunidade do rebanho nunca foi sua política oficial, apesar de seu principal consultor científico, Patrick Vallance, ter divulgado a idéia em entrevistas na TV em março.

No Brasil, o ministro da saúde foi demitido pelo presidente Jair Bolsonaro em meio à pandemia de coronavírus. Durante a sua despedida, Luiz Henrique Mandetta, defendeu o isolamento social e alertou para um possível colapso do sistema público de saúde nas próximas semanas.

Desde o início da pandemia de coronavírus, o presidente dos EUA Donald Trump usa suas redes sociais para minimizar e invalidar as preocupações em torno da Covid-19.

Em março, ele criticou no Twitter as políticas de distanciamento social, que paralisou a economia americana, comparando o número de mortes da gripe comum com as novas infecções causadas pelo coronavírus. “No ano passado, 37.000 americanos morreram da gripe comum. Tem uma média entre 27.000 e 70.000 por ano. Nada fica fechado, a vida e a economia continuam. Neste momento, existem 546 casos confirmados de coronavírus, com 22 mortes. Pense nisso!”.

Atualmente, os EUA são o novo epicentro da pandemia com 983.848 casos confirmados da doença, segundo informações do mapa criado pelo Centro de Ciência e Engenharia de Sistemas da Universidade Johns Hopkins, que monitora o avanço mundial da Covid-19.

Em todo mundo, o painel computa mais de 3 milhões de pessoas infectadas e cerca de 210.374 mil mortes.

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