Como a inteligência artificial está transformando a experiência no consórcio 

Segurança, agilidade na contratação e na utilização da carta de crédito são alguns dos benefícios da tecnologia, segundo especialistas

Carla Carvalho

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Contratar um consórcio hoje é bem diferente de alguns anos atrás, e boa parte dessa mudança tem um elemento em comum: a inteligência artificial. 

E nem sempre o consorciado percebe que está interagindo com ela. Para Sebastião Cirelli, diretor de consórcios da Rodobens, a tecnologia é uma porta de entrada inteligente desde o primeiro contato na jornada, que esclarece dúvidas, apresenta o produto e identifica as melhores oportunidades para cada perfil.

O atendimento é uma das etapas em que essa transformação aparece com mais força. Além de ampliar a disponibilidade dos canais digitais, a inteligência artificial reduz consideravelmente o tempo de resposta. 

Segundo Sergio Hirase, CTO do Mycon Consórcio, a adoção de agentes inteligentes reduziu em cerca de 87% o tempo médio de atendimento, mesmo com o crescimento da base de clientes.

“Tudo isso se reflete em uma experiência mais simples, transparente e personalizada para o consorciado”, afirma.

Menos burocracia na hora de usar a carta de crédito

A inteligência artificial está acelerando a utilização da carta de crédito após a contemplação do consórcio. Processos antes manuais agora usam biometria facial, validação automatizada e cruzamento de dados para agilizar as análises.

Na Rodobens, a tecnologia valida documentos e checa e-mails com agilidade. Segundo Cirelli, essas ferramentas confirmam informações com mais rapidez e segurança, “reduzindo a burocracia sem comprometer a proteção do cliente”.

Os ganhos se destacam no pós-contemplação, fase de envio de documentos para liberar o pagamento ao vendedor. De acordo com Hirase, a automação reduziu o tempo de espera no Mycon.

Entre 2023 e 2026, a empresa diminuiu em 32% o prazo de entrega de imóveis e elevou os registros digitais de 12% para 63%. No setor de veículos, o prazo médio de entrega caiu 17%.

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Segurança baseada em dados em cada etapa

Na prática, a inteligência artificial funciona como uma barreira antifraude em tempo real. Em vez de revisões manuais demoradas, o sistema valida identidades e cruza dados cadastrais instantaneamente para barrar inconsistências antes que qualquer operação seja concluída.

Na Rodobens, Cirelli explica que a IA monitora quatro momentos críticos: a adesão de novas cotas, transferências, a contemplação e o faturamento dos bens. Para isso, uma plataforma filtra grandes volumes de dados, identifica anomalias e gera alertas automáticos de risco para barrar transações suspeitas.

No Mycon, o bloqueio a fraudes começa na abertura da conta. Hirase destaca o uso de biometria facial e testes de “prova de vida” logo no cadastro. Atrás das telas, algoritmos mapeiam o comportamento do usuário e bloqueiam preventivamente movimentações atípicas, protegendo o caixa da administradora e o dinheiro do cliente.

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Como a IA no consórcio contribui para grupos mais saudáveis

Os benefícios da inteligência artificial no consórcio vão além da experiência individual do consorciado. A tecnologia também passou a apoiar a gestão dos grupos ao identificar sinais de risco antes que pequenos problemas se tornem maiores.

Na Rodobens, a IA é utilizada desde a formação dos grupos, avaliando a capacidade de pagamento dos participantes e ajudando a identificar indícios precoces de dificuldade financeira ao longo do contrato. Segundo Cirelli, isso permite que a administradora adote ações de relacionamento antes que um atraso evolua para o cancelamento da cota, contribuindo para grupos mais equilibrados e previsíveis.

A mesma utilização preventiva da IA acontece no Mycon. De acordo com Hirase, algoritmos analisam o histórico de pagamentos e o comportamento dos clientes para identificar possíveis riscos de inadimplência. Assim, a administradora pode personalizar a comunicação, enviar lembretes e oferecer alternativas de negociação antes que o atraso ocorra.

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No consórcio, a inadimplência pesa no bolso de todo mundo. Quando um consorciado deixa de pagar, o caixa do grupo encolhe, e isso significa menos sorteios, demora nas contemplações e instabilidade para todos.

Nesse contexto, a gestão preventiva com IA no consórcio garante que o grupo permaneça saudável, assegurando que todos recebam o bem no prazo contratado.