O Trono é do Rei

A derrota da Argentina para a Espanha reacendeu um debate antigo e oferece um novo contexto para discutir por que Pelé continua sendo a principal referência da história do futebol

Walter Maciel

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores

Publicidade

O Brasil produziu o maior atleta de todos os tempos do esporte mais popular do planeta. E virou moda, entre brasileiros, entregar a coroa dele de graça.

Vou dizer o que precisa ser dito: isso é coisa de brasileiro bundão. É falta de orgulho nacional. A Espanha é bicampeã do mundo desde domingo, a coroação antecipada de Messi caducou diante do planeta inteiro, e ainda tem gente por aqui repetindo a heresia.

Então senta, que a aula é de graça. Depois dela, ninguém mais vai passar vergonha nesse debate.

Continua depois da publicidade

Há 70 anos, todo grande jogador que aparece no mundo é medido contra um homem só. A régua é Pelé. Foi assim com Johan Cruyff, com Maradona, com Ronaldo Fenômeno, com Cristiano Ronaldo e foi assim com Messi. Em 70 anos de futebol profissional, ninguém mais ganhou três Copas do Mundo. Ninguém.

O próprio Pelé, em 2012, quando perguntaram se a Espanha campeã da época ganharia do Brasil de 1970, deu a lógica definitiva: enquanto toda seleção nova for comparada ao time de 1970, é porque o de 1970 segue sendo o melhor. A comparação é o troféu. E o comparado é sempre ele.

O que os números realmente mostram

Messi é um gigante. Oito Bolas de Ouro, oito gols nesta Copa aos 39 anos. Respeito total. Agora olha o placar da história, número por número.

Continua depois da publicidade

Pelé estreou em Copa do Mundo aos 17 anos, em 1958. Gol nas quartas de final. Três na semifinal, contra a França de Just Fontaine, até hoje o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo, com 13 gols.

E dois na final, dentro da casa dos anfitriões suecos: o primeiro com chapéu no zagueiro e bola dominada no peito antes da finalização. Sigge Parling, o zagueiro sueco escalado para marcá-lo naquela decisão, confessou depois que, no quinto gol do Brasil, o que queria era aplaudir.

O placar da carreira: quatro Copas, três títulos, nenhuma final perdida. Pelé chegou a esta Copa, 56 anos depois de pendurar a chuteira da seleção, ainda como o líder em assistência da história dos Mundiais. E nunca fez um gol de pênalti em Copa do Mundo. Nenhum.

Continua depois da publicidade

Leia também: O CEO que faliu o Brasil pisou fundo no acelerador

Messi? Seis Copas, um título, duas finais perdidas. Até 2022, aos 35 anos, ele nunca tinha feito um gol em jogo de mata-mata de Copa do Mundo. Zero em quatro Copas. Foram 15 anos de expectativa frustrada.

Na campanha do único título, quatro dos sete gols da Argentina saíram da marca da cal. Ele precisou de 25 jogos para superar os 12 gols que Pelé marcou em 14 partidas de Copa. E jamais venceu uma final no tempo normal: o título veio nos pênaltis, depois do empate em 3 a 3 contra a França, na prorrogação.

Continua depois da publicidade

O Brasil da Era Pelé venceu as três finais disputadas dentro dos 90 minutos: 5 a 2 contra a Suécia, em 1958; 3 a 1 contra a Tchecoslováquia, em 1962; e 4 a 1 contra a Itália, em 1970. Nas duas finais que o próprio Rei disputou, houve goleada e gol dele. Outro fato curioso: segundo os registros da CBF, o Brasil não marcou nenhum gol de pênalti nas Copas disputadas por Pelé. Não precisou.

Duas épocas, dois mundos

E contra quem? Pelé nunca enfrentou Argélia, Egito ou Cabo Verde em uma Copa do Mundo. As Copas dele tinham 16 seleções. Elite, elite, elite, sem jogo bobo. A de hoje foi ampliada para 48 seleções, com um caminho recheado de confrontos contra equipes de menor tradição.

Nem a competição que Messi disputou é comparável à que Pelé venceu três vezes.

E o Rei mal jogou duas das quatro Copas dele. Em 1962, lesionou-se no segundo jogo e ficou em campo se arrastando, fazendo número, porque a substituição não existia. O Brasil venceu aquela Copa com Garrincha jogando a final com 39 graus de febre, eleito o melhor jogador e o artilheiro do torneio.

Leia também: Que alma é preciso ter

Em 1966, a caçada foi explícita: Pelé saiu aos pedaços do jogo contra a Bulgária e foi abatido a faltas por Morais e Coluna contra Portugal, em uma das Copas mais violentas da história, marcada por uma CBD que convocou 46 jogadores e arrastou a seleção por cinco cidades para atender interesses de dirigentes e políticos.

Não havia cartão amarelo, cartão vermelho, substituição, quarto árbitro, câmera ou VAR. A bola era mais pesada, a medicina esportiva estava em outra era, e entradas por trás e agressões como cusparadas ficavam impunes.

Hoje, o elenco tem o dobro do tamanho, há revezamento entre os jogos e os atletas trabalham cercados por psicólogos, nutricionistas e cientistas de dados, em gramados preparados, com chuteiras mais modernas e bolas de alta tecnologia. Bota o Messi nas condições do Rei. Não chegaria perto de nada. Mesmo prejudicado em duas Copas, Pelé terminou tricampeão.

O jogador mais completo da história

Agora, fundamentos. Ser completo no futebol é saber passar e lançar, bater falta, finalizar com a direita e com a esquerda, armar, driblar e cabecear. Pelé era nota de 9,5 a 10 em tudo, sem exceção.

Tinha impulsão de 1,35 m, a elevação de um Michael Jordan: subia com a cabeça acima da mão do goleiro. Tinha índices de atleta olímpico nos 100 metros rasos e no lançamento de dardo, em uma era sem a preparação física atual. Nenhum outro gênio da história passa nesse teste.

Maradona tinha a esquerda nota 10, a direita nota 3 e cabeceava tão mal que, contra a Inglaterra, precisou usar a mão. Messi finaliza quase que exclusivamente com a perna esquerda e não tem o mesmo destaque no jogo aéreo. Nem Ronaldo Fenômeno tinha a cabeçada como principal característica, algo que Romário, diga-se, fazia muito bem.

Leia também: Luciano Huck e o segredo que ninguém conta sobre o Bolsa Família: ele foi desenhado por economistas liberais

O próprio Pelé, em entrevista à Folha de S.Paulo em 2015, quando questionado sobre Messi, apontou a diferença que considerava decisiva: chutava com as duas pernas e era mais forte no jogo aéreo. Para o Rei, a comparação entre os dois passava pela completude: não apenas talento com a bola nos pés, mas domínio de todos os fundamentos do jogo.

Tostão, craque da seleção de 1970, respondia com humildade quando era comparado ao Rei: como, se a cabeçada do Pelé era mais forte que o meu chute? E Zico, para mim o jogador mais completo da história depois de Pelé, e portanto uma das maiores autoridades vivas no assunto, resumiu: Deus escolheu dar todas as valências a um homem só. Para Zico, Pelé não se compara com ninguém. É único.

Quando até os rivais concordam

Não acredita em brasileiro? Então escuta os argentinos. Alfredo Di Stéfano, o homem que disputou com Pelé o posto de melhor do mundo, quando perguntado em 2012 sobre Messi e Cristiano Ronaldo, respondeu: nenhum deles, Pelé foi o melhor.

César Luis Menotti, técnico campeão do mundo pela Argentina em 1978, foi além: o maior de todos os tempos foi Pelé, que era uma mistura de Di Stéfano, Maradona, Cruyff e Messi. Um homem somando os quatro, na boca de um campeão argentino. Só se Jesus descer e calçar chuteiras

Craque húngaro, Ferenc Puskás recusava-se a entrar nesse jogo: para ele, o melhor do mundo era Di Stéfano, porque Pelé estava acima de qualquer classificação. Cruyff dizia: “Posso ser um novo Di Stéfano, mas não posso ser um novo Pelé, o único que ultrapassa os limites da lógica.” Beckenbauer, que jogou ao lado dele no Cosmos, chamou-o de o jogador mais completo que já viu. Bobby Moore, o capitão inglês que o marcou em 1970, fez o inventário: dois pés, mágico pelo alto, rápido, forte, equilíbrio perfeito, visão impossível. Just Fontaine, recordista da Copa de 1958 com 13 gols em uma única edição, confessou que ver Pelé deu vontade de pendurar as chuteiras.

A grandeza construída dentro de campo

Os números do Rei assombram na mesma proporção. Aos 22 anos, 500 gols. O milésimo, em 1969, no Maracanã, parou o Brasil. Mais de 1.200 gols na carreira, na contagem tradicional registrada pelo Santos e pelo Museu Pelé.

E, em 1970, ele fez o que ninguém mais fez: comandou o maior esquadrão de todos os tempos, um time individualmente inferior ao de 1958, e o elevou à perfeição.

Naquela Copa, até os gols que ele não fez viraram história: o chute do meio de campo contra a Tchecoslováquia, o drible de corpo sem tocar na bola sobre Mazurkiewicz e a cabeçada contra a Inglaterra que obrigou Gordon Banks à defesa considerada uma das maiores da história das Copas – a maior na minha opinião. Repare: até uma defesa feita contra ele virou recorde.

Na final, contra uma Itália repleta de craques, Pelé, de 1,72 m, subiu acima do marcador para abrir o placar de cabeça e deu duas assistências no 4 a 1, a última delas no gol de Carlos Alberto, considerado por muitos o gol mais famoso da história dos Mundiais.

Burgnich, o zagueiro encarregado de marcá-lo, resumiu: pensava que Pelé fosse de carne e osso como ele, e estava enganado. Pelé nunca amarelou. Quanto maior o palco, maior ele ficava.

E em que condições. Enquanto Messi voou a carreira inteira em jatos, o Santos de Pelé viajava de ônibus, em longas jornadas de estrada, com delegações apertadas, e fazia viagens internacionais em condições muito diferentes das atuais.

O Rei quase não jogava em casa: das mais de 1.100 partidas pelo Santos, cerca de 200 foram na Vila Belmiro, e menos de 300 gols saíram ali. Uma lenda construída no campo dos outros.

Esse Santos rodava o mundo como atração planetária; há relatos de que conflitos foram interrompidos na África para que Pelé pudesse jogar. E ele deu canetas em Beckenbauer, Bobby Charlton e Bobby Moore. Eusébio que se aventurou a provocar o Rei e tomou duas no mesmo lance!

E quem chama esses jogos de amistosos sem valor não sabe do que fala. As excursões do Santos eram, em muitos casos, partidas oficiais ou jogos internacionais organizados contra equipes de grande expressão, diante de adversários que entravam para provar valor contra o melhor jogador do mundo, como contou António Simões, ponta do Benfica: não importava o rótulo, eles entravam para ganhar.

O debate que nunca foi justo

Olha a lista das vítimas. Dez gols em sete jogos contra o Benfica. Oito em sete contra a Inter de Milão, quatro deles em um 7 a 1 em 1959. Seis em cinco contra a Roma.

Hat-trick contra o Atlético de Madri, então campeão espanhol. Quatro gols em um 5 a 2 contra o Eintracht Frankfurt, dois meses antes de o Manchester United suar para empatar lá.

Dois gols contra o Barcelona campeão espanhol, em um 5 a 1 que o próprio técnico do Barça classificou como extraordinário.

Os europeus contrataram reforços de emergência para evitar vexames: o Barcelona que venceu o Santos em 1963 convocou dois jogadores do Valladolid especialmente para aquela partida. Na América do Sul, a dificuldade era ainda maior: 8 a 3 no Racing, em 1962, até hoje uma das maiores derrotas de um campeão argentino em casa. Seis gols em oito jogos contra o Boca Juniors.

E um 6 a 4 contra a Tchecoslováquia, então vice-campeã mundial, com o hat-trick que o próprio Pelé considerava uma de suas melhores atuações da carreira.

E não é a primeira vez que inventam um rival para o trono. Nos anos 1960, disseram que Eusébio estava à altura. A resposta veio dentro do Estádio da Luz: 5 a 2 contra o Benfica, em plena Lisboa, três gols de Pelé e dribles sobre o próprio Eusébio.

Costa Pereira, goleiro daquele Benfica, saiu do gramado com uma definição que ficou marcada: chegou esperando parar um grande homem e foi embora convencido de ter sido destruído por alguém que não nasceu no mesmo planeta que nós. Agora insinuaram Messi. A resposta veio diante do mundo inteiro.

Porque olha esta Copa com honestidade. Messi jogou muito bem contra seleções de menor tradição, em um caminho que passou por Cabo Verde e por um Egito cercado de polêmica; a Argentina enfrentou duas prorrogações e teve um único grande jogo, a virada sobre a Inglaterra, em que ele, justiça seja feita, deu boas assistências, sem marcar.

Na final, um domínio espanhol: a Argentina só conseguiu finalizar na prorrogação, e Messi, de quem o mundo esperava uma despedida épica, apareceu apenas depois do gol da Espanha, em lances isolados. Brio tardio, e nada além. Em 2022, no caminho do título, houve um lance passível de cartão vermelho em partida contra a Holanda, mas ele permaneceu em campo.

E no clube? Maradona foi se provar na Itália da marcação agressiva. Cristiano Ronaldo, na Inglaterra e na Itália.

Messi construiu praticamente toda a carreira em uma única liga antes de deixar a Espanha: um campeonato em que conviveu com grandes companheiros como Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué, Neymar e Suárez. Quando saiu para o PSG, teve um período abaixo do esperado. Hoje joga na Major League Soccer. 

Aplique, então, a medida definitiva de qualquer época: a distância para os contemporâneos. Messi dividiu a própria era, do primeiro ao último dia, com Cristiano Ronaldo, um rival de números comparáveis que se declara abertamente melhor que ele.

Pelé não dividiu a era com ninguém: no tempo do Rei, o debate era sobre o segundo lugar do mundo. Pelé foi incomparável entre os seus. Messi nunca foi unanimidade absoluta nem dentro da própria geração.

Por isso, o debate honesto nem deveria ser diretamente com Pelé.

O rival de Messi é Maradona, e nem essa disputa está decidida: Messi jamais fez em uma Copa do Mundo o que Maradona fez em 1986, nem o que Garrincha fez em 1962. A conversa dele está nessa prateleira. A do Rei fica em outra.

A pressa em coroar o rival diz tudo. Antes mesmo da final, um jornalista britânico já chamava Messi de o maior de todos “de longe”, e jornalistas do mundo inteiro, inclusive brasileiros, decretaram encerrado o debate. Coroaram Messi em pleno junho por algo que Pelé só recebeu depois de conquistar a terceira Copa. Aí veio a final.

E a Espanha venceu. Rodrigo Mattos, um dos poucos analistas brasileiros a reagir, chamou a coroação pelo nome certo: uma injustiça com Pelé.

E aqui está a chave do julgamento viciado. Cada gol de Messi foi filmado de dezenas de ângulos e distribuído ao planeta em segundos.

Da carreira de Pelé, apenas parte dos lances foi registrada em vídeo; momentos geniais do maior de todos se perderam para sempre, testemunhados apenas por quem estava nos estádios.

Uma geração criada no streaming resolveu julgar a era do gramofone, rebaixando competições antigas a um futebol inferior, como se um gol em campo de terra valesse menos que um gol em um gramado moderno. Isso não é análise. É ignorar o contexto histórico.

Muito além do futebol

E existe o veredito que encerra a discussão. Pelé foi reconhecido como Atleta do Século por duas entidades diferentes. Em 1980, pela imprensa esportiva mundial reunida pelo L’Équipe, à frente de Jesse Owens.

E, em 1999, pelo Comitê Olímpico Internacional, em uma eleição feita pelos comitês olímpicos do mundo inteiro, na qual Pelé venceu Muhammad Ali, segundo colocado; Carl Lewis, terceiro; e Michael Jordan, quarto.

E repara na ironia: Pelé nunca disputou uma Olimpíada sequer e, mesmo assim, foi colocado pelos comitês olímpicos do planeta entre os maiores atletas da história.

Não o jogador do século: o Atleta do Século. E como antes do século 20 não existia esporte profissional organizado em escala global, faz a conta: Pelé é esse o tamanho do homem que resolveram comparar.

O Rei é nosso

Ninguém pode coroar Messi sem saber o que Pelé fez e em que condições fez. O Brasil dos anos 1950 e 1960 era para o futebol o que a Grã-Bretanha foi para a música e a Califórnia para a informática: o epicentro do mundo.

No século 20, poucos atletas se aproximaram de Pelé como ícones globais; Muhammad Ali é frequentemente citado como um dos poucos nomes capazes de dividir esse espaço simbólico.

Antes de 1958, o mundo não sabia onde ficava o Brasil. Depois de 1970, o país passou a ser reconhecido mundialmente como a terra do futebol.

E repara na ironia final: até os defensores mais generosos de Messi colocaram uma condição por escrito: se ele vencesse uma segunda Copa seguida, contra a Espanha, aí sim alcançaria um novo patamar. Não venceu. A condição caducou no domingo.

E o destino ainda escreveu o epílogo. No intervalo da final, o telão do MetLife mostrou uma imagem: Pelé se despedindo do futebol, em 1977, com a camisa do Cosmos, pedindo ao estádio lotado que repetisse com ele uma única palavra: love.

Aquele adeus aconteceu no Giants Stadium, em Nova Jersey, no mesmo local onde o MetLife Stadium seria construído posteriormente.

Entende o que isso significa? Na tarde em que Messi se despedia das Copas, no jogo que encerrou a sua coroação, o futebol mundial voltou a reverenciar o Rei, no mesmo lugar onde o Rei disse adeus pregando amor.

E é essa a prateleira final da conversa: não se compara Pelé apenas a jogadores de futebol. Pelé se compara ao que o século 20 produziu de maior: aos Beatles, a Muhammad Ali, às forças culturais que mudaram a forma como o mundo se enxerga.

É a mesma conversa de comparar os Grammys e os números de Taylor Swift com os Beatles. O menino de 16 anos pode até achar que se compara. Não importa: a história dá conta de colocar cada um no seu devido lugar. Com Pelé é igual.

Jogador disputa recorde. O Rei disputa lugar na história da humanidade. E esse lugar já tem dono.

Pelé também transformou a camisa 10 em um símbolo mundial do futebol. Antes dele, a numeração das camisas não tinha o mesmo peso simbólico que ganhou depois. De acordo com o livro Guia dos Curiosos, do jornalista Marcelo Duarte, o número 10 passou a ser associado ao principal jogador da equipe, ao talento e ao protagonismo em campo – uma herança direta do Rei.

Até alguns argentinos defendem o Rei. Só brasileiro bundão entrega a coroa. Nelson Rodrigues deu nome a isso: complexo de vira-latas. Não é modéstia. É abdicação. E o alerta mais duro é este: o problema já não é perder o debate. É o Brasil ter parado de comparecer a ele.

A comparação já era uma ofensa antes do jogo. O apito final não reduziu a ofensa. Apenas calou quem insistia nela.

O trono é do Rei. Sempre foi. O Rei é nosso. O maior atleta que a humanidade já produziu nasceu aqui. Defenda o que é seu.

É preciso defender o que é nosso e motivo de orgulho para o povo brasileiro.

Autor avatar
Walter Maciel

CEO da AZ Quest desde 2011