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Semana passada, enquanto conduzia uma mentoria com um grupo grande de assessores de investimentos, um profissional levantou a mão e fez uma pergunta simples, sincera e muito comum:
“Bianca, eu sei prospectar. Sei fazer reunião. Sei atender. Mas como eu organizo isso na prática sem ser absorvido pelo operacional?”
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Essa pergunta nunca sai de moda. Porque a origem dela é quase sempre a mesma: não é falta de conhecimento técnico, é falta de ordem comercial.
Naquele instante, me lembrei exatamente de como eu fazia quando construí minha carteira do zero, na época em que atuava como assessora e usava palestras como uma das principais estratégias de prospecção.
Porque a verdade é dura, mas libertadora: se eu deixasse o dia correr sozinho, ele virava 90% operacional e apenas 10% comercial. Isso não é suficiente nem para sobreviver, muito menos para crescer.
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O que virou o jogo foi algo que ensino até hoje.
O comercial só existe quando está protegido na agenda. O operacional existe mesmo sem ser convidado.
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E é aqui que a maioria se perde.
- 1. A rotina que funcionava, e funciona até hoje
- 2. Mas o detalhe que realmente fazia diferença eram os blocos dentro do dia de ligações
- 3. O problema de quem se perde não é falta de ação. É falta de ordem.
- 4. Priorizar é decidir o que entra, e também o que não entra
- 5. A pergunta que deixei para a turma, e deixo para você
1. A rotina que funcionava, e funciona até hoje
Na época em que eu atuava como assessora ativa, meus dias não eram divididos por acaso.
Cada dia tinha um propósito claro.
- Dia de Ligações
100% dedicado a ligações para agendar reuniões, fazer updates, follow-ups, abrir portas e ganhar escala na prospecção. - Dia de Reuniões
Com prospects ou clientes. Conexão profunda, avanço de pipeline, tomada de decisão e fechamento. - “Relation Day”
O dia do relacionamento genuíno. Ligações apenas para clientes, sem proposta, sem venda, sem intenção comercial explícita. Apenas presença, cuidado e continuidade.
Essa divisão fazia algo essencial: Protegia o comercial da contaminação do operacional.
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2. Mas o detalhe que realmente fazia diferença eram os blocos dentro do dia de ligações
O “dia de ligação” não era um bloco único e genérico. Ele era dividido como um sistema, quase uma linha de produção comercial.
Bloco 1 – Continuidade após-palestra ou curso (que ministrava para educar e captar clientes)
Ligações para quem esteve na palestra do dia anterior.
O momento de ouro.
Quem te ouviu ontem ainda está quente hoje, ainda lembra de você, ainda sente o impacto da palestra, ainda está com a reflexão fresca na cabeça.
A regra era clara: palestra ontem, ligação hoje para agendar reunião de assessoria personalizada.
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Bloco 2 – Abertura de portas
Ligações para gerar alcance: parcerias, convites para palestra, conexões com clubes, empresas, associações e criação de novos espaços coletivos e escaláveis para captar.
Bloco 3 – Follow-ups estruturados
Quem avançou, quem pediu informação, quem ficou de pensar, quem está próximo do fechamento.
Follow-up não era aleatório. Era ritual.
Bloco 4 – Aquecimento do pipeline antigo
Prospects parados, relações semi-adormecidas, contatos que só precisam de contexto para reacender.
Esses quatro blocos garantiam algo que poucos assessores entendem: prospecção e atividade comercial não são sobre tempo disponível. São sobre tempo reservado.
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3. O problema de quem se perde não é falta de ação. É falta de ordem.
Quando me perguntam: “Bianca, por onde eu começo esta gestão?”
Eu respondo sem hesitar: pelo seu calendário.
Se o calendário não mostra dia de ligação, dia de reunião, dia de relacionamento, blocos de abertura de portas, blocos de follow-up e blocos claros de continuidade comercial, então não existe rotina comercial.
Existe sobrevivência operacional.
4. Priorizar é decidir o que entra, e também o que não entra
- No dia de ligações, eu não fazia reuniões.
- No dia de reuniões, eu não fazia ligações.
- No “relation day”, eu não ligava para prospects.
Essa separação é radical. E exatamente por isso, funciona.
O cérebro performa melhor quando a intenção é única. A qualidade aumenta quando as atividades são homogêneas. E a carteira cresce quando a rotina protege o que faz ela crescer.
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5. A pergunta que deixei para a turma, e deixo para você
Se eu abrir sua agenda hoje, consigo enxergar o seu comercial ou só as demandas?
Prospectar não é encaixar. Prospectar é decidir.
Agendar é decidir. Separar blocos é decidir. Criar dias temáticos é decidir. Avançar pipeline é decidir.
Crescimento é sempre consequência da decisão. Nunca do acaso.
Para encerrar
- Não existe carteira forte sem rotina forte
- Não existe crescimento sem ordem
- Não existe poder comercial sem blocos protegidos.
Então te deixo com a pergunta final:
Seu calendário protege o crescimento da sua carteira ou é o operacional que decide quem você será no fim do mês?