93 deputados brasileiros faltaram em 25% das sessões na Câmara, diz estudo

Você manteria um funcionário que fica um ano fora para cada três que trabalha? Quase 100 parlamentares brasileiros são esse funcionário segundo o site Congresso em Foco

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SÃO PAULO – Em qualquer emprego, assiduidade é fundamental. Mas esse não parece ser o caso da Câmara dos Deputados em Brasília. Segundo levantamento do site Congresso em Foco, 93 parlamentares acumularam mais de 25% de faltas entre 2011 e 2014, o que equivale a dizer que a cada quatro anos de mandato, eles passaram um fora dos seus postos de trabalho. 

Figuras carimbadas na imprensa pela controvérsia estão neste seleto grupo, como o Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), que foi inimigo número um do movimento LGBT durante seu período como presidente da Comissão de Direitos Humanos. Ele deixou de ir a 100 das 393 sessões deliberativas. Parêntese aqui se faz para lembrar que o número de dias úteis para o trabalhador médio brasileiro foi de 990 no mesmo período, quase o triplo.

Mas quem se destaca mesmo, de acordo com a pesquisa, é Paulo Maluf (PP-SP), que faltou em 198 sessões do Legislativo, estando presente em apenas 195. O que significa que ver Maluf na Câmara é tão próvável quanto acertar o lado da moeda no cara ou coroa. Apesar do número impressionante, ele foi só o quarto mais faltoso, já que João Lyra (PSD-AL), Nice Lobão (PSD-MA) e Zé Vieira (Pros-MA) conseguiram superar o deputado do Partido Progressista. 

Lyra, por acaso, é o parlamentar mais rico do Congresso, com um patrimônio declarado de R$ 240 milhões e 227 faltas somadas na Câmara. Ele também já respondeu a processo no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de ter usado trabalho escravo em suas usinas. 

Já Nice Lobão, que tem 222 faltas, é a mulher do senador e ex-ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), investigado na Operação Lava Jato. 

Tanto no caso de Maluf quanto no de Feliciano, de Lyra e de Lobão, todas as faltas foram justificadas, embora os motivos não estejam abertos na pesquisa. O salário dos políticos não foi descontado por causa das faltas.

Equipe InfoMoney

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