Melhores varejistas para se trabalhar crescem quase 5 vezes o PIB; veja quais são

Levantamento da Great Place To Work com 60 companhias mostra relação entre ambiente de trabalho, inovação e desempenho

Anna França

Ativos mencionados na matéria

Gazin liderou ranking do Great PLace to Work entre as varejistas (Foto: Reprodução/Gazin)
Gazin liderou ranking do Great PLace to Work entre as varejistas (Foto: Reprodução/Gazin)

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As empresas do varejo que investem em gestão de pessoas estão colhendo frutos diretamente no seu caixa. Levantamento do Great Place To Work (GPTW) com as Melhores Empresas para Trabalhar no Varejo em 2025 mostra que as companhias reconhecidas no ranking registraram crescimento médio de 16% no faturamento, desempenho quase cinco vezes superior à expansão de 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no mesmo período.

O dado, segundo o ranking, reforça uma mudança estrutural relevante no varejo, setor historicamente marcado por alta rotatividade, pressão operacional e disputa intensa por mão de obra. Políticas estruturadas de retenção, ambiente organizacional saudável e investimento em liderança começam a se traduzir em vantagem competitiva mensurável.

A 12ª edição do Ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Varejo reuniu 294 empresas, impactando mais de 555 mil colaboradores em todo o país. Ao final, 60 organizações foram reconhecidas por boas práticas consistentes de gestão de pessoas, distribuídas entre empresas de pequeno, médio, grande e super grande porte.

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São Paulo lidera a lista com 15 companhias premiadas, seguido por Paraná e Rio Grande do Sul, com sete cada.

Melhores empresas do varejo para se trabalhar, segundo o GPTW:

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  1. Gazin
  2. Magazine Luiza S/A
  3. Arcos Dourados/McDonald’s
  4. C&A
  5. Assaí Atacadista
  6. Grupo Casas Bahia
  7. Grupo DPSP
  8. GPA
  9. Riachuelo
  10. Farmácias Pague Menos

O desafio da alta rotatividade

Apesar do desempenho financeiro robusto, a pesquisa mostra que o varejo continua convivendo com um de seus desafios estruturais mais persistentes: a retenção de talentos. Quase metade (49%) dos colaboradores das empresas premiadas têm até dois anos de casa, percentual cinco pontos acima do registrado em 2024. Outros 24% permanecem entre dois e cinco anos na organização.

Já os profissionais com trajetórias mais longas seguem minoria. Apenas 3% concentram-se nas faixas acima de 16 anos de empresa. Os números refletem a natureza dinâmica do setor, mas também expõem a dificuldade histórica de construir vínculos duradouros com a força de trabalho.

O levantamento também mostra um varejo mais feminino. As mulheres avançam e já  representam 53% dos quadros funcionais das empresas reconhecidas, colocando o setor entre os rankings setoriais com maior presença feminina.

O avanço aparece também nos cargos de comando. Na alta liderança, a participação feminina subiu de 23% para 28% desde 2023. Na média liderança, o índice chegou a 43%, enquanto nas demais posições de gestão a presença feminina alcançou 49%. Apesar da evolução, os números ainda indicam espaço para avanço nos postos de decisão mais estratégicos.

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Jovens ainda dominam

A composição etária revela mudanças graduais no perfil da força de trabalho. Profissionais com até 25 anos continuam sendo o maior grupo, representando 30% dos colaboradores. Já a faixa entre 26 e 34 anos, antes majoritária, perdeu participação e caiu para 29%. Ao mesmo tempo, cresce a presença de profissionais mais experientes. O grupo entre 45 e 54 anos passou a representar 12%, enquanto trabalhadores com 55 anos ou mais ampliaram participação. O movimento pode indicar um ambiente mais receptivo à diversidade geracional num setor tradicionalmente associado à juventude.

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Inovação avança em ritmo desigual

Outro dado relevante do estudo mostra que inovação deixou de ser diferencial periférico para entrar na agenda operacional das empresas do setor. Hoje, 42% das companhias premiadas operam em estágio funcional de inovação, avanço em relação aos anos anteriores. Ainda assim, 44% permanecem em estágio de atrito, indicando dificuldades para consolidar cultura de adaptação e transformação.

O que faz o funcionário ficar

Quando o assunto é retenção, crescimento profissional continua sendo o principal fator de permanência, citado por 36% dos colaboradores, embora esse índice tenha perdido força em relação ao ano anterior, conforme o levantamento. Em contrapartida, remuneração ganhou relevância, assim como qualidade de vida e estabilidade. A mudança sugere um trabalhador mais pragmático e atento não apenas à progressão de carreira, mas também à sustentabilidade da rotina profissional.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro