Crescimento de 14%: o segredo das melhores empresas para trabalhar

Companhias premiadas crescem 4 vezes mais que o PIB nacional e setores de serviços financeiros e tecnologia se destacam no ranking Great Place To Work

Anna França

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Pexels/RODNAE Productions)
(Foto: Pexels/RODNAE Productions)

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As empresas brasileiras estão ficando mais maduras, diversas e inovadoras, com avanço das mulheres e dos talentos mais velhos na força de trabalho. E toda essa mudança tem se refletido positivamente nos resultados financeiros das corporações. Isso é o que mostra o estudo “As 175 Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil em 2025”, divulgado pelo Great Place To Work (GPTW).

O levantamento avaliou mais de 5 mil empresas, que impactam diretamente 5 milhões de trabalhadores, revelando um dado contundente: as companhias premiadas cresceram em média 14% em 2024, desempenho 4,1 vezes superior ao PIB brasileiro (de 3,4%).

“Empresas que colocam as pessoas no centro das decisões crescem de forma sustentável. A cultura de confiança e inovação é o verdadeiro motor do desenvolvimento econômico e humano do país”, afirma a CEO do GPTW Brasil, Tatiane Tiemi.

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Força de trabalho mais experiente

Os dados de 2025 indicam um envelhecimento gradual da força de trabalho. O grupo de profissionais com até 34 anos recuou de 53% em 2022 para 49%, enquanto a faixa acima de 45 anos subiu de 16% para 19%.

A predominância, no entanto, segue entre 26 e 44 anos, faixa etária que reúne dois terços dos colaboradores. O movimento reflete a maior retenção de talentos e a valorização da experiência profissional em um mercado mais competitivo e exigente.

Leia Mais: Veja as melhores empresas para trabalhar premiadas no GPTW 2025

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Mulheres ganham espaço

A presença feminina manteve ritmo de expansão em todos os níveis hierárquicos, após a queda registrada em 2024. As mulheres representam 43% da força de trabalho nas empresas premiadas. Índice equivalente à média nacional. Nos cargos de liderança, o percentual subiu 5 pontos, alcançando 32%. A alta liderança, embora ainda desbalanceada, chegou a 27% de participação feminina. No nível de CEOs, elas representam apenas 10%, mesmo ainda em um baixo patamar, houve um avanço frente ao ciclo anterior, de acordo com o estudo.

A representatividade é maior nas empresas de médio porte, em torno de 12%, e em setores como saúde chegam a 33% e educação a 17%. “A liderança feminina ainda é a fronteira mais desafiadora e estratégica para a transformação cultural”, aponta o relatório da GPTW Brasil.

Diversidade racial e inclusão

A pesquisa também reforça a necessidade de avanços na inclusão racial. Entre os colaboradores, 38% se autodeclaram negros, 9% pretos e 29% pardos, frente a 56% da média nacional. A presença branca é majoritária, respondendo por 59%, e apenas 1% se identifica como indígena.

Segundo o GPTW, companhias com políticas estruturadas de promoção interna e diversidade racial apresentam desempenho superior no Trust Index, indicador que mede a confiança dos colaboradores na liderança.

Setores em destaque

No topo do ranking entre as melhores empresas estão os setores de serviços financeiros e de seguros, com 23%, tecnologia da informação, com 22%, seguidos de produção e manufatura (13%) e serviços profissionais (10%).

São Paulo lidera em número de empresas reconhecidas com 85. Mas o Nordeste foi o destaque de 2025, saltando de três para sete estados representados e mostrando que a cultura de confiança está se disseminando pelo país.

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Crescimento e inovação

A pesquisa também mostra que o crescimento das melhores empresas está fortemente ligado à inovação. Organizações no estágio acelerado de inovação apresentaram crescimento médio de 25% no faturamento, quase o dobro da média geral.

O principal fator de permanência dos colaboradores segue sendo a oportunidade de crescimento (39%), seguido de qualidade de vida (30%) e alinhamento de valores (15%),  deixando remuneração e estabilidade em posições secundárias.

A mensagem que emerge do estudo, segundo a GPTW, é clara: cuidar de pessoas é uma estratégia econômica. Empresas com cultura sólida, lideranças diversas e propósito bem definido crescem mais, retêm talentos e entregam melhores resultados.

Anna França

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro