Desigualdade de gênero

Fortune 500 anuncia número recorde de mulheres em cargos de liderança, mas percentual ainda é de 7,6%

Apesar da marca histórica, apenas 38 das 500 empresas da lista possuem mulheres nos mais altos cargos de liderança

SÃO PAULO – A Clorox, companhia americana de produtos de limpeza, anunciou na última segunda-feira (3) que sua atual presidente, Linda Rendle, assumirá o cargo de CEO a partir de 14 de setembro. Com essa nomeação, a lista da Fortune 500, que compila as 500 empresas mais valiosas dos EUA, registrou seu recorde de mulheres em cargo de liderança.

Apesar de a marca representar um avanço significativo para a igualdade entre gêneros no meio corporativo, o número de mulheres em cargos de liderança nas empresas da Fortune 500 ainda é muito pequeno, em comparação à quantidade de CEOs homens.

Segundo a última atualização da lista, as mulheres representam apenas 7,6% dos cargos de liderança executiva da lista. Ou seja, das 500 empresas, apenas 38 são comandadas por mulheres, enquanto as outras 462 possuem homens nos cargos mais altos do nível hierárquico.

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O número de mulheres em cargos de liderança teve avanço de 58%, quando comparado a 2018. Ainda assim, mesmo entre as mulheres, falta diversidade. Dessas 38, nenhuma delas é negra ou latina, por exemplo.

Lorraine Hariton, presidente e CEO da Catalyst, uma organização sem fins lucrativos que estimula o aumento do número de mulheres em posições de liderança, disse à CNBC que, apesar de termos visto uma “vitória importante” no aumento do número de mulheres que administram empresas da Fortune 500, ainda há muito mais trabalho a ser feito para que sejam “criadas oportunidades e locais de trabalho mais equitativos, inclusivos e gratificantes para todos”.

Um estudo recente realizado pela McKinsey, empresa americana de consultoria empresarial, mostrou que, nos EUA, para cada 100 homens promovidos ou contratados para gerente pela primeira vez, apenas 72 mulheres conseguiam o mesmo feito. O resultado é que, no total, 62% dos cargos de gerência são ocupados por homens.

No Brasil, o cenário é semelhante. Segundo dados do Ministério da Economia, as mulheres ocupam 42,4% dos cargos de gerência, 13,9% de diretoria e 27,3% de superintendência. Aqui no InfoMoney, a colunista Carol Sandler falou um pouco mais sobre os fatores que impedem as mulheres de chegarem a cargos de liderança.

A gritante diferença entre a quantidade de mulheres e homens em cargos de liderança do meio corporativo ainda é um problema cultural, mas que, recentemente, tem sido levado mais a sério por diversas empresas e companhias.

A XP Inc., por exemplo, se comprometeu a ter 50% de mulheres em todos os níveis hierárquicos até 2025, em um compromisso público pela equidade de gênero.

Com empresas tomando conhecimento da importância de questões relacionadas a investimentos ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês), é possível que o futuro mostre-se mais diverso e inclusivo – até mesmo no meio corporativo.

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