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Durante anos, as empresas investiram em programas de cultura organizacional, liderança, propósito e engajamento.
Mas uma nova série de pesquisas sugere que os funcionários também estão avaliando aspectos muito mais concretos do ambiente de trabalho — e que eles podem ter impacto direto na produtividade, no bem-estar e até na disposição para trabalhar presencialmente.
Temperatura, ventilação, qualidade do ar, conforto térmico e ruído deixaram de ser temas operacionais para se tornar fatores que influenciam produtividade, pertencimento e até a decisão de trabalhar presencialmente.
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Um levantamento da GPS Air, empresa americana especializada em qualidade do ar corporativa, mostra que 61% dos trabalhadores prefeririam um ambiente com ar fresco e confortável a um escritório com melhores comodidades, mas condições térmicas inadequadas.
Além disso, 57% apontam temperatura e fluxo de ar como os fatores que mais influenciam sua produtividade.
O estudo também revela que 67% dos profissionais estariam mais dispostos a trabalhar presencialmente se suas empresas comunicassem melhor as medidas adotadas para garantir um ambiente saudável e confortável.
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Já 83% afirmam que iniciativas visíveis para melhorar conforto e segurança fazem com que se sintam mais respeitados como funcionários.
O dado ajuda a explicar uma transformação silenciosa que vem ocorrendo no mercado de trabalho: depois de provar que pode trabalhar de casa, o funcionário passou a avaliar o escritório da mesma forma que avalia qualquer outro produto — pela experiência que entrega.
E, nessa avaliação, aspectos físicos passaram a ter um peso que poucas empresas imaginavam.
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Volta ao escritório mudou as regras do jogo
Mas trazer pessoas de volta ao escritório não significa apenas exigir presença física.
A própria GPS Air conclui que os trabalhadores estão utilizando sinais ambientais para formar percepções sobre confiança, cuidado e qualidade da gestão.
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Segundo o relatório, a qualidade do ar e o conforto físico passaram a influenciar a forma como os funcionários enxergam as prioridades da liderança e avaliam se o deslocamento até o escritório realmente vale a pena.
Em outras palavras, o escritório deixou de ser apenas um local onde o trabalho acontece. Ele passou a fazer parte da proposta de valor oferecida pelas empresas.
O estudo também mostra que 53% dos trabalhadores afirmam que temperatura e fluxo de ar são as primeiras coisas que percebem ao entrar no escritório, à frente até mesmo de fatores como cheiro do ambiente ou presença de poeira.
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Outros 45% apontam o nível de ruído como um elemento relevante para a experiência diária de trabalho.
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Desconforto térmico é recorrente
Os dados brasileiros ajudam a dimensionar o problema.
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Um monitoramento conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), da Universidade Técnica da Dinamarca e do Centro de Conhecimento sobre Luz Natural, Meio Ambiente e Clima Interno avaliou 7.564 registros de ocupantes em edifícios corporativos.
Entre eles, foram identificados 945 casos claramente definidos de desconforto térmico. Desses, 51,6% estavam relacionados ao calor excessivo e 48,3% ao frio excessivo.
Outro dado chama atenção: entre os registros de desconforto causados pelo frio, as mulheres responderam por 67,4% das ocorrências.
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O resultado reforça que a chamada “guerra do ar-condicionado” nos escritórios está longe de ser apenas uma anedota corporativa. Trata-se de uma questão capaz de afetar milhares de trabalhadores diariamente.
A pesquisa também identificou uma associação entre sistemas de climatização e desconforto. Entre as mulheres, 68,8% dos relatos de frio ocorreram em ambientes com ar-condicionado. Entre os homens, esse percentual chegou a 83,2%.
Segundo os pesquisadores, os resultados sugerem que ambientes excessivamente refrigerados podem reduzir a capacidade de adaptação térmica dos ocupantes e aumentar a percepção de desconforto, mesmo durante períodos mais quentes do ano.
Além disso, a Norma Regulamentadora NR-17 estabelece que as empresas devem adotar medidas para assegurar conforto térmico adequado, considerando fatores como temperatura, velocidade do ar e umidade no ambiente de trabalho.
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Guerra por talentos chegou à infraestrutura
Para Mateus Orsini, CEO da Vulp Air, empresa especializada em climatização corporativa por assinatura, o problema geralmente não está apenas na temperatura escolhida.
Segundo ele, o tema ganha relevância justamente porque a experiência presencial voltou ao centro das decisões corporativas.
“Antes, climatização normalmente só ganhava atenção quando o sistema quebrava ou alguém reclamava do calor”, diz Orsini. “Hoje, muitas empresas passaram a enxergar que o ambiente interfere diretamente na experiência presencial e até na percepção de cuidado com os funcionários.”
Os dados da GPS Air ajudam a explicar essa mudança. O levantamento mostra que 66% dos trabalhadores afirmam que melhorias em ventilação, circulação de ar e controle de temperatura aumentariam sua confiança de que o ambiente está sendo bem administrado.
Além disso, 83% afirmam que condições perceptíveis no ambiente de trabalho influenciam sua confiança na forma como a empresa é administrada. Para 50% dos entrevistados, essa influência é considerada forte ou muito forte.
No passado, a disputa por talentos passava por salário, bônus e benefícios. Hoje, ela inclui fatores muito mais amplos.
As empresas continuam falando sobre cultura, pertencimento e experiência do colaborador. Mas os funcionários parecem estar enviando uma mensagem clara: essas promessas também precisam ser percebidas no ambiente físico.
E, para muitos deles, a cultura organizacional começa antes mesmo da primeira reunião do dia: começa na temperatura da sala.
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